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GUEDES E MORO

Ministros sob pressão

Guedes terá de esclarecer ao TCU se Coaf investiga Glenn Greenwald. Moro é criticado por repassar dados sigilosos a Bolsonaro sobre investigação de candidaturas de fachada

Ministros sob pressão
Para subprocurador, investigação do TCU visa intimidar o jornalista (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O Tribunal de Contas da União (TCU) deu um prazo de 24 horas, a ser contado a partir da próxima segunda-feira, 8, para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, esclareça se o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – órgão vinculado à Pasta – está investigando as movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald, do site “The Intercept”.

Segundo informações da Agência Brasil, o despacho foi assinado na última sexta-feira, 5, pelo ministro Bruno Dantas, do TCU, com base na representação do subprocurador-geral, Lucas Rocha Furtado – representante do MP junto ao TCU -, que aponta que “a motivação dessa investigação teria sido, mediante perseguição e abuso de poder, intimidar o jornalista”.

Além do ministro Paulo Guedes, o despacho também deu prazo de 24 horas para manifestação do presidente do Coaf, Roberto Leonel de Oliveira Lima.

O site “Intercept” vem divulgando uma série de reportagens sobre o escândalo conhecido como Vaza Jato, que apontam irregularidades na atuação de Sérgio Moro como juiz responsável pelos julgamentos dos processos da Operação Lava Jato. Com base em diálogos obtidos por uma fonte, as reportagens apontam que Moro orientou procuradores da força tarefa da operação, extrapolando a legislação que determina que o juiz deve manter a equidistância entre as partes em um processo.

Dentre outras coisas, os diálogos apontam que Moro sugeriu a troca de ordem de fases da Lava Jato, propôs aos procuradores uma ação contra a defesa de Lula, orientou sobre o desempenho de uma procuradora em interrogatórios, se posicionou contra investigações sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e contra o fechamento de delação premiada do deputado cassado Eduardo Cunha.

Na representação apresentada ao TCU, o subprocurador-geral argumenta que uma eventual investigação do Coaf sobre as movimentações financeiras representaria “a utilização de recursos humanos e materiais com grave desvio de finalidade e abuso de poder para a realização de atividades ilegítimas voltadas a tolher a liberdade de imprensa, garantida constitucionalmente em nosso país”.

A argumentação foi acatada pelo ministro Bruno Dantas que respaldou que, se confirmada, a investigação do Coaf representaria desvio de finalidade e dispência de recursos públicos. “Por óbvio, isso nada tem a ver com a prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo”, argumentou Dantas.

O argumento tem como base o fato de Glenn Greenwald não ter o nome envolvido em casos investigados pela Polícia Federal. Logo, a determinação para a uma investigação em suas movimentações financeiras estaria unicamente ligada ao desempenho da profissão do jornalista. Como já apontado em artigo do Opinião e Notícia, a notícia da possível investigação foi recebida no meio jornalístico como uma forma de punição e intimidação ao jornalismo investigativo, por conta de reportagens que desagradaram o governo.

Repasse de informações privilegiadas

Além do caso envolvendo o escândalo da Vaza Jato, o ministro Sérgio Moro enfrenta outra controvérsia – esta envolvendo as investigações da Polícia Federal em relação ao esquema de candidaturas de fachada do PSL de Minas Gerais.

Em entrevista coletiva em 28 de junho, em Osaka, no Japão, o presidente Jair Bolsonaro disse ter recebido de Moro uma “cópia do que foi investigado pela Polícia Federal” sobre o esquema. No entanto, o acesso às informações privilegiadas por Moro e o repasse ao presidente é considerado grave, uma vez que as investigações correm em segredo de Justiça. O caso foi noticiado em uma reportagem da Folha de S.Paulo (confira aqui a reportagem na íntegra).  

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5 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    E se a movimentação do Verdevaldo estiver sendo investigada, o que acontece???

  2. carlos alberto martins disse:

    todos os canalhas do Brasil estão se unindo para acabar com a lava jato.povo nas ruas apoiando MORO.está na hora de 142,e,pensar em uma nova constituição que proteja a nação desses crápulas,muito bem protegidos por leis estratégicamente elaboradas por eles na atual.vamos mandar éssas ratazanas para o lugar que merecem,isto é,o esgoto de nossas penitenciárias.

  3. Henrique O Motta disse:

    Movimentações financeiras sem origem lícita constituem crime financeiro ou pior. O fato de ser jornalista não exime o Sr. Greenwald de ser punido caso se verifique A prática de sonegação ou de uma “prática investigativa” paga por terceiros interessados em prejudicar a quem quer que seja. O referido jornalista tem interesses pessoais em prejudicar o atual governo e não faz um trabalho isento e honesto. Deve sim ser investigado e se praticou um ilícito deve ser punido como qualquer cidadão. Jornalismo “marrom” não é jornalismo.

  4. Rogerio de Oliveira Faria disse:

    Por que não usa a PF para investigar o Queiroz e a D. Micheque???

  5. Carlos Costa disse:

    Os aqui fanáticos de Batman e Robin, não enxergam o mal que os falso paladinos da justiça fazem ao a credibilidade e insegurança jurídica provocada no país. O que se discute aqui não tem nada a ver com lavajato. A pergunta que ainda não foi respondida é, se o comportamento de Batman e Robin tem respaldo na ética do judiciário?

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