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EM ENTREVISTA

Moro defende federalização do caso Marielle

Ministro diz que envolver o nome de Bolsonaro nas investigações é ‘um total disparate’ e diz que federalização impediria a politização do caso

Moro defende federalização do caso Marielle
Declaração foi dada em entrevista à rádio CBN (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, defendeu a federalização da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.

Em entrevista dada à rádio CBN na última quinta-feira, 21, o ministro justificou a medida afirmando que ela impediria a “politização” da investigação. Segundo Moro, envolver o nome do presidente Jair Bolsonaro nas investigações é um “total disparate”.

“Esse é um caso que tem que ser investigado com neutralidade, dedicação e sem politização. Essa questão do envolvimento do nome do presidente nisso aí, para mim, é um total disparate. Uma coisa que não faz o menor sentido. O que se constatou foi um possível envolvimento fraudulento do nome do presidente. […] Vendo esse novo episódio, em que se busca politizar a investigação indevidamente, a minha avaliação é que o melhor caminho para que possamos ter uma investigação exitosa é a federalização”, disse o ministro.

A federalização da investigação passaria o caso para a Polícia Federal – hoje subordinada a Moro -, retirando das mãos da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Rio (MPRJ).

A citação do nome do presidente nas investigações veio a público primeiro em uma reportagem do Jornal Nacional. A reportagem citava um depoimento dado por um dos porteiros do condomínio Vivendas da Barra – onde mora Bolsonaro e também Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos contra a vereadora.

Em dois depoimentos prestados em outubro, o porteiro disse que, em 14 de marco de 2018, data do assassinato, outro acusado de envolvimento no crime, Élcio Queiroz, foi ao condomínio e disse que ia à casa número 58, de propriedade de Bolsonaro. O porteiro afirmou que a entrada foi autorizada no interfone “pelo seu Jair”, mas que o carro de Élcio se dirigiu para a casa de Lessa.

No entanto, no dia, Bolsonaro, na época deputado, estava em Brasília e participou de duas sessões da Câmara.

Dias depois de o depoimento vir a público, Bolsonaro informou que pegou as gravações das ligações da portaria do condomínio “para que não fossem adulteradas”. “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha”, disse o presidente. O conteúdo também foi acessado pelo filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, que também mora no condomínio.

Parlamentares de oposição foram ao Ministério Público do Rio de Janeiro, ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República contestar o fato de Bolsonaro e seu filho terem acessado as gravações. Segundo eles, as gravações poderiam ser usadas como provas na investigação e o acesso ao conteúdo configurou interferência.

Uma perícia feita por três promotoras nas gravações constatou que não houve adulteração no conteúdo. Contudo, houve críticas de que a perícia foi feitam em pouco mais de duas horas, tempo considerado extremamente curto para uma análise. Além disso, uma das três promotoras que participou da perícia foi Carmen Eliza Bastos de Carvalho, que recentemente pediu afastamento do caso Marielle por ter a imparcialidade questionada após virem à tona fotos em que ela aparece fazendo campanha para Bolsonaro.

No dia 30 de outubro, a pedido de Moro, o procurador-geral da República, Augusto Aras, encaminhou um ofício à Procuradoria da República no Rio de Janeiro para investigar o porteiro. No ofício, assinado por Moro, Aras menciona o possível enquadramento do funcionário nos crimes de denunciação caluniosa, obstrução de Justiça e falso testemunho, previstos na Lei nº 7.170, promulgada na ditadura, em dezembro de 1983, no governo de João Figueiredo. Tal lei define os crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social.

Nesta semana, em um novo depoimento, o porteiro mudou sua versão, e disse ter lançado errado o registro da casa 58 na planilha de controle do condomínio.

Também nesta semana, veio à tona a informação de que uma das linhas de investigação do caso trabalha com a hipótese de envolvimento de Carlos Bolsonaro, por conta de sua relação próxima com Ronnie Lessa e do clima de hostilidade que tinha com a vereadora – há relatos de que Carlos Bolsonaro e Marielle Franco tiveram uma forte discussão na Câmara Municipal do Rio e que o vereador se recusava a usar o mesmo elevador que ela.

Carlos deu depoimento sobre a discussão à Polícia Civil em 26 de abril de 2018, quando afirmou que mantinha um relacionamento “respeitoso e cordial” com Marielle, apesar das divergências políticas. Na ocasião, ele disse que ficou sabendo do assassinato pela imprensa.

Familiares de Marielle rejeitam federalização da investigação

Monica Benicio e Anielle Franco, respectivamente viúva e irmã de Marielle, rejeitaram a federalização da investigação proposta por Moro.

“Sou contra a federalização porque uma das linhas de investigação envolve um filho de @jairbolsonaro, o que evidentemente deixaria a PF sob suspeição. Como aliás está o ministro por ter julgado um candidato e logo em seguida aceitar cargo no governo de seu concorrente”, escreveu Monica Benicio, em sua conta no Twitter.

Já Anielle Franco destacou que o ministro não havia se interessado pelo caso antes. “Sérgio Moro nunca se interessou pelo caso da minha irmã. Mas agora, milagrosamente, fortemente, fielmente, ele apoia a federalização! Eu conto ou vocês contam que não somos bobos e não queremos que ele se meta? Estamos de olho Moro!”, escreveu Anielle no Twitter. 

Fontes:
CBN-Envolvimento do nome do presidente no caso Marielle 'é um total disparate', diz Moro
DW-Sergio Moro defende que Polícia Federal assuma caso Marielle

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1 Opinião

  1. MARIO ALBERTO BENEDETTO LYNCH disse:

    MARIELLE FRANCO de santa não tinha nada.
    concordo em federalizar e puni os responsaveis .
    INJUSTO ACUSAR BOLSONARO E PARENNTES

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