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Megatemplos religiosos: prova de fé ou de poder?

Seguindo o exemplo do catolicismo, religiões investem em templos de grandes proporções para atrair fiéis

Megatemplos religiosos: prova de fé ou de poder?
O Tempo de Salomão, da Igreja Universal, foi inaugurado em 2014 e tem capacidade para 10 mil pessoas (Foto: Wikipedia)

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Lar de megatemplos religiosos, São Paulo está prestes a ganhar mais um: o Templo da Graça, da Igreja Internacional da Graça de Deus, no Bom Retiro, região central da capital. Terá capacidade para 10 mil pessoas sentadas, assim como o Templo de Salomão, da Igreja Universal, inaugurado na capital em 2014.

Só no Estado de São Paulo já existem pelo menos cinco megatemplos religiosos, como o santuário católico Theotokos – Mãe de Deus, idealizado pelo padre Marcelo Rossi, com capacidade para até 100 mil pessoas em Interlagos, e a Cidade da Glória de Deus, em Guarulhos, que comporta até 150 mil fiéis.

Para o professor titular de ciências da religião da PUC-SP, Jorge Claudio Ribeiro, isso demonstra uma disputa entre as igrejas para provar ao seu público quem tem mais poder – e tem o efeito de transformar a capital paulista em um ponto de turismo religioso.

“O catolicismo fez isso durante milênios, com a basílica de São Pedro, o barroco. Os evangélicos do século 21 estão aprendendo com os católicos porque viram que aquela foi uma experiência mais bem-sucedida. Outros exemplos disso são a Marcha para Cristo, imitando as procissões”, disse.

Para o professor de pós-graduação em ciências da religião no Mackenzie, Rodrigo Franklin, essas obras são sinais da mercantilização da fé.

“Vemos algo bem diferente do antigo cristianismo tradicional, que pregava como prioridade o sacrifício, o amor ao próximo. Hoje, os fiéis buscam autoajuda, quer ser rico agora, então ele não quer mais a pequena comunidade. Se o cara está falando que você vai ficar rico, é incoerente ele ter uma igrejinha. Se o pastor quer mostrar que o poder dele é real, ele vai continuar construindo coisas extravagantes”, afirmou o professor.

Ele diz ainda que construir templos cada vez maiores é uma tendência mundial, e Brasil e os Estados Unidos são os países que se destacam. “Na Antiguidade, grandes templos eram sinal de poder e autoridade. Hoje, é uma competição. No contexto de São Paulo, é uma questão de mercado porque é uma cidade rica e tem de tudo”.

Fontes:
BBC Brasil-Novo megatemplo ilustra disputa de igrejas em SP para 'mostrar poder'

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4 Opiniões

  1. carlos alberto martins disse:

    é o fanatismo demonstrando o poder sobre os tolos.desafio os mesmos a irem a um hospital de crianças com cancer e num passe milagroso todas estariam curadas.e.sadias.pobres coitados que em massa procuram os templos para resolverem seus problemas.os únicos que teem vantagem em tudo isso são aqueles que pregam verdadeiros milagres,os, quais se fossem investigados viriamos que tudo não passa de uma bem montada farsa,com a única pretenção é ficarem cada vez mais ricos e poderosos.tudo o que léva ao fanatismo é desastroso,seja no campo religioso,esportivo ou politico.creio em um deus que não cobra o dízimo de seus fiéis,e,não deu procuração a secretarios para representa-lo,mediante a cobrança de determinado valor.quando quero falar com ELE eu mesmo o faço,não preciso mandar recados por terceiros.

  2. Ludwig Von Drake disse:

    Não gosto de templos católicos porque são sepulturas, a catedral de brasília então é uma catacumba.
    Pensei em Feuerbach para comentar essa matéria, mas optei pelo zen-budismo, que diz que Deus está no nosso interior. Sendo assim, não faz diferença o tamanho do templo.

  3. Beraldo disse:

    Religião, na história da humanidade, sempre deu suporte “espiritual” a um poder de plantão, que retribuiu com apoio institucional, convite velado ao seu enriquecimento. O que é o Pagé, respeitado e poderoso curandeiro indígena, senão o braço espiritual do Cacique? No Brasil, a grosso modo, tudo começou com o catolicismo histórico, passando pelo surgimento e avanço do Espiritismo e do Protestantismo Evangélico, ambos de várias vertentes e chegamos aos dias de hoje: tem “chapeludo” que se auto-intitula Apóstolo, outro bom de retórica que decora textos bíblicos e apronta uma gritaria desgraçada nos cultos, outro que faz o tipo mais ameno de missionário, etc., etc… Em comum? O dízimo, sob diversas formas, para sobrevivência da “ordem”. País constitucionalmente laico.

  4. Orcilene Ferraz Santana disse:

    Para os que pensam assim, é pura inveja da fé alheia… porque que é que não se preocupam em administrar a própria vida e deixem de preocupar com o financeiro alheio.

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