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CONVERSAS VAZADAS

Moro presta esclarecimentos na CCJ do Senado

Audiência ocorre um dia após o 'Intercept' divulgar novas mensagens que indicam que a operação fingiu investigar FHC para passar percepção de imparcialidade

Moro presta esclarecimentos na CCJ do Senado
Em mensagem, Moro alerta que investigar FHC 'melindraria' um apoio importante (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, participa nesta quarta-feira, 19, de uma audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para prestar esclarecimentos sobre as conversas com o procurador Deltan Dallagnol, vazadas pelo site “The Intercept”.

As conversas apontam que Moro orientou procuradores da Operação Lava Jato, colaboração que é proibida uma vez que o juiz deve se manter equidistante das partes em um processo para garantir que o julgamento seja justo e imparcial.

A sabatina promete ser acirrada, pois ocorre um dia após o “Intercept” divulgar novas mensagens nas quais Dallagnol que indicam que a força tarefa da Lava Jato fingiu investigar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para criar uma percepção pública de imparcialidade.

Nas mensagens, Moro conversa com Dallagnol e se posiciona contra investigar o ex-presidente, por considerar que isso “melindraria alguém cujo apoio é importante”. FHC foi citado nove vezes na Lava Jato. Se as suspeitas contra ele fossem investigadas e comprovadas, nem todos os casos estariam prescritos.

Entre as suspeitas contra FHC está o fato de que seu filho, Paulo Henrique Cardoso, tinha uma offshore no Panamá ligada ao ramo de petróleo – área em que nunca atuou – e que essa mesma empresa tinha negócios com a Braskem e a Odebrecht no Brasil. Há também a identificação por parte da Polícia Federal de uma troca de mensagens entre o Instituto FHC e a Braskem para combinar o pagamento de uma doação. Tais suspeitas foram publicadas em 2016, pelo jornalista investigativo Lúcio de Castro, mas na época não repercutiram em nenhum grande meio. Diante do vazamento do “Intercept”, ele decidiu republicar a reportagem.

‘Economist’ alerta para a implosão da Lava Jato

O caso envolvendo as mensagens divulgadas pelo “Intercept” ameaça comprometer a imagem da Lava jato e já foi noticiado em veículos internacionais. A revista Economist, por exemplo – publicação que é referência global entre liberais -, publicou na semana passada um artigo intitulado “Investigações da Lava Jato podem se autodestruir” no qual afirma que as mensagens vazadas lançam uma sobra de dúvidas sobre a parcialidade da operação.

O artigo da Economist argumenta que, por uma série de outros fatores, é improvável que a situação atual do ex-presidente Lula mude. Porém, a revista aponta que, até o momento, a revelação mais grave divulgada pelo “Intercept” é o fato de que, quatro dias antes de apresentar seu caso contra Lula, na investigação envolvendo o triplex, Dallagnol afirma ainda ter dúvidas em relação às provas, à ligação entre a Petrobras e o enriquecimento do ex-presidente e o que chamou de “história do apartamento”.

A revista encerra alertando que a Lava Jato corre o risco de levar o Brasil ao mesmo destino que a operação Mãos Limpas – inspiração de Moro – levou a Itália.

“Moro é um aprendiz da operação Mani Pulite [Mãos Limpas], uma operação anticorrupção italiana da década de 1990. Ela terminou em uma contrarrevolução, liderada por Silvio Berlusconi, primeiro-ministro e frequente alvo de investigação, que enfraqueceu o poder judiciário. Em um estudo publicado pelo FMI, Maria Cristina Pinotti, uma economista brasileira, destaca que, desde então, a confiança em tribunais e outros indicadores de boa governança [na Itália] definhou – assim como a produtividade e o crescimento econômico. Isso é uma alerta para o Brasil, cuja economia ainda tenta se recuperar da recessão de 2015-2016, em grande parte porque os investimentos [no país] seguem escassos. Tendo chegado tão longe em punir corruptos, seria trágico se o Brasil retrocedesse agora”, finaliza a revista.

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3 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    Todos “limpinhos e cheirosos” na Casa dos Horrores?

  2. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Quem tem que validar é o povo Brasileiro, o Intercept é uma coisa clandestina, agora querem atingir FHC, parecem mulheres separadas quando falam mal dos ex maridos.

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    Quem não deve não teme. E o nosso representante Humberto Costa chega dá nojo em saber que um dia o recebi em minha casa. É da mesma coja de Lula que como secretario de Saúde de Recife não fez m* nenhuma.Moro é uma pessoa integra e probo.

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