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Reescrever a história

| 13/03/2009 | Enviar | Imprimir | Comentários: 10 | A A A |
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No último fim de semana, eu lia Desvios do Poder, do ex-Consultor da República Galba Veloso, para entender a legalidade da reunião com os prefeitos em Brasília, e descobri, no livro, uma lei sobre abusos de poder.

A lei 4898 trata com severidade a autoridade civil ou militar que praticar abuso de poder. A lei diz que todo cidadão tem o direito de agir penal e civilmente contra a autoridade, civil ou militar, que abusar do poder atentando contra a liberdade de locomoção do indivíduo, a inviolabilidade do domicílio, o sigilo da correspondência, o direito de união, a incolumidade física, privação de liberdade, como manter alguém sob custódia ou submetê-lo a vexame, não comunicar prisão ao juiz, prender mesmo com possibilidade de fiança — e por aí vai.

Agora, a minha surpresa: sabem de quando é a lei? De 9 de dezembro de 1965. Em pleno regime militar, sob a chefia do marechal-presidente Castello Branco. Lembrei-me de registrar isso porque no dia 17 último, a insuspeita Folha de S.Paulo, em editorial, chamou de ditabranda aquela época brasileira, em contraposição com ditaduras como de Fidel Castro e a disfarçada de Hugo Chavez.

Houve gente que ficou furiosa com a Folha, por causa do editorial. "Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ditabranda?" – perguntou uma professora da Faculdade de Educação da USP, segundo a Veja. Minha neta me fez a mesma pergunta, porque o professor dela contou que foram anos de chumbo, que ninguém tinha liberdade.

Desconfiei que o professor nem havia nascido em 1964 e ela me confirmou isso. Eu vivi aqueles tempos. Fui presidente de Centro Acadêmico em 1969. Fui jornalista do Jornal do Brasil de 1971 a 1979. Cobria política e economia e nunca recebi qualquer tipo de ameaça, censura ou pressão.

Sei que havia censura. Comigo, nunca houve. Sei que havia tortura. Certa vez me chamaram para identificação no DOPS, de suspeitos presos por um assalto ao Banco do Brasil, que eu havia testemunhado. Os dois estavam no chão, gemendo, com sinais evidentes de tortura. Fiquei revoltado e não fiz o reconhecimento. Nada me aconteceu.

Nesse último carnaval, contou-se que o governador do Rio preparou uma claque para afastar o temor de vaia para o presidente Lula — que no Rio já havia sido vaiado na abertura do Pan, no Maracanã. O temor existia, mesmo com o alto índice do presidente nas pesquisas de popularidade.

Lembro que o general Médici foi o mais duro entre os generais-presidentes. Mas ele entrava no Maracanã, de radinho no ouvido e cigarro no canto da boca,e quando aparecia na tribuna o estádio inteiro o aplaudia. E ele estava reprimindo os grupos armados de esquerda que sequestravam e assaltavam bancos.

Os carros dos brasileiros andavam com um plástico verde-e-amarelo que dizia "Brasil – ame-o ou deixe-o". Alguém explica isso? Os generais-presidentes foram todos eleitos pelo Congresso, onde havia oposição. O último deles, ao contrário de Fidel e Chavez que negam suas ditaduras, assumiu fazendo uma promessa: "Eu juro que vou fazer deste país uma democracia".

Coisa rara, um suposto ditador reconhecer que não governava numa democracia. Por tudo isso, já está em tempo de se esquecer a propaganda, os rancores, as mentiras, e reescrever nossa História recente. História sem verdade não é ciência, é indecência.

 

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10 opiniões para o artigo: Reescrever a história

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Opinião de EDVALDO TAVARES
Na data: 23 de maio de 2009 as 20:29

EU VIVI A HISTÓRIA DO REGIME MILITAR VIVIDA, NÃO A CONTADA. Em duas fases, foi por mim vivida, a primeira como estudante de medicina contestador e participante de passeatas contra o governo e a segunda como oficial médico do glorioso Exército Brasileiro nas fronteiras e selva amazônica. A parte estudantil está, em parte, relatada abaixo, Projeto Rondon. A parte profissional, primeiro-tenente, capitão e major médico de fronteira, na selva amazônica, nas fronteiras da Guiana Francesa, AP e com o Peru e Colômbia, região de narco-tráfico. Eu tenho relatado minhas vivências como oficial médico de selva no EB nos diversos artigos do O&N. Digo, a entrega do governo aos civis avacalhou o país. Tive várias provas de que compromissos dos militares com autoridades civis passavam a ser problemas para os militares. Para os militares: antes da hora não é hora, depois da hora não é hora, a hora é na hora. Pois bem, as autoridades civis chegavam aos compromissos horas depois da hora, apesar do governo ser militar. Havia falta de seriedade e responsabilidade nas autoridades civis. Embora tenha sido no serviço ativo um oficial superior disciplinado e cumpridor das regras e responsabilidades, prestigiado no meio militar, sofro até hoje as conseqüências do rigor governamental militar, da época, por ter exigido um direito que no governo Collor foi concedido a todos, mas, aos militares foi negado pelas autoridades militares mas que aos civis foi concedido – a compra dos imóveis funcionais – e até hoje os meus bens estão sob júdice e estou quitando o fruto da minha ousadia. Que ditadura militar é essa que puniu os militares do EB (oficiais e praças) que queriam comprar o imóvel funcional (apartamento em que o militar residia) e o vendeu aos civis que neles residiam, que exigiram o cumprimento da lei que o governo Collor de Mello criou e, eis a injustiça do país contra os militares que defenderam o Brasil nas áreas mais inóspitas desconhecidas dos brasileiros. Há um número de militares, desde coronéis até sargentos, vivendo em dificuldade extrema por causa desta punição, que os cidadãos embaixo desconhecem. Há uma ignorância e injustiça brasileira contra quem defendeu este país para que os brasileiros pudessem viver, talvez, em paz atualmente. Embora contrário a demora da entrega do governo aos civis, cito que estes não estão preparados para governar o Brasil e o estão esculachando e até mesmo o avacalhando ao extremo. “Che” Guevara foi covarde na hora de morrer, é herói da massa, ignorante, desinformada e foi fuzilador cruel, leiam a história, embora tenha sido médico leprologista. O regime militar não fuzilou ninguém e hoje pensa-se que este tenha sido um erro crasso. BRASIL ACIMA DE TUDO! SELVA! EDVALDO TAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA-DF.

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Opinião de WELLER MARCOS
Na data: 21 de maio de 2009 as 22:06

@Waldílio Siso,
Obrigado pelo elogio e mil desculpas pelo engano.
Foi um erro imperdoável, e nem sei como me redimir. A pressa, o texto longo e a expectativa da reação dos comentaristas levaram-me ao descuido. A pessoa que pretendi mencionar foi você e não o Mário. Tanto é verdade que ao citar o texto de sua autoria fica evidente o engano.
Adios Muchacho

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Opinião de Waldílio Siso
Na data: 21 de maio de 2009 as 19:47

WELLER MARCOS, Parabéns pelo o comentário, mas quem escreveu “Meu caro Alexandre, você só esquece que não existe apenas uma história” fui eu e não o citado Mário Clóvis, que por sinal, parabenizou Alexandre Garcia pelo artigo.

Waldílio Siso
(waldiliosiso@gmail.com)

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Opinião de WELLER MARCOS
Na data: 20 de maio de 2009 as 22:44

Vamos por etapas
O artigo é subjetivo desde a primeira linha com o Eu perseguindo o entendimento da legalidade. Depois o discurso caminha para a justificativa de atitudes em contraponto com uma determinada Lei apresentada como um troféu, uma conquista, um prêmio! É como se o autor pretendesse dizer: “A coisa poderia ter sido muito pior do que foi”, ou “Dêem-se por satisfeitos, pois tivemos que obedecer a Lei” A etapa comparativa do enfoque da Veja no protesto da professora, no indagar de uma jovem estudante ao professor; as relembranças do próprio autor narrando passagens de sua vida universitária, do seu peregrinar como jornalista – testemunhando com certa liberdade a tortura praticada no DOPS, são meras divagações. Na exposição que faz sobre acontecimentos no carnaval, e suposta insinuação do desejo do povo em vaiar o presidente na abertura do PAN o autor apenas prepara o terreno para o verdadeiro objetivo de saudar o seu amigo militar que mesmo sendo um Ditador nutria (aparentemente) certo gosto pelo futebol, indo de quando em vez aos estádios superlotados. A etapa seguinte parece uma comédia de Charplin: “Os carros dos brasileiros andavam com um plástico verde-e-amarelo que dizia “Brasil – ame-o ou deixe-o”. Alguém explica isso? Essa não é positivamente uma indagação que devesse sair da boca de um comunicador tão experimentado. Todos sabemos que os tais plásticos eram produtos de manipulação construídos pela mídia do Ditador. E o Congresso Nacional, vilipendiado, desmobilizado, manietado e constituído por grêmios construídos segundo a cartilha da Ditadura, jamais teriam autoridade moral para eleger quem quer que fosse como presidente da Nação – menos ainda os generais! E finalmente a contradição exposta, depois da comparação que não faltaria a um artigo deste naipe “Ditadura de Fidel” , “Ditadura de Hugo Chavez” – “Eu juro que vou fazer deste país uma democracia”. O milagre do arrependimento?! A etapa final é ótima e diz tudo: ” História sem verdade não é ciência, é indecência.
Esquecer a propaganda, os rancores, as mentiras!? – É como diz o Mário Clovis: “Meu caro Alexandre, você só esquece que não existe apenas uma história.” Eu digo: A nossa história ainda está sendo escrita pelo nosso próprio punho! Adios Muchachos

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Opinião de WELLER MARCOS
Na data: 20 de maio de 2009 as 21:08

@EDVALDO TAVARES,
Caríssimo Dr.Tavares,
Tentei calar-me diante de tantos equívocos projetados neste pequeno texto de sua lavra que tenho diante de meus olhos. Não tive coragem! Falou mais alto a voz da razão, e atrevo-me a compartilhar este debate, no único objetivo de buscar a realidade para alcançarmos a Justiça verdadeira. O senhor diz: “OS DIRIGENTES MILITARES NÃO MANDARAM TORTURAR. As torturas partiram de comandos militares, rebeldes, isolados, subordinados” – Então, os militares estavam insubordinados, uns contra os outros? A verdade é que militar só atua sob comando de militar – sendo, na época o Regime Militar, o próprio a comandar!
O senhor diz outra coisa que não é verdade – talvez por equívoco: “na época os estudantes estavam em guerra contra o governo militar.” – Não eram os estudantes que estavam em guerra. Eram os militares. Estes invadiram universidades, prenderam estudantes, dissolveram grêmios e diretórios estudantis, fecharam a UBES, a UNE, lacraram bibliotecas, proibiram reuniões em pátios de escolas e universidades, prenderam, inquiriram e violentaram com tortura e morte centenas de jovens estudantes. O estudante Jarbas Marques, que hoje vive em Brasília, passou 10 anos preso, foi torturado e humilhado pela Ditadura Militar. Não sei como o senhor fazia sua alimentação no Calabouço, pois os estudantes de Medicina, Direito e Filosofia comiam no CACO ou no Restaurante da Faculdade de Filosofia, que ficava próximo da Aliança Francesa. No Calabouço (próximo do Aeroporto Santos Dumont) comiam os secundaristas e alguns líderes operários integrantes da POLOP, do PCdoB e do PC. Outro ponto polêmico: “Os estudantes em todas as operações do PR em todo o Brasil ficaram, na maioria, instalados nas Unidades (quartéis) Militares e foram tratados com todo o carinho pelos militares.” -E a GUERRA!? Veja só o que o senhor continua afirmando: “Lembro mais uma vez, os estudantes eram inimigos dos militares. Eu participei de todos os PR regionais e nacionais até 1971. Não houve atrito de espécie alguma e nem doutrinação militar dos estudantes, surgiu, isto sim, uma grande amizade e respeito entre os estudantes e militares.” Em que devemos crer: nas primeiras ou nas últimas afirmativas!? O senhor chamar de COVARDE um herói da América, que tombou lutando, depois de ser traído – É CRUEL! O “CHE” nunca foi Ditador – ele era médico como o senhor – (Médico nos humildes campos, braço amigo dos fracos), jovem guerreiro – ERA! Altruísta, e um valente que lutava bravamente pelos pobres e miseráveis. É por isso que ainda hoje desfilam em todos os peitos da juventude, em todas as partes do mundo a sua imagem de herói! Perdoe-me senhor a história não pode ser escrita com tinta invisível. Um dia os teus filhos, os meus filhos, os filhos de todos os homens sacrificados terão a felicidade de dizer: Nossos pais, embora com ideais divergentes foram corajosos buscando no diálogo a luz da verdade e da Justiça!
Adios Muchacho

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Opinião de EDVALDO TAVARES
Na data: 19 de maio de 2009 as 19:59

OS DIRIGENTES MILITARES NÃO MANDARAM TORTURAR. As torturas partiram de comandos militares, rebeldes, isolados,subordinados. O atentado do Rio Centro foi ação isolada do comando da la. Região Militar, RJ mas não foi determinação do comando do EB. Não foi divulgado, mas o fato chocou toda a Força Terrestre. No governo militar, 1967, foi criado o Projeto Rondon (PR),uma equipe piloto de estudantes da Universidade do Estado da Guanabara, RJ, foi enviado pela Coordenação do PR, subordinada ao Ministério do interior foi enviada para Cruzeiro doSul, Acre – na época os estudantes estavam em guerra contra o governo militar. Em 1968, eu participei como estudante de medicina no PR-1, em Jauareté, Amazonas, fronteira com a Colômbia, região da Cabeça do Cachorro. Era um efetivo de quase 1700 estudantes de nível superior. Na época tinha participado de passeata contra o regime e era comensal do Restaurante do Calabouço e ninguém mandou investigar a minha ideologia política e se eu tinha participado de algum movimento e eu tinha uma carteirinha de associado a ULES (União Leopoldinense de Estudantes Secundários). Os estudantes em todas as operações do PR em todo o Brasil ficaram, na maioria, instalados nas Unidades (quartéis) Militares e foram tratados com todo o carinho pelos militares. Lembro mais uma vez, os estudantes eram inimigos dos militares. Eu participei de todos os PR regionais e nacionais até 1971. Não houve atrito de espécie alguma e nem doutrinação militar dos estudantes, surgiu, isto sim, uma grande amizade e respeito entre os estudantes e militares. Digo também que houve intensa participação de professores das universidades. Outra coisa tem de ser dita: não houve registro algum de estudante ter presenciado presos políticos e torturas em quartéis. Se houve prisões e torturas é bom lembrar que os militares estavam em guerra contra um inimigo cruel e que não os fuzilou como fez Fidel Castro, Ernesto “Che” Guevara (o covarde) e demais ditadores do regime comunista. BRASIL ACIMA DE TUDO! SELVA! EDVALDO TAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA-DF.

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Opinião de Waldílio Siso
Na data: 7 de abril de 2009 as 13:06

Meu caro Alexandre, você só esquece que não existe apenas uma história, sua própria expressão “reescrever a história” sinaliza bem isso. É bem verdade que não foi a maioria da população que foi torturada, oprimida, assassinada e isso não aconteceu de forma homogênea em todo país, continental país diga-se de passagem, mas não se pode negar que houve muito mais violência institucional naquela época no Brasil que esse seu artigo insensato por natureza, possa mensurar… creio que não é dessa forma que se pode reescrever a história, com a mesma generalização dos que a escreveram antes. Faz-se necessário pontuações… deixar os extremos e passear hermeneuticamente pelos fatos.

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Opinião de Mario Clovis
Na data: 31 de março de 2009 as 16:56

Mais uma vez, encontro alguém que tem a coragem de dizer uma verdade que precisa ser dita. Porém, ainda são poucos!
Claro que naquele período em que esse país foi governado por militares havia muitas arbitrariedades, porém comparado com o que acontece na China, em Buba e na Venezuela, quero crer que foi bem menos que é gritado aos quatro ventos por algumas pessoas, que fazem uma leitura deturpada de Marx.
A História é única! As diversas versões que são dadas a ela, que podem deixá-las um tanto quanto vergonhosa.
Tulcídides sentiria orgulho das palavras de Alexandre Garcia. Meus parabéns!

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Opinião de Victoria Khatounian
Na data: 17 de março de 2009 as 9:16

Muito boa matéria.

Só fiquei surpresa por nunca terem censurado Alexandre Garcia…afinal, com uma visão crítica dessas era de se esperar que o gorverno não deixasse barato! Vladmir Herzog deve estar vibrando em seu túmulo.

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Opinião de Dorival Silva
Na data: 13 de março de 2009 as 21:02

É bom ver Alexandre Garcia pondo os pingos nos iis.

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Atualizado 11/03/2010 18h45