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ESTELIONATO E AGRESSÃO

Membro de equipe de transição de Bolsonaro já foi alvo da Justiça

Apontado por Bolsonaro como 'amigo de primeira hora', Julian Lemos (PSL-PB) já foi condenado por estelionato e alvo da Lei Maria da Penha em três ocasiões

Membro de equipe de transição de Bolsonaro já foi alvo da Justiça
Processo por estelionato prescreveu. Agressões a mulheres ocorreram em 2013 e 2016 (Foto: Divulgação/Facebook)

Escolhido para integrar a equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) – que conta com 27 homens – o deputado federal eleito Julian Lemos (PSL-PB) tem sido alvo de polêmica por conta de seu passado.

Isso porque ele já foi condenado por estelionato, além de ter sido alvo da Lei Maria da Penha três vezes por conta de agressão a mulheres – sendo preso em flagrante em uma das ocasiões.

A condenação por estelionato se deu em primeira instância, em 2011. Segundo informações do Congresso em Foco, Lemos, que é empresário, foi condenado por ter usado, em 2004, uma certidão falsa da GAT Segurança e Vigilância, empresa da qual era sócio, para fechar um contrato de prestação de serviços à Secretaria de Educação e Cultura da Paraíba.

Em 2011, ele foi condenado em primeira instância a um ano de prisão em regime semiaberto. Porém, apesar da condenação, a lentidão no andamento do processo fez com que o crime prescrevesse antes que Lemos fosse julgado em segunda instância. Lemos nega ter cometido crime de estelionato e afirma que, na época, era gerente, e não sócio da GAT Segurança e Vigilância.

Já as três agressões são referentes a episódios ocorridos em 2013 e 2016, envolvendo a ex-esposa de Lemos, Ravena Coura, e a irmã do deputado, Kamila Lemos.

O primeiro caso de agressão ocorreu em 2013, contra Ravena, que prestou queixa à polícia afirmando ter sido agredida por Lemos e ameaçada com uma arma de fogo. Na ocasião, Lemos foi preso em flagrante. Em 2016, Ravena tornou a denunciar Lemos por agressão. Na época, ela disse à polícia que Lemos “é uma pessoa muito violenta” e a ameaçou afirmando: “Vou acabar com você, você não passa de hoje”.

Os dois processos foram arquivados após Kamila afirmar em audiência que havia perdoado o ex-marido. Ela afirmou ao juiz que tudo não passou de uma “desavença banal” e manifestou o desejo de desistir da acusação.

O terceiro caso de agressão ainda corre na Justiça. Ele foi aberto em 2016, pela irmã do deputado eleito, Kamila Lemos. Em depoimento à polícia, ela afirmou ter sido ofendida e agredida fisicamente pelo irmão, ao tentar apaziguar uma briga dele com a ex-esposa. Kamila afirmou ter recebido murros e empurrões do irmão, além de ter sido arrastada pelo pescoço. Na época, uma perícia feita pelo Instituto Médico Legal (IML) cofirmou as marcas da agressão no pescoço, ombro e braços de Kamila.

No ano passado, a defesa do deputado apresentou uma carta de retratação da irmã, afirmando que os dois já tinham se entendido. No entanto, uma audiência presencial foi marcada, mas nenhum dos dois compareceu ao tribunal. Lemos afirma que o caso somente está em aberto porque Kamila mora no exterior e não compareceu à audiência para desistir oficialmente do processo.

Questionado sobre o caso em março deste ano, em uma reportagem do jornal Globo, Lemos acusou a Lei Maria da Penha de ser “um instrumento de vingança”. “A Lei Maria da Penha no Brasil é um instrumento tanto de defesa da mulher quanto de vingança”, disse Lemos.

Ele também foi procurado em dezembro do ano passado, pelo jornal Folha de S. PauloNa ocasião, Lemos também negou as agressões e disse que as denúncias foram frutos da “fragilidade emocional” da irmã e da ex-esposa.

“Ela não vai ser nem a primeira nem a última [a se retratar]. Ou você acha que toda Maria da Penha é aquilo ali que está escrito [na acusação]? […] Nunca agredi, nunca, nunca, nunca”, disse ele na ocasião.

“Caneladas” de Lemos

Apontado por Bolsonaro como “homem forte na Paraíba” e “amigo de primeira hora”, Lemos é presidente do PSL na Paraíba. Ele foi responsável por coordenar a campanha do presidente eleito no Nordeste nas eleições deste ano, nas quais também foi eleito deputado federal pela Paraíba, com 71.899 votos. Ele se filiou ao PSL em março deste ano.

No ato de filiação, Bolsonaro causou polêmica ao fazer menção indireta às acusações de agressão contra Julian. Bolsonaro afirmou na ocasião que vários de seus aliados “deram suas caneladas, como o Julian Lemos aqui, e são pessoas que somam o nosso exército”.

 

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