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Rio de Janeiro

Mofo e ratos destroem obras raras da Biblioteca Nacional

Doada há mais de cem anos, a coleção M-18, com 4 mil livros do século XVIII ainda não foi catalogada

Mofo e ratos destroem obras raras da Biblioteca Nacional
Edifício anexo da Biblioteca Nacional na Zona Portuária vem sendo utilizado como depósito de obras e materiais há mais de dez anos (Reprodução/Pedro Kirilos/Agência O Globo)

Documentos e livros raros sofrem a ação de traças, mofo e até ratos em um prédio da zona portuária do Rio de Janeiro usado para guardar o acervo da Fundação Biblioteca Nacional guarda parte de seu acervo.

O caso da coleção M-18 é um dos mais críticos. Doada à biblioteca em 1910, ainda não foi sequer catalogada. O material reúne quatro mil livros do século XVIII. As obras estão armazenadas em estantes, num dos depósitos de periódicos, no terceiro andar, por falta de espaço no Departamento de Obras Raras.

Alguns livros contêm mofo e traças, que já danificaram várias páginas. Em outras publicações, não é mais possível ler o texto, devido à presença de manchas amareladas nas folhas, por má conservação.

Coleção M-18 (Reprodução/Alessandro Lo-Bianco/O Globo)

A Biblioteca Nacional informou que aguarda a contratação de 40 concursados para acelerar o processo de tratamento das obras e disponibilizá-las ao público.

Segundo a diretoria da Associação de Servidores da Biblioteca Nacional (ASBN), apesar de o local ser inadequado para o armazenamento, o edifício vem sendo utilizado como depósito de obras e materiais há mais de dez anos, procedimento que acarreta danos irreversíveis ao acervo.

“As condições do anexo são as piores entre os locais de armazenamento de acervo da Biblioteca Nacional”, afirmou a entidade, por meio de nota.

No documento, a ASBN também revelou que, na sede da Avenida Rio Branco, as obras são acondicionadas de forma inadequada, uma vez que o sistema de ar-condicionado do recinto funciona de forma precária.

Para o arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti, a situação dos acervos da Biblioteca Nacional é vergonhosa. “O que acontece nos depósitos da biblioteca é um escárnio com a cultura. É uma vergonha. Esses arquivos estão sobrevivendo hoje do carinho de funcionários que estão para se aposentar. Quando eles saírem, vai virar uma bagunça ainda maior. Isso representa o descaso de um país que vê o investimento cultural como algo supérfluo a serviço de uma elite”, afirmou.

Mofo e páginas em mau estado atestam a degradação dos acervos (Reprodução/Alessandro Lo-Bianco/O Globo)

Em nota, a instituição informou ser impossível, diante do quadro insuficiente de funcionários, processar todo o acervo. “Atualmente a biblioteca está com 16 técnicos em restauração para atender à demanda de um acervo estimado em dez milhões de peças”.

O Ministério da Cultura informou que os investimentos nas áreas de preservação e acervo da Biblioteca Nacional somaram R$ 2,6 milhões em 2012 e R$ 2,5 milhões em 2013. Já em 2014, devido aos cortes no orçamento federal, a verba liberada foi de R$ 1,3 milhão. Segundo a pasta, o repasse total de recursos para a biblioteca entre 2012 e 2014 foi de R$ 35 milhões.

A Fundação Biblioteca Nacional é considerada, pela Unesco, a sétima maior do mundo e a maior da América Latina. Todos os meses, recebe cerca de 25 mil obras, e seu acervo atual totaliza cerca de dez milhões de peças. Foi criada a partir da Real Biblioteca de Portugal, trazida pela família real ao Brasil em 1808.

 

Fontes:
O Globo-Obras raras da Biblioteca Nacional na Zona Portuária são destruídas por mofo e até ratos

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