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OPERAÇÃO CARNE FRACA

Ministro e especialistas acusam PF de sensacionalismo

Para o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e especialistas em alimentos há sensacionalismo e falta de conhecimento nas informações divulgadas pela Polícia Federal

Ministro e especialistas acusam PF de sensacionalismo
Segundo Maggi, a PF demonstrou falta de conhecimento sobre as regras que regem o setor (Foto: Agência Senado)

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, teceu duras críticas à forma como a Polícia Federal (PF) divulgou as informações da Operação Carne Fraca. Considerada a maior da história da corporação, a operação investiga um esquema montado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio para liberar a venda de carnes impróprias para o consumo.

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Em entrevista coletiva dada no último domingo, 19, Maggi disse que a narrativa da PF está permeada de “fantasias” e “idiotices”. Segundo o ministro, a PF demonstrou falta de conhecimento sobre as regras que regem o setor ao condenar, por exemplo, o uso de ácido ascórbico no processamento dos alimentos, a mistura de cabeça de porco em embutidos e ao dizer que há papelão misturado em lotes de frango.

“Em função da narrativa é que se criou grande parte dos problemas que temos hoje. […] Essa questão do papelão, está claro no áudio que estão falando de embalagens e não falando de misturar papelão na carne. Senão é uma idiotice, uma insanidade, para dizer a verdade. As empresas brasileiras investiram alguns milhões, milhões e milhões de dólares dos seus mercados, há mais de dez anos, para consolidar mercado, e aí você pega uma empresa que é exportadora e vai dizer que misturou papelão na carne? Pelo amor de Deus. Não dá para aceitar esse tipo de situação”.

O ministro afirmou que, diferentemente do que disse a PF, as normas do setor permitem que cabeça de porco seja misturada a embutidos e explicou que o ácido ascórbico, divulgado pela operação como cancerígeno “é vitamina C e pode ser utilizado em processos”.

“A narrativa nos leva até a criar fantasias. Não estou dizendo que não tenha sentido a investigação. Com toda certeza tem. Quando estamos falando ‘fiquem tranquilos’ é porque a gente conhece a maior parte do nosso sistema, 99% dos produtores de alimentos fazem as coisas transparentes, fazem as coisas certas”, disse Maggi.

A opinião de Maggi é corroborada por especialistas em alimentos ouvidos pela BBC. Segundo eles, a forma como a operação foi divulgada gerou uma desconfiança exagerada sobre a carne brasileira.

Para a engenheira de alimentos Carmen Castillo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, é preciso tomar cuidado para não demonizar alguns ingredientes, como o ácido ascórbico, que, de fato, é vitamina C. “Não é problema usar esses ingredientes (em alimentos processados e embutidos), o problema é não respeitar os níveis permitidos na lei”, disse Castillo.

Pedro Felício, médico veterinário e especialista em carnes da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, ressaltou a importância da operação e disse que ela revela a necessidade “de uma renovação no sistema de fiscalização”. Porém, ele diz que é preciso esclarecer as informações divulgadas sobre os ingredientes, como o próprio ácido ascórbico, “que é utilizado no mundo todo”. “A polícia agiu mal com a maneira como divulgou tudo. Acho que houve um certo exagero, para precipitar a loucura que foi na imprensa ontem”, disse ele.

Felício disse ainda achar improvável o uso de papelão no processamento de carne de frango. “Acho muito difícil isso ter acontecido. O que acontece é que tem áreas dentro das indústrias que são chamadas de áreas limpas, onde não podem entrar embalagens secundárias, como caixas de papelão. Na gravação que ouvi, duas pessoas falavam em entrar com uma embalagem de papelão na área limpa. Evitar papelão nessas áreas faz parte das boas práticas de manufatura, mas não fazer isso não é o mesmo que usar papelão dentro da salsicha”.

Contraponto

Apontar exageros na divulgação da operação para minimizar seu impacto é uma estratégia equivocada do governo. Em seu blog, a economista Miriam Leitão destaca pontos pertinentes: a operação foi feita por dois anos, produziu um relatório de 400 páginas, e a Receita Federal comprovou as irregularidades tributárias encontradas. Isso não é um exagero. A relação promíscua entre frigoríficos e fiscais envolvendo repasse de dinheiro foi constatada em empresas que são líderes do mercado. O grande prejudicado pelas falcatruas é a sociedade brasileira, que consome a maior parte da carne produzida aqui. A saída não é minimizar o problema, é aumentar a fiscalização.

 

Fontes:
Congresso em Foco-Ministro da Agricultura vê “fantasias” e “idiotices” da PF em conclusões da Carne Fraca
BBC-Papelão e substância cancerígena ou exagero? O que se sabe - e o que é dúvida - na Operação Carne Fraca

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9 Opiniões

  1. CR7 disse:

    Até concordo com a fiscalização, porém não se pode dar muita asa para polícia, a próxima vitima pode ser você! Esse povo curte demais os holofotes.

  2. Raimundo Soares disse:

    Estamos vivenciando a verdadeira face dos nossos governantes.
    Todos envolvidos em fraudes que lesam a população e o PAÍS.
    Estamos desguarnecidos de de representação dos nossos Deputados Senadores e ministros pois todos estão enlameados de podridão.
    Nosso único caminho para mudar o rumo desta triste situação é sem forma de dúvida uma revolução, pois o caminho do voto se mostra inoperante ante tamanha corrupção do nosso grupo de governantes.
    Uma revolução que termine de vez com esta festa de tantos partidos que apenas se prestam a denegrir o País, ao invés de ir de encontro a necessidade do povo.

  3. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Não querem a cara aparecendo, parem de roubar parem de fazer dos ministérios a casa de voce, parem de dar a funcionários públicos vantagens demais eles se acham acima das leis, não fiscalizam nada e recebem do governo e dos empresários canalhas, o pior de tudo é que nos pagamos esses criminosos, fico indignado com toda essa porcalhada.

  4. Natanael Ferraz disse:

    No Brasil é assim, os meliantes sempre acusam a polícia de ter cometido excesso ao prendê-los.
    O ministro chamou a melhor polícia do Brasil de fantasista e idiota, se a PF tem certeza do resultado das investigações é o caso de abrir um processo contra o ministro, mas creio que resolverão isso nos gabinetes de Brasília.

  5. EDSON SAMPAIO disse:

    Esse tal ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Maggi e os tais “especialistas” comem carnes especiais, vindas da Argentina, do Uruguai -e do Exterior como um todo-, ou seja, comem carnes de primeiríssima qualidade e nós (eu por exemplo), vou ao supermercado e compro carnes que na sua maioria são da friboi e ainda da sadia e da perdigão. Eu nunca compro carne de primeiríssima qualidade porque não vendem em supermercados das pessoas das classes a partir de “b”, por isso mesmo, quando compro, inocente e covardemente compro carnes com cabeça de porco misturada a embutidos e na sua maioria com excesso de ácido ascórbico (a tal vitamina “C”).
    É louvável e creditável a opinião da competente jornalista Miriam Leitão que destaca pontos pertinentes ao comentar: “Apontar exageros na divulgação da operação para minimizar seu impacto é uma estratégia equivocada do governo. A operação foi feita por dois anos, produziu um relatório de 400 páginas e a Receita Federal comprovou as irregularidades tributárias encontradas. Isso não é um exagero. A relação promíscua entre frigoríficos e fiscais envolvendo repasse de dinheiro foi constatada em empresas que são líderes do mercado. O grande prejudicado pelas falcatruas é a sociedade brasileira, que consome a maior parte da carne produzida aqui. A saída não é minimizar o problema, é aumentar a fiscalização.
    É vergonhoso para o ministro, os parlamentares, o presidente e os “especialistas” atacarem a Polícia Federal (altamente competente) pela excelente articulação dessa vergonhosa ação dos principais frigoríficos brasileiros, dos seus dirigentes e dos fiscais do ministério da agricultura que deveriam zelar pela população, protegendo a todos desse ganho fraudulento que as autoridades brasileiras querem agora proteger.

  6. Áureo Ramos de Souza disse:

    AREDITO QUE PARA EXPORTAÇÃO ENVIAM CARNE DE BOA QUALIDADE E AS QUE NÃO PRESTAVAM DEIXAVAM PARA NÓS POBRES BRASILEIROS. MAIS NA ENTREVISTA POR TELEFONE O CIDADÃO FOI BEM CLARO EM DIZER QUE TINHA QUE MISTURAR PAPELÃO E NÃO CAIXAS DE PAPELÃO. O QUE NÃO PRESTA FICA PAR NÓS E AS BOAS EXPORTAM. E VEJMA QUE TEMER NO ALMOÇO ONTEM COMEU CARNE DA ARGENTINA E DE OUTROS PAÍSE E PORQUE NÃO COMEU DE NOSSA CARNE?

  7. Carlos disse:

    Esse ministro estará também envolvido? Ou a ação da PF pode ser tratada como idiotice, uma insanidade, para dizer a verdade?
    Insano e idiota é esse político, ou não fosse ministro.

  8. Ligia H. Leme disse:

    Fica clara a visão de “Estadista” do cavalheiro. E o Brasil, e os poucos que trabalham de verdade, nas mãos destes bandidos.

  9. Irlete Gomes disse:

    O ministro do esqueceu de falar sobre a reembalagem de carnes vencidas e as carnes podres???? Tudo bem que o “papelão” foi exagero e que o ácido ascórbico é vitamina C…. etc. Mas e as carnes podres? Carne vencida reembalada? ?? Maqueiam a carne podre e os podres da carne também! Afff

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