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Manifestações

Menor mobilização não significa diminuição no descontentamento, dizem analistas

Especialistas dizem que falta de justificativas para impeachment pode explicar menor mobilização nas ruas

Menor mobilização não significa diminuição no descontentamento, dizem analistas
Manifestação na Avenida Paulista (Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo)

Apesar da manifestação do último domingo, 12, ter tido menor adesão do que a última, cientistas políticos ouvidos pelo Globo acham que isso não significa que o descontentamento com o governo de Dilma Rousseff diminuiu.

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Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a falta de motivos legais que justifiquem a abertura de um processo de impeachment contra a presidente pode ajudar a explicar por que menos pessoas foram às ruas do país no domingo.

“A palavra perdeu a força e ficou mais claro para as pessoas que impeachment é uma coisa muito mais complexa”, disse.

O cientista político Carlos Melo, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), lembra que a redução no número de manifestantes não significa que também caiu o número de pessoas insatisfeitas com os rumos do governo. Além disso, ele acredita que as pessoas têm dificuldade para enxergar uma bandeira palpável do movimento.

De acordo com a pesquisa do Datafolha divulgada no sábado, a maior parte dos eleitores não sabe o que acontece após um impeachment. Embora 63% disseram apoiar o impeachment, apenas 37% dos entrevistados sabiam que o vice-presidente assumiria.

“Falta unidade e um objetivo claro para o grupo. Fazem parte da manifestação desde radicais que pedem intervenção militar até pessoas que querem simplesmente se sentir representadas em Brasília. Há liberais que querem menos Estado e gente que só pede mais qualidade nos serviços públicos”, explica Melo.

 

1 Opinião

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    “”Segundo o cientista político Marco Antônio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a falta de motivos legais que justifiquem a abertura de um processo de impeachment contra a presidente pode ajudar a explicar por que menos pessoas foram às ruas do país no domingo””. Esta opinião não condiz com a realidade. Não faltam motivos legais (o crime de responsabilidade). A dificuldade com o impeachment de Dilma diz respeito ao fato de que o PT construiu sua base de apoio no Parlamento com os mesmos motivos que levariam esta base de apoio a se desgarrar dele: os propinodutos do Mensalão e do Petrolão. Julgando apenas pelo lado da lealdade, a maioria dos parlamentares não votaria contra Dilma porque é cúmplice dos delitos. Mas julgando pelo lado político, as coisas vão além disso e podem até obrigar os parlamentares a se livrar do PT sob a hipótese de dar um basta na expansão das investigações que parece ter se deslocado para artérias cada vez maiores do mundo empresarial e político do país. Neste caso, o BASTA seria uma atitude de autodefesa em consonância com as forças políticas que querem o Brasil passado a limpo. Em 1992 a lei do impeachment era a mesma, e a denúncia de Pedro Collor, irmão do ex-presidente, era apenas acusação, e o impeachment foi aceito como um ato político e não um fato jurídico. Quem quer criar dificuldades para o impeachment hoje, com todos os dados contra Dilma, não faz outra coisa do que tentar jogar poeira sobre a claridade dos fatos.

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