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MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Moro ministro: quando, afinal, foi ‘efetivado oportunamente o convite’?

Bolsonaro já se contradisse sobre quando. Mourão disse que foi durante campanha. Apoiadores pediam faz tempo

Moro ministro: quando, afinal, foi ‘efetivado oportunamente o convite’?
Protagonistas da operação Mãos Limpas foram convidados para o governo Berlusconi, porém, recusaram (Foto: Fabio Pozzebom/ABr)

No dia seguinte ao da sua vitória nas urnas, 29 de novembro, Jair Bolsonaro anunciou sua intenção de convidar Sergio Moro para ser o seu ministro da Justiça, dizendo que nada havia dito antes sobre a ideia para não aparentar oportunismo eleitoral.

No dia 30, Moro divulgou nota dizendo que, “caso efetivado oportunamente o convite, será objeto de ponderada discussão e reflexão”. No dia 31, a coluna de Ancelmo Gois, no jornal Globo, informou que o juiz era esperado para um encontro com Bolsonaro no dia seguinte, 1º de novembro, na Barra da Tijuca.

Compromisso a que Moro afinal compareceu, após exibir-se, para a imprensa que o acompanhou no voo de Curitiba ao Rio, folheando um calhamaço sobre combate à corrupção. Da Barra, Moro saiu não propriamente como ministro, mas como superministro, “para afastar os riscos de retrocesso, por um bem maior”.

“Não tem nada a ver se foi uma semana antes das eleições, um dia antes”, disse Jair Bolsonaro, após seu vice, Mourão, soltar que o convite a Moro foi feito, na verdade, durante a campanha.

Bolsonaro esteve em campanha para a presidência da República ao longo dos últimos quatro anos. Em 2014, após as eleições, e falando aos cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), disse que estava disposto a, em 2018, “jogar para a direita esse país”.

Após Moro ser confirmado superministro, Bolsonaro disse que esteve com Super Moro pela primeira vez no último 30 de março, num encontro acidental no aeroporto de Brasília. Naquela ocasião, após bater continência para o juiz, o agora presidente eleito teria sido tratado por Moro com certo desdém.

Dizia assim matéria da Folha de S. Paulo publicada em 31 de março, dia seguinte ao daquele encontro: “Caso o deputado Jair Bolsonaro fosse eleito presidente, a página SomostodosBolsonaro (17,5 mil seguidores no Facebook) sugere um nome para o Ministério da Justiça: o juiz Sergio Moro”.

Naquela matéria da Folha, o jornal dizia, sobre os clamores de SomostodosBolsonaro, e à luz daquela muito proba esnobada: “Magistrado e parlamentar, porém, aparentam não ser tão próximos assim”.

Sobre as aparências – que, como se sabe, enganam -, conta melhor o próprio Jair Bolsonaro, mencionando o telefonema que diz ter recebido de Sergio Moro (“falei com ele uns 20 minutos”) dias após o episódio: “Falei que ele tinha que ter comportamento como aquele mesmo, porque afinidade com política poderia dar margem para críticas futuras”.

O que também aconteceu dias depois de mantidas as aparências no aeroporto de Brasília, além daquele telefonema, foi que Moro mandou prender o líder nas pesquisas para a presidência da República, menos de 20 horas após o Supremo negar a Lula um Habeas Corpus preventivo.

“É preciso haver uma clara divisão de poderes, mas, nesse caso, vemos uma espécie de confusão entre o Judiciário e o Executivo”, disse à BBC o cientista político italiano Alberto Vannucci, especialista no estudo da operação Mãos Limpas, na Itália – a operação que inspirou a atuação de Moro na Lava Jato.

Vannucci lembra que dois dos principais nomes da operação Mãos Limpas, o promotor Antonio Di Pietro e o juiz Piercamillo Davigo, foram convidados para o governo Berlusconi. “A diferença principal é que os dois recusaram o convite”, nota Vannucci. Mais tarde, Di Pietro acabou entrando para a política, participando do governo de Romano Prodi. Chegou, inclusive, a ser denunciado por corrupção, mas acabou absolvido. Hoje, é advogado.

A entrada principal do Teatro General Leônidas tem uma estátua de Ésquilo, o “pai da tragédia”, ainda que não da nossa. É o Teatro da Aman. A Aman, onde em 1977 o futuro Capitão em Chefe do Exército Brasileiro recebeu o espadim de Caxias.

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1 Opinião

  1. ANTONIO RIBEIRO disse:

    Moro sempre foi político. Julgou, condenou e prendeu, contra o CPP e a Constituição. Agora, apenas assumiu que foi cabo eleitoral de Bolsonaro. Uma lástima. E continua errando, ao chefiar equipe que formará o ministério sem ter encaminhado o pedido de exoneração do cargo de juiz de Direito, e aguardar a publicação no Dário Oficial da União.

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