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JORNALISMO EM LUTO

Morre o jornalista Alberto Dines, aos 86 anos

Um dos mais premiados jornalistas do Brasil, Alberto Dines, criador do Observatório da Imprensa, estava internado há 10 dias devido a uma pneumonia

Morre o jornalista Alberto Dines, aos 86 anos
Criador do Observatório da Imprensa, Dines foi um dos grandes nomes do Jornal do Brasil (Foto: Rodrigo Ricardo/EBC)

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O jornalista, professor, biógrafo e escritor Alberto Dines, grande nome da história do jornalismo brasileiro, morreu no início da manhã desta terça-feira, 22, aos 86 anos. Dines, que nasceu no Rio de Janeiro, estava internado há 10 dias no hospital Albert Einstein, no Morumbi, em São Paulo.

Segundo o jornal Globo, Dines pegou uma gripe, que virou pneumonia e o levou a ser internado. Na madrugada desta terça-feira, o jornalista teria sofrido uma deficiência respiratória e não resistiu. Ele deixa sua esposa – a também jornalista Norma Couri – e quatro filhos, que teve em seu casamento com Ester Rosali Dines, sobrinha de Adolfo Bloch.

Dines teve uma brilhante carreira no jornalismo. Criador do Observatório da Imprensa, o jornalista foi um dos grandes nomes do Jornal do Brasil, ajudando o periódico a alcançar os lugares mais altos dos veículos de comunicação. O Observatório da Imprensa, inclusive, divulgou uma nota afirmando que está preparando uma edição especial em respeito ao legado do “Mestre Dines”.

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Posted by Observatório da Imprensa on Tuesday, May 22, 2018

Além disso, o mesmo Observatório da Imprensa já havia preparado uma homenagem, há seis anos, pelo aniversário de 80 anos de Alberto Dines. O vídeo completo, com quase sete minutos de duração, está disponível no fim da reportagem do Opinião e Notícia.

Trajetória

Nascido em 1932, Dines começou a mostrar ainda em sua infância a sua vocação para a comunicação. Aos 11 anos de idade, foi um dos organizadores do boletim estudantil Horta da Vitória, do Ginásio Hebreu Brasileiro.

Profissionalmente, Alberto Dines começou a trilhar o seu caminho em 1952, com apenas 20 anos de idade. O jornalista começou como crítico de cinema na revista A Cena Muda. Mais tarde, em 1953, começou a trabalhar na revista Visão, passando por editorias de cultura e indo para assuntos políticos pouco tempo depois.

Em 1957, estreou na revista Manchete, onde começou a sua escalada no jornalismo, se tornando assistente de direção e secretário de redação. Por desentendimentos com o empresário Adolpho Bloch, pediu demissão. Em 1959, assumiu a direção do segundo caderno do jornal Última Hora. No periódico, foi diretor das edições da manhã e da tarde.

Em 1960, se tornou editor-chefe da revista Fatos e Fotos. No mesmo ano, dirigiu o Diário da Noite, do Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Mais tarde, foi demitido pelo mesmo Chateaubriand por não ter ignorado o sequestro do navio Santa Maria, em protesto contra a ditadura Salazar, em Portugal.

Seu brilhante caminho no Jornal do Brasil (JB) começou a ser trilhado em 1962, apesar de ter colaborado com o jornal Tribuna da Imprensa, pertencente ao JB, anos antes. Para o diretor Manuel Francisco do Nascimento Brito, Dines foi fundamental para a reformulação do jornal.

Como professor universitário, Alberto Dines criou e ocupou a cadeira de Jornalismo Comparado na Faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em 1963. Dois anos depois, criou a cadeira de Teoria da Imprensa na universidade, lecionando até 1966. Paralelamente, a sua vida como docente universitário, Dines criou e dirigiu os cadernos de Jornalismo e Comunicação do JB.

Em 1968, quando o Ato Institucional Nº5 (AI-5) foi criado, em um dos períodos mais sombrios da ditadura brasileira, Dines coordenou a primeira página do JB. Na ocasião, o jornalista usou como recurso a previsão do tempo para driblar a censura instituída pelos militares e criticar a promulgação do Ato. “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos”, dizia a capa. Em dezembro de 1968, devido a um discurso como paraninfo da PUC contra a ditadura militar, foi preso e submetido a inquérito.

Toda a sua trajetória no jornalismo brasileiro já começou a ser reconhecida em 1971, quando Alberto Dines recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, nos Es­tados Unidos. O prêmio começou a ser entregue em 1938, sendo um dos mais antigos e importantes do jornalismo interamericano, reconhecendo grandes nomes de jornalistas que se destacam nas Américas.

Dois anos depois de receber o prêmio, Dines foi demitido da direção do JB, depois de ficar 12 anos como editor do periódico. Durante o período, o jornalista contribuiu ativamente com o jornal, criando diferentes editorias, como a Editoria de Fotografia, e ferramentas que elevaram a importância do Jornal do Brasil como um veículo de comunicação, como a Agência JB, Cadernos de Jornalismo e Departamento de Pesquisa.

Em 1973, antes de ser demitido, Dines foi um dos responsáveis por outra célebre edição do JB. A censura da ditadura militar havia impedido que a imprensa brasileira noticiasse o golpe militar que o presidente chileno Salvador Allende sofreu pelo ditador Augusto Pinochet. Mesmo assim, Dines, juntamente com o diagramador Ezio Esperanza, fizeram uma edição de primeira página sem manchete.

Em 1974, viajou para os Estados Unidos, onde atuou por um ano como professor convidado na Universidade de Columbia. Em 1975, retornou ao Rio de Janeiro, assumindo a sucursal da Folha de São Paulo na cidade. Cinco anos depois, foi demitido por Boris Casoy, depois de ter publicado um artigo denunciando a repressão do governador Paulo Maluf à greve do ABC.

Em 1980, colaborou com O Pasquim e finalizou a biografia do escritor Stefan Zweig. Depois disso, assumiu como secretário editorial da editora Abril, em São Paulo. Na Abril, colaborou com a criação da revista Exame de Portugal. Como diretor do grupo Abril em Portugal, entre 1988 e 1995, colaborou com os jornais portugueses O Expresso e A Capital. Em 1994, em Portugal, criou o Observatório da Imprensa. 

Já no Brasil, criou o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No mesmo período, entre 1994 e 1995, escreveu uma coluna criticando o jornalismo na revista Imprensa. Em abril de 1996, criou a revista eletrônica do Observatório da Imprensa, que debatia e criticava o jornalismo contemporâneo. A iniciativa passou a ter uma edição televisiva em 1998, transmitida pela TV Educativa do Rio de Janeiro, e foi incluída na programação da Rádio e Televisão Cultura de São Paulo.

Em 1998, retornou ao Jornal do Brasil. Também foi consultor da Grande Enciclopédia Larousse e colaborou com os jornais Estado de S. Paulo e Observador Econômico. Internacionalmente, Dines ainda fez estágio em jornais como Daily News, New York Times, Daily Mirror, Paris Match e Paris Jour.

Premiações

Como prêmios, além do Maria Moors Cabot, Alberto Dines recebeu, em 1993, o prêmio Jabuti em Estudos Literários. Depois da criação do laboratório na Unicamp, nos anos 1990, o jornalista recebeu o título de notório saber em historia e jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP).

Já em 2007, Dines recebeu o Prêmio Austríaco em Memória do Holocausto, que é dado a pessoas de fora da Europa por seus esforços pela memória do Holocausto. Dois anos depois, recebeu o Austrian Golden Decoration for Science and Art pelo seu livro Morte no Paraíso – A Tragédia de Stefan Zweig. Em 2010, recebeu o prêmio da Ordem dos Méritos das Comunicações, no grau Grã-Cruz.

 

Fontes:
Jornal do Brasil-Morre o jornalista Alberto Dines, aos 86 anos
O Globo-Morre o jornalista Alberto Dines, aos 86 anos

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