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Tragédias das chuvas

Morro do Bumba: uma novela longe do fim

De um lado, moradores ainda convivem com o risco de desabamento a cada chuva. Do outro, desabrigados temem ser desalojados

Morro do Bumba: uma novela longe do fim
O deslizamento do Morro do Bumba oconteceu em abril de 2010, em Niterói, no Rio de Janeiro

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As chuvas apertam um pouco no Rio de Janeiro e as pessoas logo pensam nos estragos trazidos com as águas do verão. Os moradores do Morro do Bumba — região de Niterói que sofreu um grande deslizamento em abril de 2010 — são obrigados a conviver com essa insegurança todos os dias.

Uma parte dos moradores foi abrigada no 4º Grupo de Companhias de Administração Militar (GCAM), no bairro do Barreto, em Niterói. Outra parte das famílias continuou nos barracos que sobreviveram à tragédia e correm o risco de cair a qualquer momento.

Marta Guimarães, moradora de uma casa ameaçada por uma encosta, contou à revista Veja que as chuvas de última semana de outubro deixaram a vizinhança apreensiva. “Aqui é que nem dominó. Se o barranco cair, leva a minha casa e todas as que estão embaixo.”

E, pelo andar das obras, o sofrimento dos moradores está longe de acabar. A falta de assistência do governo é latente. “Depois que a poeira baixou, ninguém veio saber da gente, conferir como estão as casas. Nem para saber se tínhamos saído mesmo ou não. Aqui não chega mais conta de luz, não recolhem o lixo, os correios não passam mais. Estamos esquecidos e abandonados”, desabafa Volcenira Pimentel, costureira.

As obras dos 180 apartamentos prometidos para janeiro pela Secretaria Estadual de Obras ainda nem começaram, segundo a Veja. O terreno de 5 mil metros quadrados em Viçoso Jardim está vazio, sem máquinas e homens trabalhando.

Medo constante de ser despejado

A parte das famílias que foi acolhida em um abrigo do Exército convive com o medo de ser desalojada a qualquer momento. Na semana passada, os 180 moradores se recusaram a sair quando um caminhão da Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa) de Niterói chegou com uma escolta policial para fazer a remoção.

A prefeitura quer transferir estas pessoas para o 3º Batalhão de Infantaria, em Venda da Cruz, onde vivem outros 260 desabrigados. Mas uma liminar do Ministério Público impediu a remoção. Só que a prefeitura conseguiu obter uma suspensão parcial da liminar e a transferência deve ocorrer na próxima semana.

“A minha expectativa é que a gente já saia daqui para dentro de nossa casa, e não para outro abrigo que sabemos que é perigoso. Não dá para ir para lá. Ainda não sei onde vai a casa, mas onde quer que seja, que seja minha”, diz Leandra Maria de Oliveira.

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Fontes:
O Globo - Liminar impede a remoção dos desabrigados do Morro do Bumba, em Niterói
Veja - No Morro do Bumba, a ferida aberta da tragédia
BBC Brasil - Há 9 meses em abrigo do Exército, desalojados do Bumba temem transferência

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2 Opiniões

  1. Helio disse:

    É assustador ver como áreas de risco são ocupadas, quando a ação do governo seria mais eficiente em prevenir as tragédias se agisse nesse momento de ocupação.

  2. Markut disse:

    A sempre incrivel desidia e descaso do poder público.
    É nessas ocasiões que aflora com mais nitidez a tragédia da nossa cultura leniente e deshumana, quanto aos serviços públicos, totalmente divorciados do seu dever principal, em que a obrigação do Estado e o respeito à pessoa humana são totalmente negligenciados, perdidos num burocratismo, provindo da névoa da nossa formação.

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