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INVESTIGAÇÃO

Munição que matou Marielle Franco veio de lote da PF

Investigação da Polícia Civil conclui que a munição usada na execução da vereadora veio de lotes vendidos à Polícia Federal em 2006

Munição que matou Marielle Franco veio de lote da PF
Agentes também concluíram que carro usado no ataque era clonado (Foto: Pinterest)

Uma perícia da Polícia Civil concluiu que a munição utilizada na execução da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) é originária de lotes vendidos para a Polícia Federal em Brasília, em 2006. A informação foi obtida pelo RJ-TV 1ª edição, da Rede Globo, e divulgada pelo site G1.

De acordo com a investigação, os lotes são de munição UZZ-18 e foram vendidos pela empresa CBC no dia 29 de dezembro de 2006. Trata-se do mesmo lote de onde partiram as munições usadas na maior chacina do estado de São Paulo, ocorrida em 13 de agosto de 2015, em Osasco e Barueri, resultando no assassinato de 17 pessoas.

Agora, as polícias Civil e Federal iniciarão um trabalho conjunto para rastrear o caminho percorrido pela munição até o dia do ataque à vereadora.

O que se sabe até o momento

A principal linha de investigação da morte de Marielle Franco é execução. O ataque ocorreu quando ela voltava de um evento na Lapa, na região central do Rio de Janeiro. Marielle retornava de um debate chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, que ocorreu na Casa das Pretas, um espaço coletivo de encontros e debates sobre vivência das mulheres negras.

Marielle deixou o local e seguiu para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, em um Chevrolet Agile branco, acompanhada de sua assessora e do motorista Anderson Pedro Gomes. Quando o carro entrou na rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, também na região central da cidade, um outro veículo emparelhou e efetuou vários disparos direcionados ao banco de trás, onde estava Marielle. Quatro disparos atingiram a vereadora na cabeça. Outros três disparos atingiram as costas de Gomes, que também morreu. A assessora sobreviveu, ficando ferida por estilhaços.

A polícia identificou o carro usado no ataque como um Cobalt com placa de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Investigações concluíram que o veículo é clonado e localizaram o original em Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense. As buscas pelo carro usado no ataque continuam.

De acordo com a investigação, na noite da execução, o Cobalt estava estacionado próximo à Casa das Pretas quando a vereadora chegou ao local. Assim que Marielle e entrou no local, um homem saiu do Cobalt e começou a falar ao telefone.

Quando Marielle deixou o local o Cobalt que estava estacionado piscou o farol e passou a seguir o carro da vereadora por cerca de quatro quilômetros. Um segundo veículo teria encontrado o Cobalt no meio do caminho.

Segundo uma nova perícia feita no fim da tarde da última quinta-feira, 15, um total de 13 tiros de pistola, disparados a cerca de dois metros do veículo da vítima, atingiram o carro onde estava Marielle. Quatro disparos atingiram a vereadora na cabeça e outros três o motorista. Os autores do ataque fugiram sem levar nada.

De acordo com a polícia, os tiros foram disparados por pelo menos um atirador experiente, que começou a alvejar o carro quando o veículo ainda se alinhava com o da vereadora.

Marielle não tinha costume de sentar no banco de trás e os vidros do carro eram pretos, reforçando a linha de investigação de que o veículo estaria sendo observado há algum tempo.

A polícia já ouviu a assessora e mais uma testemunha não identificada que presenciou a ação. Todos os que testemunharam estão sujeitos ao programa de proteção a testemunhas.

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1 Opinião

  1. Natanael Ferraz disse:

    A polícia civil foi rápida em apontar que a munição usada no homicídio é da Polícia Federal.

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