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Morre Visconde de Mauá

No dia 21 de outubro de 1889, morre Irineu Evangelista de Sousa, o Visconde de Mauá

Morre Visconde de Mauá
Desde muito cedo, Irineu mostrava talento para negócios (Foto: Wikimedia)

Grande impulsionador da indústria brasileira, o empresário brasileiro Irineu Evangelista de Sousa, Visconde de Mauá, foi o maior empreendedor que o Brasil já teve. Morreu em Petrópolis, Rio de Janeiro, no dia 21 de outubro de 1889.

Irineu nasceu em 28 de dezembro de 1813 no Rio Grande do Sul. Aos cinco anos perdeu o pai. Quando tinha nove, sua mãe se casou de novo e uma condição do novo marido era não ter os filhos de casamento anterior morando com eles. A solução foi rapidamente achar um marido para a filha de 12 e mandar o menino de nove para o Rio de Janeiro, levado por um tio que conseguiria um emprego para ele.

Irineu passou a trabalhar e morar na casa de um comerciante onde rapidamente aprendeu tudo, tornando-se pessoa de confiança do patrão. Em 1829 Irineu foi trabalhar com o importador e exportador inglês Richard Carruthers, que lhe ensinou inglês, contabilidade e a arte de comerciar.

Irineu adquiriu o hábito das leituras sérias, lendo no original o clássico “A riqueza das nações”, de Adam Smith. No final de 1935, quando o jovem tinha acabado de completar 22 anos, o chefe reuniu todos os funcionários e comunicou que ia se aposentar e voltar para a Inglaterra e que Irineu seria o novo acionista controlador. Aos 27 anos, viajou até a Inglaterra visitando fábricas, fundições de ferro e conheceu a ferrovia, a coqueluche do meio empresarial e político do momento. Essa visão do país mais moderno do mundo abriu os olhos de Mauá para aquilo que ele gostaria que o Brasil fosse: uma nação adiantada. Desde então seu sonho quase obsessivo foi criar no Brasil indústria e infra-estrutura modernas.

Em 1845, Irineu tomou sozinho a frente do ousado empreendimento de construir os estaleiros da Companhia Ponta da Areia, com que iniciou a indústria naval brasileira. Em plena ascensão como homem de negócios, forneceu os recursos financeiros necessários à defesa de Montevidéu, quando o governo imperial decidiu intervir nas questões do Prata, em 1850. Da Ponta da Areia saíram os navios para as lutas contra Oribe, Rosas e Lopes.

Tendo obtido junto ao governo imperial brasileiro a concessão do fornecimento de tubos de ferro para a canalização do rio Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro (1845), liquidou os interesses da Casa Carruthers e, no ano seguinte, adquiriu uma pequena fundição situada na Ponta da Areia, em Niterói, na então Província do Rio de Janeiro. Imprimindo-lhe nova dinâmica empresarial, transformou-a em um estaleiro de construções navais.

No ano seguinte, o Estabelecimento de Fundição e Companhia Estaleiro da Ponta da Areia já multiplicara por quatro o seu patrimônio inicial, tornando-se o maior empreendimento industrial do país, empregando mais de mil operários e produzindo navios, caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, além de artilharia, postes para iluminação e canos de ferro para águas e gás. Deste complexo saíram mais de setenta e dois navios em onze anos, entre os quais as embarcações brasileiras utilizadas nas intervenções platinas e as embarcações para o tráfego no rio Amazonas.

No final da década de 1850, o visconde funda o Banco Mauá, MacGregor & Cia., com filiais em várias capitais brasileiras e em Londres, Nova York, Buenos Aires e Montevidéu.O estaleiro foi destruído por um incêndio em 1857, mas é reconstruído. Acaba-se de vez em 1863 quando a lei isenta de direitos a entrada de navios construídos fora do país. Isso leva a empresa à falência, mas não afeta os outros negócios do empresário. A partir de então, dividiu-se entre as atividades de industrial e banqueiro. Devem-se a Mauá a iluminação a gás da cidade do Rio de Janeiro (1851), a primeira estrada de ferro, da Raiz da Serra à cidade de Petrópolis RJ (1854), o assentamento do primeiro cabo submarino telegráfico entre o Brasil e a Europa (1874) e muitas outras iniciativas.

Em 1856, Mauá recebeu a concessão para construir a ferrovia Santos-Jundiaí. Seria um empreendimento grandioso que escoaria a crescente produção de café de São Paulo para o porto de Santos. Até então o café descia a Serra do Mar em lombo de burro. A nova empresa tinha sócios ingleses e lançou ações na bolsa de Londres, com a honra de o Barão Rothschild, o maior banqueiro do mundo, ser o primeiro subscritor de ações. A obra andaria devagar, por falta de dinheiro e aos poucos o banco de Mauá se tornou seu maior financiador. Mauá acabou vendendo suas ações, mas continuou a emprestar fundos para terminar a obra. Em 1867, a ferrovia, que outrora Mauá chamara de a menina de meus olhos, foi inaugurada e imediatamente começou a operar lucrativamente. Mas o visconde não conseguiu receber seus créditos e isso provavelmente foi a maior causa de sua ruína.

Em 1875, viu-se obrigado a pedir moratória, a que se seguiu longa demanda judicial, derradeiro capítulo da biografia de grande empreendedor. Doente, minado pelo diabetes, só descansou depois de pagar todas as dívidas. Ao longo da vida recebeu os títulos de barão (1854) e visconde com grandeza (1874) de Mauá.

O Visconde de Mauá morreu em Petrópolis, Rio de Janeiro, no dia 21 de outubro de 1889.

Fontes:
Uol Educação-Irineu Evangelista de Sousa, Visconde de Mauá
InfoEscola-Barão de Mauá

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26 Opiniões

  1. Matheus soares disse:

    Existe um erro grave na biografia.Visconde de Mauá nasceu no municipio de Arroio Grande e nao Jaguarão.Arroio Grande fica localizado a 45 km de Jaguarão.Eu sei disto porque moro em Arroio Grande.pesquisem mais e voces perceberão o erro grave que cometeram.

  2. juliana disse:

    adoro esta materia , so que as repostas deviam ser menores

  3. kaka disse:

    estou adorando essa materia

  4. Ademar Duque disse:

    Um dos grandes erros do Governo da época foi exterminar e não incentivar este grande empreendedor. Como sempre a elite dominante!É preciso voltarmos ao passado e conheçer a gloriosa historia de Irineu Evangelista, para entender até hoje como funciona este país equivocado chamado Brasil.Só apenas os cenários mudaram, à peça continua a mesma.

  5. silvia helena disse:

    visconde de mauá foi uma pessoa muito importante para a história do nosso país.

  6. Aline dias disse:

    O que voces colocaram ai que o visconde de maua nasceu em jaguarão é errado.Pois ele nasceu em arroio grande um municipio a 45 km de jaguarao.
    Pesquisem sobre isso,já morei la,minha familia e de lá,ja fui na figueira onde era a casa dele e na ponte qe leva seu nome.

  7. arlisson disse:

    quem escreveu este texto esta de parabéns pois ele esta explicando muito sobre a historia de visconte de mauá !!!!!!!!!!!! esse texto vou muito objetivo parabéns !!!!!!

  8. stefany soto disse:

    Eu gostei do texto,ele fala de forma interpretativa e fácil de se entender.
    Gostei quem criou esse texto está de Parabéns.

  9. Idineide Viana disse:

    Eu gostei muito do texto. achei muito objetivo, e alcança todas as idades. Estava procurando uma página assim faz muito tempo, e finalmente achei. Parabéns, está tudo muito bem feito, principalmente o espaço para comentários, que deixa os leitores mostrarem o que acharam, fazendo assim, com que todos possoam se expressar de maneira que contribuam para a página.
    Meus parabéns, está muito bom!!!

  10. cassio eduardo disse:

    achei muito legal….

  11. Kely Sá disse:

    Gostei do texto, pois utiliza uma linguagem simples, objetiva ,de certa forma imparcial, e mais ainda dos comentários.
    Um espaço para comentários é muito importante, pois nos dá opotunidade de compartilharmos o nosso ponto de Vista.Aqui temos diversos, assim sendo, quem lê tem a chance de conhecer várias opiniões á respeito do Barão de Mauá.
    Parabéns!

  12. thiago rodrigo dos anjos disse:

    legal

  13. thiago rodrigo dos anjos disse:

    legal

  14. EDVALDO TAVARES disse:

    O BARÃO QUE ESTABELECEU O TRANSPORTE NO BRASIL A FERRO E FOGO – O desafio da construção da ligação férrica entre o porto Mauá (Guia do Pacopaíba, Rio de Janeiro) e a raiz da Serra da Estrela (Petrópolis), não resistiu a determinação do Barão/Visconde de Mauá. Irineu Evangelista de Sousa é o nome do herói. Essa foi a primeira ferrovia construída no BRASIL. Tinha 14,5 Km de extensão. Baronesa foi a primeira locomotiva fabricada no BRASIL que em 30 de abril de 1854 pela primeira vez percorreu a estrada de ferro construída pelo Barão. Para Irineu Evangelista, ainda era pouco. À Dom Pedro II, Imperador do BRASIL, prometeu que iria construir uma ferrovia até o vale do rio das Velhas, para receber a enorme produção do rio São Francisco. Esse era o Barão de Mauá, um dos grandes heróis brasileiros. Porém, infelizmente, naquela época existiam os genéticamentes inferiores. Os com falhas no genoma, diziam que o empreendimento estava destinado a falir. Outros, igualmente com cadeias genéticas deterioradas, alegavam que a ferrovia pararia por “falta de carga”. Os genéticamente mais graves no senso de auto-confiança, diziam que por causa do vento “os passageiros apanhariam resfriados”. Perigo de incêndios nas propriedades agrícolas provocados pelas fagulhas das locomotivas eram outras alegações dos inúteis. Irineu Evangelista de Sousa, Barão ou Visconde de Mauá – fiquem à vontade em relação ao título – não esmoreceu e passou por cima de tudo isso, construiu a Estrada de Ferro Pedro II, atual Central do Brasil, Rio de Janeiro. Honra e Glória do Povo à esse Herói Brasileiro. “BRASIL ACIMA DE TUDO”. EDVALDO TAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA/DF.

  15. Mirtes disse:

    Primeiro em resposta ao nosso amigo David, que esqueceu em que século e anos viveu e atuou o Barão (sem comparação aos tempos atuais); Ele era um “gênio comercial sim. Tinha a visão necessária ao real progresso e desenvolvimento de um povo… Sem contar que a Nação(colônia), ainda, não era nossa e que um brasileiro, jamais, teria “poder” permitido de levá-la adiante… Outrosim, “é na côrte” que “as coisas” acontecem e levam uma nação para frente ou a afundam… Muitos outros “barões” juntos e livres, com certeza, não teriam permitido que chegassemos aqui, hoje, da maneira como chegamos. O dinheiro deve gerar “bom dinheiro”; As riquezas de uma nação, devem ser empregadas nela e para ela. Se D.Pedro I, 2º e sei lá mais quem, tivesem o tino comercial, a inteligência e amor à seus compatriotas, que tinha o Barão, com absoluta certeza, Portugal, hoje, seria aqui, meu amigo… Não pense como “um” brasileiro e sim como “40” milhões…Somos grandes, fortes, temos valor, somos do bem, porém, sofredores, porque Barões de Mauá, foram impedidos de nos construir como mereciámos , por seres egoístas e burros, muito burros, que pensavam “pequeno”. O nosso coração (brasileiros), é feito de grandeza. Não é feito de quem tem mais ou menos dinheiro; de quem mora na favela ou nas “côrtes”. Penere, tire os bichos e terá uma grande povo… Pode demorar mas, acredito: Um dia, o Planeta Terra, falará do Brasil, com orgulho! Fomos escolhidos por Deus para sermos os últimos e os mais felizes. Espere.
    Mirtes.

  16. Bruna disse:

    Bom estou estudando sobre esse visionário maravilhoso,estou adorando a sua história.

  17. Anônimo disse:

    esta muito bom o site

  18. aluisio disse:

    Como todo idealista muitas vezes foi incompreendido, porem um dos Grandes Vultos da nossa historia.Um BRASILEIRO com “B “maiusculo

  19. Alvaro Spadim disse:

    Se há alguma coisa que se aproveite na atual disputa à presidência da República esta, com certeza, foi a participação do senhor Cristóvam Buarque. Ele tanto bateu na tecla da educação que os candidatos remanescentes estão se sentindo obrigados a falar da importância dela para o desenvolvimento do país como nação. Desta forma, saliento que a “ON” age no mesmo sentido quando, incansavelmente, se mantém publicando a história dos grandes homens públicos deste tão sofrido Brasil. Homens que hoje – se vivos estivessem – recomendariam ao povo brasileiro à busca do conhecimento, da informação e da cultura como meio de colaborar com o necessário desenvolvimento do país para as futuras gerações que se encontram a mercê dos mais sórdidos políticos de toda a nossa história.

  20. david disse:

    O Barão de Mauá foi, antes de tudo, um homem da corte, apesar de algumas vezes seus projetos terem sido contrariados pelo governo imperial. O mito que envolve Mauá dificulta uma análise mais profunda da vida empresarial dele, contudo as subvenções e monopólios que recebeu do Império aliado aos deslizes e trapalhadas nos negócios deixam em aberto a classificação de empresário moderno.

    Com estratégias equivocadas, à luz dos conceitos empresariais, juntamente com a falência e a não continuidade de suas obras, certamente não são bons indicadores para as gerações futuras tê-lo como exemplo de grande empreendedor de sucesso.

  21. Celina Mares disse:

    Mauá foi um gênio incompreendido, D. Pedro II e todo mundo tinham ciúme do sucesso dele. Seus negócios acabarem mal foi uma grande perda para o Brasil.

  22. Camilo Terras disse:

    Bom texto, visivelmente baseado na excelente biografia escrita por Jorge Caldeira.

  23. Sandra disse:

    Mauá é o personagem mais fascinante da vida brasileira, li e reli sua biografia inúmeras vezes.Transcendeu suas origens humildes e tornou-se o maior empresário de sua época, um visionário que queria que o Brasil fosse um pais adiantado.Se não me falha a memória foi ele também, o fundador do Banco do Brasil.Sofreu inúmeras perseguições do imperador Pedro II e assim mesmo conseguiu morrer com as dividas pagas.Ouvir o chefe supremo desta nossa nação tão achincalhada se comparar a Mauá é uma heresia!!!Mauá teve a sorte de viver em uma época em que ainda se sonhava com o grande futuro do Brasil.

  24. da produção disse:

    O Opinião e Notícia deve muito ao Visconde de Mauá. Se não fosse ele, o ON não existiria, ou pelo menos não com essa aparência. Meu bisavô veio da Europa para trabalhar nas ferrovias que Mauá estava construindo aqui no Brasil. Casou e teve um filho brasileiro, meu avô. A família se mudou de São Paulo para Petrópolis, depois para o Rio de Janeiro, onde eu nasci, virei webdesigner… e fui contratado para produzir o Opinião e Notícia.

  25. Coutinho disse:

    Uma lástima não se poder repassar materia tão importante, mormente para esta atualidade de pouca vergonha e quase nenhum empreendorismo.

    Cordialmente,

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