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OPERAÇÃO GREENFIELD

MPF abre investigação contra Paulo Guedes

Operação Greenfield investiga possível crime de ‘gestão temerária ou fraudulenta’ de Paulo Guedes na gestão de recursos de fundos de pensão de estatais

MPF abre investigação contra Paulo Guedes
Defesa afirma 'perplexidade' com o fato da investigação ser instaurada a poucos dias das eleições (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) abriu na última quinta-feira, 25, uma nova investigação contra o economista Paulo Guedes, guru econômico e provável ministro da Fazenda em um possível governo de Jair Bolsonaro (PSL). A entidade investiga suspeitas de irregularidades em fundos de pensão envolvendo o economista.

A suspeita é que Paulo Guedes tenha praticado fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais, como Previ, do Banco do Brasil; Petros, da Petrobras; Funcef, da Caixa Econômica Federal; e Postalis, dos Correios. Ele foi intimado para depor sobre o assunto no dia 6 de novembro, enquanto seu irmão, Gustavo Guedes, que também estaria envolvido, vai depor no dia 8 de novembro.

Segundo o despacho, noticiado pelo jornal Globo, a investigação analisa se houve crime de “gestão temerária ou fraudulenta”, que está previsto na Lei nº 7.492. O MPF-DF tem como objetivo descobrir se Paulo Guedes aplicou dinheiro proveniente dos fundos de pensão de forma irregular, o que pode ter causado prejuízos aos aposentados.

Entre 2009 e 2014, a empresa na qual Paulo Guedes é sócio, BR Educacional Gestora de Ativos, teria registrado um faturamento de R$ 85,7 milhões somente com essas taxas. Corrigido pela taxa Selic, o valor alcançaria 152,9 milhões.

A investigação é conduzida pela Força-Tarefa da Operação Greenfield (FT Greenfield), que mira crimes relacionados a fundos de pensão. Na época dos crimes, Paulo Guedes ainda não era relacionado diretamente a Bolsonaro, rodando o país para palestrar em conferências do grupo HSM, controlado pelo economista.

Posicionamento da defesa

O escritório de advocacia Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Veloso, que representa Paulo Guedes, afirmam que os investimentos feitos pela empresa do economista geraram um lucro de 50% aos fundos de pensão. O MPF reconheceu o ganho, mas apontou que a lucratividade poderia ser maior sem as altas taxas cobradas.

“Desde já, independentemente do avanço natural dos trabalhos em curso de auditoria e investigação, é possível verificar, por exemplo, que a cobrança de taxa de administração de 1,75% sobre o capital subscrito em vez do capital investido pode ser considerada abusiva”, aponta o documento do MPF.

Ademais, os advogados de Paulo Guedes ainda afirmaram “perplexidade” com a instauração de uma investigação a poucos dias da conclusão do segundo turno das eleições de 2018 “para apurar um investimento que deu lucro aos fundos de pensão”.

“A investigação se baseia em um relatório fragilíssimo, que tratou de apenas um, dentre quatro investimentos realizados pelo fundo. O relatório omite o lucro considerável que o fundo tem propiciado aos investidores e a perspectiva de lucro de mais de 50% do valor investido. Ou seja, não houve qualquer prejuízo às partes envolvidas. Vale ressaltar ainda que o senhor Paulo Guedes jamais teve qualquer poder de deliberação sobre o destino dos investimentos, os quais foram todos aprovados pelo Comitê de Investimentos, formado por membros indicados pelos cotistas”, aponta a nota da defesa.

 

Leia também: MPF investiga Paulo Guedes por suspeita de fraude

Fontes:
O Globo-A quatro dias da eleição, Ministério Público abre investigação contra Paulo Guedes
Uol-MPF abre investigação contra Paulo Guedes, economista de Bolsonaro
Agência Brasil-MPF investiga Paulo Guedes por gestão temerária

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