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EDUCAÇÃO

Menos de 5% dos estudantes brasileiros querem ser professores

No Dia dos Professores, celebrado nesta segunda-feira, 15, um estudo aponta uma triste perspectiva para o futuro da profissão

Menos de 5% dos estudantes brasileiros querem ser professores
Os números tiveram como base os resultados do Pisa 2015 (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Apenas 3,3% dos estudantes brasileiros de 15 anos de idade desejam ser professores. O dado é um resultado alarmante para este Dia dos Professores, celebrado nesta segunda-feira, 15. Os números foram revelados em um estudo do portal Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede).

Os números tiveram como base estudantes do primeiro ano do ensino médio, que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015. Já de acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o percentual é ainda menor entre estudantes da educação básica: apenas 2,4% querem ser professor.

Ao todo, 23.141 alunos participaram do Pisa 2015. Destes, apenas 755 estudantes, sendo 24 da rede privada e o restante do ensino público, expressaram o desejo de se tornarem professores.

Segundo os números analisados pelo Iede, a média nacional dos alunos que querem ser professores é ainda mais baixa do que a média nacional geral (confira a tabela abaixo) – que foi baixa, visto que o Brasil ocupou a 55ª posição, entre 70 países participantes.

Foto: Opinião e Notícia

Se comparado aos países que tiveram notas mais altas no Pisa 2015, o dado chama ainda mais atenção. Isso porque em nações como Japão, Estônia e Taiwan – que figuraram em algumas das posições mais altas do ranking -, por exemplo, a média dos alunos que desejam ser professores é mais alta do que a média geral.

Para a pedagoga Andreza Barbosa, doutora em Educação, que estuda o trabalho docente e a formação de professores, os baixos salários, a falta de prestígio da profissão e as condições precárias de trabalho prejudicam o futuro dos docentes.

“A questão salarial é muito importante. Isso afasta quem tem expectativa de ganho maior e acaba atraindo pessoas que já vêm de estratos econômicos menos favorecidos. Para alguns grupos específicos, ser professor é a possibilidade de ascensão social”, explicou Barbosa, no estudo da Iede.

O educador Máximo Ribeiro, formado em pedagogia e matemática, compartilha da mesma opinião de Andreza Barbosa. Ademais, Ribeiro revelou ainda que optou pelo Magistério, em um primeiro momento, devido à maior proximidade com uma instituição de ensino, mostrando que esse pode ser outro fator que pesa na escolha dos alunos.

“Dentro da escola, a gente observa isso, alguns alunos com dificuldade de aprendizagem pensam: ‘não vou conseguir fazer medicina, engenharia, vou fazer pedagogia’. Eu mesmo assumo que queria fazer Direito, mas, na época, não tinha essa opção aqui perto, só tinha Magistério. Então, fiz, e depois tomei gosto pela profissão”, destacou Ribeiro no estudo.

O professor João Paulo de Araújo, um dos dez vencedores do prêmio Educador Nota 10, de 2013, também conta uma história parecida. Formado em História e Engenharia, Araújo revelou que, inicialmente, queria ser engenheiro, mas, como não passou no vestibular, optou por História.

“Fui fazer História porque não tinha sido aprovado em Engenharia. Depois, quando fui aceito em Engenharia, já estava muito envolvido com educação e continuei. Adoro dar aulas. Mas aos 16 anos não sonhava em ser professor e muito em razão da imagem que a profissão tem”, explicou Araújo.

O estudante Lucas dos Anjos Castro, de 16 anos, entrevistado pela Agência Brasil, apontou ainda outro motivo que desestimula o desejo de ser professor: a falta de apoio familiar. O aluno revelou que, quando contou para a sua mãe, ela expressou preocupação com o futuro do jovem, que “pode ganhar mal”, segundo ela. No entanto, ele mostrou perseverança: “Eu falei que queria [ser professor] e que se eu não trabalhar no que quero, não vou ser feliz”.

Perspectiva melhor

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), professores de escolas públicas ganham, em média, 25% a menos do que profissionais assalariados de outras áreas. Por lei, tendo como base o Plano Nacional de Educação, o salário do docente deve ser equivalente ao de profissionais de formação semelhantes até 2020.

Para o diretor do Iede, Ernesto Martins Faria, o fato de muitos professores brasileiros estarem ligados a municípios e estados, que, por vezes, têm orçamento restritos em relação à área, dificulta que planos de carreira atrativos sejam criados.

Perfil do professor brasileiro

De acordo com números de censos do Inep, reunidos pela Agência Brasil, existem 2,5 milhões de professores no Brasil. Estima-se que 4,3 mil têm diploma de ensino superior, 65,4 mil de especialização, 128,4 mil de mestrado e 143,4 mil de doutorado. A maioria dos docentes são mulheres, representando quase 70% dos números. Já a principal faixa etária é de 30 a 39 anos.

 

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