Início » Brasil » MPRJ não vê evidências de que Queiroz revendia carros
CASO QUEIROZ

MPRJ não vê evidências de que Queiroz revendia carros

Falta de evidências pode ser o principal argumento para quebra de sigilo bancário do ex-motorista de Flávio Bolsonaro

MPRJ não vê evidências de que Queiroz revendia carros
Fabrício Queiroz entrou na mira do Coaf por movimentações financeiras atípicas (Foto: Fabricio Queiroz/Facebook)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) não encontrou, até o momento, nenhuma evidência que comprove que Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), negociava carros. Esse deve ser o principal argumento para justificar o pedido de quebra do sigilo bancário dos investigados.

A nova medida integra o famoso “Caso Queiroz”. A investigação mira movimentações financeiras executadas por Fabrício Queiroz, reveladas em dezembro de 2018.

Segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), as transações bancárias chegavam a R$ 1,2 milhão, feitas por oito funcionários que estavam lotados no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo as investigações, as transferências eram coordenadas por Queiroz e há suspeita de se tratar de um esquema conhecido como “rachadinha”, no qual assessores devolvem parte de seus salários ao gabinete onde atuam.

Para justificar a movimentação financeira atípica, Queiroz afirmou que o dinheiro era proveniente de compra e venda de carros, além de outros negócios informais. Em entrevista ao SBT, o ex-assessor afirmou que era um “homem de negócios”.

O advogado Paulo Klein, que integra a defesa de Fabrício Queiroz, revelou não ter conhecimento de uma possível quebra de sigilo bancário. No entanto, diz que não vê com preocupação a ação, pois o sigilo “já foi quebrado e exposto em todos os meios de comunicação”.

Sobre a falta de evidências em relação à revenda de carros, Klein afirmou que o negócio era informal. Por isso, “não há como se comprovar tais transações por meio de documentos de transferências de veículos”. Os únicos carros encontrados pela investigação em nome de Queiroz são um Ford Del Rey Belina, modelo 1985-1986, e um Voyage preto, modelo 2009-2010.

Apesar das investigações terem sido reveladas ainda em 2018, Queiroz só compareceu ao MPRJ para prestar depoimento em fevereiro deste ano. Na ocasião, o ex-assessor não falou sobre a revenda de carros, mas admitiu que pegava parte dos salários de outros funcionários de Bolsonaro para contratar mais pessoas, expandindo a atividade do parlamentar.

Na época, Queiroz disse que entregaria uma lista com o nome das pessoas, o que ainda não fez. Segundo a defesa, ainda não é o momento para a entrega da lista. Todos os oito assessores do antigo gabinete de Flávio Bolsonaro já foram intimados a prestar depoimento. No entanto, apenas Agostinho Moraes compareceu ao MPRJ. Ele admitiu que entregava R$ 4 mil mensais para investimentos no negócio de revenda de automóveis de Queiroz, mas negou que era uma devolução de parte do salário.

Enquanto não consegue a quebra do sigilo bancário, o MPRJ se esforça para fazer com que as fontes colaborem voluntariamente com as investigações. Os investigadores têm trabalhado para descobrir quem pagou despesas de Queiroz, que já foram comprovadas. Por exemplo, a conta da internação no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde Queiroz ficou internado por cerca de dez dias.

Leia mais: Justiça nega pedido de Flávio para suspender investigação do caso Queiroz

Leia mais: Gabinete de Jair Bolsonaro atestou presença de filha de Queiroz

Fontes:
O Globo-MP não vê evidência de que Queiroz negociava carros

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *