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SAÍDA DA BASE ALIADA

Ministro das Cidades pede demissão e inicia desembarque do PSDB

Bruno Araújo é o primeiro ministro tucano a deixar o governo de Temer. Saída antecipa os planos de reforma ministerial do governo

Ministro das Cidades pede demissão e inicia desembarque do PSDB
Bruno Araújo disse que falta de apoio dentro do partido pesou na decisão (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), pediu demissão na última segunda-feira, 13, pouco antes de uma cerimônia no Palácio do Planalto. Ele foi o primeiro ministro tucano a deixar o governo do presidente Michel Temer, dando início ao movimento de saída do partido da base aliada e antecipando os planos do governo federal de promover uma reforma ministerial.

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Araújo enviou sua carta de exoneração ao presidente Michel Temer antes da cerimônia. Nela, agradeceu ao presidente pela confiança durante o período em que esteve no comando da pasta e também explicou que a falta de apoio dentro do partido pesou na decisão. “Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir essa tarefa”, disse Araújo.

Na carta, o tucano ainda aproveitou para elogiar o governo de Temer. “Tenho a convicção, presidente, que a serenidade da história vai reconhecer no seu governo resultados profundamente positivos para a sociedade brasileira. Receba minha exoneração e meus agradecimentos”, escreveu Araújo.

Mesmo demissionário, Araújo acompanhou Temer na entrega do Cartão Reforma. Em discurso, chegou a dar indicações de que não permaneceria no cargo, usando verbos no passado sobre o período em que comandou a pasta das Cidades.

Araújo foi nomeado para a pasta em maio de 2016 e participou da criação de programas como o Avançar e o Cartão Reforma. Com a saída, reassumirá seu mandato como deputado federal por Pernambuco.

Reforma ministerial e desembarque do PSDB                                                                  

Quatro horas depois de Bruno Araújo abandonar a pasta das Cidades, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência divulgou nota confirmando que “o presidente dará início agora a uma reforma ministerial que estará concluída até meados de dezembro”.

O movimento reforça a possibilidade de rompimento entre o PSDB e o governo Temer. O presidente tenta fortalecer a base aliada após se livrar de duas denúncias contra ele. Partidos do chamado “centrão” (como o PP, PR, PSD e PTB) cobram cargos ocupados por ministros tucanos após ajudarem Temer nas denúncias.

Atualmente, o PSDB ainda ocupa outros três ministérios: Relações Exteriores (Aloysio Nunes), Secretaria de Governo (Antônio Imbassahy) e Secretaria de Direitos Humanos (Luislinda Valois).

Desde a metade do ano, o PSDB segue ameaçando romper com a base aliada de Temer. Inicialmente, os tucanos cobravam uma postura mais clara em relação ao ajuste fiscal. Mas o temor de Temer acabar saído do cargo e o presidente da Câmara Rodrigo Maia o substituir afastaram temporariamente a hipótese.

Entretanto, a relação da legenda com o governo ficou abalada após a divulgação do escândalo da JBS, em que envolvia o presidente, e as denúncias contra ele criaram duas alas no partido: uma defendendo a permanência e outra apoiando o desembarque.

Fontes:
DW-Ministro das Cidades pede demissão
Folha de S. Paulo-Ministro das Cidades pede demissão e é primeiro tucano a deixar o governo
Estado de S. Paulo-PSDB inicia desembarque e acelera reforma ministerial

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