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NEGOCIAÇÃO

MPF cobra da Hypera R$ 2 bilhões por acordo de leniência

Criada para ser a ‘Unilever brasileira’, a empresa vê sua situação se complicar desde 2015, quando foi citada na Operação Lava Jato

MPF cobra da Hypera R$ 2 bilhões por acordo de leniência
Acordo de leniência é uma espécie de delação premiada de pessoas jurídicas (Foto: Divulgação)

O Ministério Público Federal (MPF) pretende cobrar da farmacêutica Hypera Pharma uma multa de R$ 2 bilhões para dar andamento à negociação do acordo de leniência da empresa com a Justiça, que funciona como uma espécie de delação premiada de pessoas jurídicas.

Em contraponto, a empresa está disposta a pagar menos da metade do valor exigido para confessar o pagamento de propina a políticos em troca de benefícios. A informação foi obtida em apuração do jornal Valor (confira aqui a reportagem na íntegra).

A Hypera vê sua situação se complicar desde 2015, quando foi citada pela primeira vez na Operação Lava Jato, pelo ex-diretor de Relações Institucionais da empresa Nelson Mello, que disse em delação premiada ter repassado R$ 30 milhões em propina a parlamentares do MDB para que os mesmos atuassem em favor da empresa na aprovação de medidas no Congresso.

O pagamento teria sido feito por meio dos operadores Lúcio Funaro e Milton Lyra. Funaro foi preso no âmbito da Operação Lava Jato e atualmente cumpre prisão domiciliar. Já Lyra foi preso na Operação Rizoma, que investiga fraude no Postalis (o fundo de pensão dos funcionários dos Correios). Na última terça-feira, 15, ele teve a prisão revogada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O acordo de leniência da Hypera somente foi viabilizado porque as acusações contra a empresa envolvem pessoas com foro privilegiado. Entre os acusados de receber propina da Hypera que detêm foro privilegiado está o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que teria recebido de Mello R$ 5 milhões para sua campanha ao governo do Ceará nas eleições de 2014.

Em meio à negociação, o sócio majoritário da Hypera, João Alves Queiroz Filho, e o presidente da empresa, Cláudio Bergamo, pediram afastamento voluntário. Há suspeita de que ambos pretendem fechar delação premiada, mas nenhum dos dois confirma a informação.

A Hypera foi criada em 2001, com a ambição de ser a “Unilever brasileira”. Porém, a empresa entrou em espiral decadente após ser envolvida na Lava Jato. Desde então a empresa implementou um intenso processo de reestruturação que contou com a mudança de nome, em fevereiro deste ano, de Hypermarcas para Hypera Pharma, e a venda das marcas Monange, Risqué, Perfex, Assolan, Etti e Salsaretti.

 

Leia mais: Hypera Pharma estuda acordo de leniência com a Justiça

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