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ABADIÂNIA

Médium João de Deus é acusado de abuso sexual

João Teixeira de Faria, mundialmente conhecido como João de Deus, é acusado de abusar sexualmente de mulheres que buscavam orientação espiritual

Médium João de Deus é acusado de abuso sexual
João de Deus já havia sido denunciado por abuso sexual em 2012 (Foto: Instagram/João de Deus Oficial)

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O médium João Teixeira de Faria, mundialmente conhecido como João de Deus, foi acusado de abuso sexual por uma holandesa que concedeu entrevista a um programa da Rede Globo. Após a denúncia, outros casos de assédio envolvendo o médium vieram à tona e pelo menos 25 mulheres já se pronunciaram.

A primeira a acusar João de Deus foi a coreógrafa holandesa Zahira Leneke, de 34 anos. Ela visitou a Casa Dom Inácio de Loyola, onde João Teixeira de Faria realiza suas consultas espirituais, em Abadiânia, interior de Goiás, em 2014, e acusou o médium de violentá-la. No dia 17 de maio deste ano, a coreógrafa se manifestou criando um manifesto com a hashtag #ExposeJohnOfGod (Exponha João de Deus), contando o ocorrido através de uma postagem em suas redes sociais.

Na última sexta-feira, 7, Zahira foi entrevistada pelo jornalista Pedro Bial, da Globo, que após o relato da coreógrafa investigou casos semelhantes ao dela. A investigação revelou outras mulheres no Brasil que passaram pela situação que a coreógrafa holandesa. A maioria das mulheres estava mentalmente fragilizada quando o abuso ocorreu, devido a traumas ou preocupações com problemas de saúde.

Zahira declarou que conheceu a casa em 2014, quando buscava a cura de um trauma de violência sexual no passado. Ela relatou que não saiu correndo após o estupro cometido por João de Deus, porque acreditava que poderia ser treinada para ser uma médium que ajudasse as pessoas. Algumas fotos mostraram Zahira auxiliando o médium, o que era considerado como honra para muitas pessoas. Ela só teve coragem de expor o ocorrido quatro anos depois.

Relatos

Após as primeiras declarações, outras mulheres (que não quiseram se identificar) declararam terem sido convidadas para uma “sessão individual”, onde tal ocasião era vista como uma grande honra e oportunidade. Nessas sessões, João de Deus as levava para outro ambiente, uma sala lateral, onde cometia os abusos sexuais. Segundo depoimentos, o médium entregava um cristal, alegando ter a “cura para todos os problemas”.

Uma brasileira foi buscar cura para seu câncer de mama em 2017. Após passar por tratamentos espirituais, a mulher foi chamada para a sala lateral, onde João de Deus informou que ela já estava quase curada e que faltava muito pouco para se curar totalmente.

A mulher foi orientada a não revelar nada que acontecesse na sessão. Segundo ela, João de Deus tentou cometer o abuso, porém, com medo, ela disse que não estava gostando do que o médium fazia. João de Deus a mandou embora, afirmando que seu câncer retornaria porque ela não cooperou com a sessão.

A mulher relatou que não expôs o médium por medo de sofrer retaliação das pessoas, visto que João de Deus era aclamado por muitos. “Ele afirmou que estava indo até o fim do poço por mim e minha família e eu não colaborava. E que a doença voltaria”, disse a mulher.

A empresária de origem libanesa Aline Saleh, de 29 anos, se viu na obrigação de expor o que também aconteceu com ela. Aline também relatou ter sido estuprada, em 2013, quando foi buscar ajuda espiritual com sua avó. Ela disse ter decidido expor o caso porque “quem tem que sentir vergonha é ele” não ela. “Ao chegar, fui conduzida para uma espécie de grande varanda onde começa a doutrina. As pessoas rezam e dizem que você vai se sentir melhor. É assim que, aos poucos, vão comendo a sua mente”, disse Saleh.

Algumas outras vítimas declararam que foram violentadas quando ainda eram crianças e o grande medo da maioria que sofreu o abuso era a possível “retaliação espiritual” que poderiam sofrer.

Investigação do Ministério Público

O MP de Goiás confirmou que João de Deus já estava sendo investigado desde o primeiro semestre de 2018. Nessa época, a procuradoria de Abadiânia começou a receber as primeiras denúncias. Em 2012, o médium foi acusado de abuso sexual, mas a falta de provas fez a Justiça o considerar inocente.

Após os casos expostos pela imprensa, uma nova frente de investigações será aberta. O advogado do médium, Alberto Toron, disse que seu cliente está à disposição da polícia para ser ouvido a qualquer momento. “Achamos que tudo isso deve ser objeto de uma investigação marcada pela seriedade”, disse Toron.

Em nota, a assessoria de imprensa do médium afirmou que “há 44 anos, João de Deus atende milhares de pessoas em Abadiânia, praticando o bem por meio de tratamentos espirituais. Apesar de não ter sido informado dos detalhes da reportagem, ele rechaça veementemente qualquer prática imprópria em seus atendimentos”.

A assessoria disse que as acusações são “falsas e fantasiosas”, além de questionar o motivo das vítimas não terem procurado as autoridades. A nota afirma ainda que a situação é “lamentável, uma vez que o médium João é uma pessoa de índole ilibada”.

Fontes:
Folha de S.Paulo- 'Quem tem que sentir vergonha é ele, não eu', diz ex-paciente de João de Deus
Extra-Menores de idade estariam entre as vítimas de João de Deus
Folha de S.Paulo-Mulheres acusam médium João de Deus de abuso sexual

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