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Mercedes-Benz vive sua pior crise no Brasil em 20 anos

Cenário é explicado pela queda de mais de 40% na venda de caminhões e pelo fim dos subsídios do governo para o setor

Mercedes-Benz vive sua pior crise no Brasil em 20 anos
O executivo admite que a Mercedes-Benz atualmente vê o Brasil com mais 'desconfiança' (Foto: Pixabay)

Que o setor automotivo brasileiro atravessa um de seus piores momentos em mais de uma década já não é uma novidade. Só em maio houve uma queda de 24,15% nas vendas de carros no país. Pressionadas a reduzir estoques excedentes, as montadoras pisaram no freio e diminuíram a produção em 25,3% só no último mês. O presidente da Mercedes-Benz no Brasil, o alemão Phillipp Schiemer, falou sobre sua desilusão com o país e com o governo Dilma em recente entrevista à Folha.

“O país perdeu a previsibilidade com as mudanças nas premissas da política econômica”, disse. “O Brasil voltou uns 20 anos no tempo”.

Em sua terceira temporada no Brasil, o pessimismo do executivo é explicado pela queda de mais de 40% na venda de caminhões e pelo fim dos subsídios do governo para o setor automotivo. Schiemer demitiu 500 funcionários no mês passado e tem mais 2 mil parados na fábrica. “Com a queda no volume de produção, não tem trabalho para essas pessoas”, lamenta.

Questionado sobre uma declaração que deu a funcionários em um recente evento da empresa, quando disse que a montadora vive sua pior crise no Brasil, o executivo foi enfático: “Sem dúvida, estamos na pior crise dos últimos 20 anos. Temos vários problemas. O primeiro é a queda de mercado. De janeiro a maio, as vendas de caminhões caíram 44%, enquanto as de ônibus cederam 27%. É uma queda no mesmo patamar do mercado, mas muito expressiva”, disse.

Schiemer admite que a Mercedes-Benz atualmente vê o Brasil com mais “desconfiança” .  “O mercado está muito alinhado com o ritmo da economia porque o transporte de bens no Brasil é feito por caminhão. Mas, se a economia não cresce e existe um clima de desconfiança, os empresários param de investir. E a primeira coisa que cortam é o caminhão novo. Além disso, o governo cortou os subsídios que mantinham os juros baixos e a maior parte dos caminhões é adquirida com financiamento. A redução dos subsídios para a indústria faz parte do ajuste fiscal, mas tem um efeito no mercado.”

O executivo também fez uma crítica ao governo Dilma. “Aqui sempre ouço que existe uma crise mundial. Não sei onde enxergam essa crise, porque China, Estados Unidos e Alemanha não estão em crise. O que temos no Brasil é um problema caseiro. Reconhecer os próprios erros é o primeiro passo para encontrar uma saída.”

As previsões para 2016 são pessimistas também. O setor automotivo, um dos mais afetados pela crise interna, representa 25% da produção industrial do país.

 

Fontes:
Folha de S. Paulo-'Quem vai arriscar investir no Brasil?', diz presidente da Mercedes no país

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