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Corrupção

Mensalão do Xingu: cidade-sede de Belo Monte vive série de denúncias

Cidade que abriga obras de Belo Monte sofre com inúmeros escândalos políticos

Mensalão do Xingu: cidade-sede de Belo Monte vive série de denúncias
Cidadãos protestam contra corrupção na cidade de Vitória de Xingu (Reprodução/Internet)

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A usina de Belo Monte foi um pote de ouro para a pequena cidade de Vitória do Xingu, sede da nova hidrelétrica. Em apenas um ano, a cidade-sede da obra aumentou sua receita própria em pelo menos cem vezes. Vitória de Xingu será a destinatária de 92% de todo o Imposto sobre Serviços (ISS) que será arrecadado com a construção da terceira maior hidrelétrica do mundo. O valor estimado é de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões por mês, dependendo do ritmo da obra. De acordo com dados do Tesouro Nacional, em 2010, a receita anual da cidade era de R$ 16,6 milhões, sendo que R$ 15,9 milhões eram obtidos do governo federal e R$ 600 mil de arrecadação própria.

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A movimentação econômica deveria ser comemorada pelas autoridades e pelos pouco mais de 13 mil habitantes, dos quais 53% vivem em zona rural, 40% não têm abastecimento de água, 30% não têm energia elétrica e 25% são analfabetos. No entanto, a história tem sido diferente. Lembrando os escândalos de Brasília, os políticos locais protagonizam uma série de denúncias de irregularidades reveladas em uma extensa reportagem do Valor Econômico.

No enredo há vídeos gravados em que integrantes do Legislativo aparecem recebendo propina, há suspeita de desvios de recursos federais e até um esquema que se assemelha ao escândalo do mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Segundo a delatora do esquema, a vereadora do PSDB, Elsa Dallacqua, assim que o prefeito da cidade, Liberalino Neto, assumiu a prefeitura em 2009, ele ofereceu R$ 1 mil para cada vereador em troca de apoio político: “Fui a única que não aceitou e por isso se iniciou uma perseguição contra mim”, disse. De acordo com Elsa, desde então ela passou a reunir provas, com filmagens e fotografias, para tentar provar o esquema e os desvios de recursos públicos na gestão municipal.

A vereadora conseguiu provas sobre a existência de fraudes em licitações, empresas fantasmas em nomes de “laranjas”, superfaturamento e pagamentos de serviços não executados. No total, o desvio de dinheiro público chegou a R$ 5, 5 milhões. Com isso, em agosto de 2011, o prefeito, os secretários municipais de Saúde, de Obras e Finanças foram presos.

Mas esse não foi o fim da improbidade administrativa de Vitória do Xingu. De acordo com Elsa, a substituição do prefeito pelo vice em nada mudou o esquema articulado: “Estão ocorrendo os mesmos esquemas. Só mudaram os nomes”, disse.  O prefeito em exercício da cidade, Erivando Oliveira, negou as acusações e afirmou que elas acontecem pelo seu favoritismo nas eleições municipais de outubro: “Sou atacado por todos os lados”, disse.

Fontes:
Valor - Cidade-sede de Belo Monte vive sucessão de denúncias

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