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Palestra no Rio

Não podemos vencer o narcotráfico sem regulamentação, diz Pepe Mujica

Em palestra no Rio de Janeiro, ex-presidente uruguaio levanta a bandeira da igualdade e fala da regulamentação das drogas

Não podemos vencer o narcotráfico sem regulamentação, diz Pepe Mujica
Palestra recebeu ao menos seis pessoas na Concha Acústica da UERJ (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, foi recebido por uma multidão na Concha Acústica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A conferência de Pepe estava marcada para a última quinta-feira, 27, às 18h, mas começou com algum tempo de atraso, o que não tirou a animação do público, majoritariamente jovem. Ao subir ao palco, o senador uruguaio foi ovacionado pela plateia e defendeu a união e a igualdade.

“Recebam vocês o meu agradecimento. Tenho 80 anos, mas uma vez fui jovem. A minha geração não conseguiu, mas vocês têm que seguir levantando a bandeira da igualdade. É para se pensar como espécie, não como países. Os povos da África não são da África, são nossos. Os que morrem tentando atravessar o Mediterrâneo são nossos”, disse Mujica.

Não houve cálculo oficial do público da palestra, mas, de acordo com a segurança da universidade, a concha comporta até 6 mil pessoas. Havia também um telão no estacionamento da instituição para as pessoas que não conseguiram acessar o local da palestra antes da lotação. As varandas do prédio principal da UERJ também ficaram lotadas durante o discurso do ex-presidente uruguaio.

Inicialmente, o evento estava marcado para o teatro Odylo Costa Filho, que tem capacidade para 950 pessoas, mas a grande procura motivou a transferência para o anfiteatro ao céu aberto da Universidade.

Debate sobre descriminalização das drogas

Entre os temas abordados por José Mujica, um dos mais polêmicos foi sobre a descriminalização das drogas. Pepe ganhou projeção internacional por aprovar a regulamentação da maconha em seu país. Segundo ele, a única forma de combater o tráfico é com a regulamentação.

“Não é para dar ao filho e dizer: ‘use’. É uma praga. Mas não podemos vencer o narcotráfico sem essa regulamentação. Estamos perdendo a guerra. Vai dar resultado? Não sabemos. Mas o que sabemos é que temos uma montanha de presos que não precisávamos ter. Quando digo regulamentar, quero dizer nos assegurarmos que o consumidor tem a opção de comprar sem precisar recorrer ao narcotráfico. Porque, se ele precisa fazer isso, aí sim é um inferno. Se temos um mundo clandestino, quando se identifica a pessoa que está com vício, já é tarde. Já não podemos tratá-la apenas como doente”, explicou Mujica.

A presença do uruguaio coincide com o momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) debate a descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal. O primeiro voto foi do ministro Gilmar Mendes, a favor da descriminalização, os outros dez membros do STF ainda irão apresentar a sua posição, o próximo é Edson Fachin, que tem até o dia 31 para divulgar sua resposta.

Fontes:
O Globo-José Mujica diz que, sem regulamentação, guerra contra narcotráfico será perdida

3 Opiniões

  1. Apolonio Prestes disse:

    Beraldo Dabés demonstra desconhecimento da história. Getulio Vargas era “capitalista radical de direita”? E o Prof. da USP FHC, cassado e exilado, também? Acho que está mais para desonestidade intelectual que ignorância.

  2. Beraldo Dabés Filho disse:

    Por que um sujeito supostamente marxista, comunista e guerrilheiro deve ser tratado como um incompetente? Por acaso os “capitalistas” radicais de direita que estiveram no poder central do Brasil de 1500 até 2002 não estão fazendo de tudo para retomar o poder, melhor dizendo, para atingir seus objetivos? Aliás, foi o que sempre fizeram…basta olhar no retrovisor do Golpe Militar de 1964, quando Magalhães Pinto, Carlos Lacerda e uma meia dúzia de Generais da Direita Radical, coordenados por um bos… de um embaixador americano, cumprindo ordens da CIA, derrubaram um Presidente eleito, sob o frágil pretexto de que a Reforma Agrária representaria a comunização do Brasil. Não há nada de rancor, mas tão somente a luta pelo poder…Em tempo: a cachaça brasileira, produzida e até incorporada ao “folclore” brasileiro pelos “senhores de engenho” propalada mundo afora, sempre rendeu uma fortuna de impostos ao governo, astronômica fonte de renda. Para um bom entendedor…(!?)

  3. Braziliano disse:

    Impressiona o grau de omissão da mídia no Brasil.
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    O Sr. Mujica é marxista e participou de atividades de guerrilha.
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    Os grupos marxistas atuantes na A.L., utilizam o tráfico de drogas como fonte de renda. É bom lembrar o rancor que marxistas nutrem contra o que eles nominam como burguesia. Rancor este que os libera para usar de quaisquer meios para atingir seus objetivos.
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    Só um ingênuo para acreditar que os traficantes vão ficar só “amuadinhos e sem reação” perante a “brilhante” decisão do camarada Mujica.
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    Ou será que o marxista Mujica não está, talvez a pedidos, regularizando os traficantes?

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