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Nasce Nise da Silveira

Em 15 de fevereiro de 1905, nasce Nise da Silveira, psiquiatra celebrada por se rebelar contra a política de manicômios, eletrochoques e isolamento de pacientes

Nasce Nise da Silveira
Nise enxergava na arte e no convívio uma alternativa para a recuperação de pacientes (Foto: Wikipedia)

Nise da Silveira foi uma psiquiatra alagoana celebrada por sua atuação contra a política de manicômios, a exclusão e o uso de tratamentos violentos, como o eletrochoque, em pacientes com transtornos psiquiátricos.

Nascida em 15 de fevereiro de 1905 – filha da pianista Maria Lídia da Silveira e do professor de matemática Faustino Magalhães da Silveira – Nise sempre foi dedicada em seus estudos. Ela ingressou em 1926 na Faculdade de Medicina da Bahia, para cursar psiquiatria. Em 1931, ela se formou, sendo a única mulher entre 157 homens formados naquele ano.

Na época em que Nise iniciou sua vida profissional, o Brasil impunha uma política de isolamento e estigma de pessoas com transtornos mentais. Nise se rebelou contra essa política, enxergando na arte, no convívio e na interação com animais uma alternativa para a recuperação de pacientes.

Diferentemente do pensamento vigente na época, Nise não dividia as pessoas entre “loucos” e “normais”. Para ela, pacientes com problemas mentais eram “pessoas no meio do caminho”. Além disso, ela acreditava que cada ser humano carrega um grau de loucura que, por vezes, se faz necessária para a sobrevivência.

Em uma de suas frases mais célebres ela chega rejeitar o juízo pleno e total: “Não se cura além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas”.

Durante o Estado Novo, Nise foi presa acusada de envolvimento com o comunismo. Ela foi denunciada por uma colega de trabalho enfermeira pela posse de livros marxistas. Nise passou 18 meses presa entre 1936 e 1944, no presídio Frei Caneca, no Rio de Janeiro, onde também se encontrava preso o escritor Graciliano Ramos. Nise dividiu cela com Olga Benário, militante comunista alemã na época era casada com Luís Carlos Prestes.

Na prisão, ela conheceu Graciliano, que anos mais tarde, a citou em seu livro Memórias do Cárcere (1953). “Lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do hospital, dos seus queridos loucos. Sabia-se culta e boa. Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se, como a escusar-se a tomar espaço”.

Após passar um período na clandestinidade, em 1944 ela foi reintegrada ao serviço público, e passou a trabalhar no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Rio. Lá, ela se rebelou contra técnicas praticadas, como eletrochoques, camisas de força e isolamentos de pacientes, o que gerou atritos com colegas de profissão.

Em contraponto, Nise implementou métodos alternativos para tratar pacientes. Ela estimulou os mesmos a expressarem seus sentimentos através de pinturas. O tratamento rendeu bons resultados no comportamento dos pacientes. Alguns acabaram criando verdadeiras obras de arte, tendo o trabalho exposto no Museu De Imagens Do Inconsciente.

Nise também permitia que pacientes cuidassem de cachorros vira-latas que viviam nos pátios do hospital, pois considerava que a interação com animais tinha um grande valor terapêutico.

Nise recebeu vários prêmios por sua atuação diferenciada na psiquiatria. Em 1957, ela foi convidada pelo psiquiatra suíço Carl Jung para passar um ano estudando com ele no Instituto Junguiano, na Suíça.

Ela retornou ao Brasil, em 1958, quando criou o Grupo de Estudos C. G. Jung no Rio de Janeiro, que coordenou até morrer, em 1999. Atualmente, a história de Nise é contada no filme “Nise – O coração da Loucura” (2015), de Roberto Berliner.

Fontes:
Huffpost Brasil-Quem foi Nise da Silveira, a mulher que revolucionou o tratamento da loucura no Brasil

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