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Negociação com caminhoneiros expõe racha na categoria

Parte da categoria convoca uma paralisação, prevista para o próximo dia 29 de abril. Enquanto isso, outras lideranças dialogam com o governo

Negociação com caminhoneiros expõe racha na categoria
Nova paralisação foi convocada para o dia 29 de abril (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Representantes do governo federal vão se reunir com líderes dos caminhoneiros na próxima semana para tentar evitar uma nova paralisação da categoria, que foi convocada para o dia 29 de abril. Enquanto uma parcela da categoria quer manter o diálogo aberto com o governo, outra busca pressionar o Estado.

Os ministros da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e da Agricultura, Tereza Cristina, vão ser os representantes do governo. Os caminhoneiros serão representados por Wallace Landim, um dos principais líderes da paralisação de 2018, e outras lideranças. A reunião vai acontecer no Espírito Santo.

No entanto, Wanderlei Alvez, o Dedeco, não parece satisfeito com os diálogos até o momento. Principal nome a convocar a greve para o dia 29, Dedeco quer batizar o movimento de “Lorenzoni”, em homenagem ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Segundo Dedeco, a greve é para “ninguém esquecer que ele [Lorenzoni] sabia com que deveria negociar”.

Isso porque, Dedeco argumenta que as lideranças que vão se reunir no Espírito Santo não representam os caminhoneiros. Dedeco revelou, em entrevista à Folha de São Paulo, que negociava com Lorenzoni até dias atrás, quando foi bloqueado no WhatsApp pelo ministro. A assessoria de imprensa do Lorenzoni não respondeu à Folha sobre as supostas negociações.

Os líderes que se reunirão na próxima semana acreditam que a implementação, com sucesso, do Documento de Transporte Eletrônico (DT-e) pode tranquilizar os caminhoneiros que fortalecem a possível paralisação – em geral, autônomos. O DT-e, basicamente, vai garantir o cumpirimento da tabela de frete, que é uma das principais pautas da categoria.

Landim, mais conhecido como Chorão, é o presidente da Cooperativa dos Transportadores Autônomos do Brasil (Brascoop). Ele é um dos principais defensores do diálogo com o governo. Em entrevista ao Congresso em Foco, o caminhoneiro admitiu saber da difícil situação de todos, mas ressaltou que espera que consigam “resolver todas as questões a tempo de salvar a todos”.

Segundo Chorão, os caminhoneiros passaram a se organizar melhor desde a greve do ano passado, mas ainda não há “lideranças estabelecidas”, com muitos dos diálogos ocorrendo através de grupos do WhatsApp.

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que representa cerca de 600 mil caminhoneiros, por outro lado, revelou que os profissionais da categoria estão “enfurecidos” com o novo aumento do óleo diesel. Ademais, destacou a enorme quantidade de queixas e outras pautas ainda não atendidas.

“A Abcam entende que, apesar do esforço feito pelo governo federal em buscar soluções para algumas reivindicações dos caminhoneiros, ainda não foram resolvidos os principais obstáculos: o cumprimento e a fiscalização da tabela mínima de frete e a oscilação constante dos preços do diesel. […] As medidas anunciadas pelo Ministério da Infraestrutura são positivas, entretanto, ainda deixam alguns questionamentos: Quais serão as regras, prazos e condições para abertura de crédito para os caminhoneiros?”, destacou a Associação através de uma nota. Apesar disso, afirmou que “ainda não é possível afirmar que a categoria está se organizando para uma nova paralisação”.

Disputa na categoria

O racha nas lideranças da categoria se dá por uma disputa entre Chorão e Dedeco. Ambos foram candidatos a deputado federal em 2018, mas não conseguiram se eleger. Neste ano, Chorão se aproximou do governo para negociar, enquanto Dedeco não teve o mesmo êxito.

Com os caminhoneiros descontentes pela falta de apoio às pautas, Dedeco bancou a nova paralisação para o próximo dia 29 de abril. Os líderes mais enfurecidos acusam Chorão de estar alinhado com o governo, se afastando das prioridades da categoria. Chorão, por outro lado, acusa esses líderes de estarem com “ciúmes”, garantindo que está trabalhando em prol dos caminhoneiros.

Leia também: Bolsonaro não pode interferir em preços de combustível, diz porta-voz

Fontes:
Folha de São Paulo-Líder dos caminhoneiros quer batizar de 'Lorenzoni' nova paralisação
Correio Braziliense-Governo se reúne com caminhoneiros para tentar demover ameaça de greve
Congresso em Foco-Governo teme greve e fará nova rodada de conversas com caminhoneiros na próxima semana

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3 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    Se a intervenção militar e a FAXINA GERAL ainda está de pé nos protestos dos caminhoneiros, apoiamos!

  2. Analdo Bernardo disse:

    Lamentável, tal situação, porém estamos refém de uma categoria em razão de politico corruptos do passado, poderíamos esta livre dessa situação se os políticos roubasse menos e construíssem as malha sobre trilhos, nesse Brasil com um congresso e um supremo na linha da marginalização, não tem presidente que dê jeito, a não ser fechar o congresso e o supremo, sobre interdição militar, colocando alguns deputados na cadeia ou exilando todos para cuba e Venezuela.

  3. antonio fleix disse:

    O Chorão realmente é uma liderança dos autonomos? Ele criou um cooperativa…… quantos cooperados? Ligações com políticos da região de Catalão. Ele tem caminhão? Quanto tempo efetivamente foi motorista de caminhao?

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