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Coluna Esplanada

Ninguém ajuda o capitão Levy

O Brasil pode quebrar se não seguir à risca o pacote esboçado por ele para recolocar a nau no rumo. Mas ninguém, ninguém ajuda o capitão

Ninguém ajuda o capitão Levy
Levy encontra uma série de obstáculos dentro do próprio Governo que o convocou (Fonte: Reprodução/Agência Brasil)

A arrogância de Luiz Inácio Lula da Silva em não reconhecer anos atrás uma crise mundial que afetaria diretamente o Brasil — ‘é marolinha’ — e a petulância de igual tamanho da atual presidente da República, Dilma Rousseff, em recorrer a atos precipitados sem saber ouvir o mercado — tampouco os conselheiros próximos — deu no que deu: o Brasil mergulhou numa crise com recessão e economia estagnada que, no melhor dos cenários poderá dela sair em dois anos, especulam empresários. Foi chamado então um homem de mercado e ligado aos bancos que seguram o País, Joaquim Levy, como salvador da Pátria. Mas desde que assumiu, o que Levy encontra é uma série de obstáculos dentro do próprio Governo que o convocou.

Exímio navegador das (sujas) águas da Baía da Guanabara, sua terra natal, Levy usou da metáfora para explicar o seu cenário: é preciso evitar que o barco vá para os rochedos. O que não quis dizer, para não causar tumultos na praça, é que o barco está à deriva e já costeia as rochas. O Brasil pode quebrar se não seguir à risca o pacote esboçado por ele para recolocar a nau no rumo. Mas ninguém, ninguém ajuda o capitão.

A presidente Dilma, que contratou o especialista e lhe deu carta branca, não manda mais no próprio Governo. Este possui três ministros da Fazenda — Levy, o oficial, e outros dois que se metem a dar palpite demasiado na sua pasta: os economistas Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento). Barbosa, aliás, fechado com Mercadante, meteu os dedos no rascunho feito pelo inquilino da Fazenda no corte do Orçamento de 2015 e desagradou a Levy. Foi Barbosa quem foi aos holofotes anunciar com pompas o plano do colega de Esplanada. Um episódio lamentável.
E quando o problema não vem do Palácio do Planalto ou colegas de escalão, aparece do Congresso Nacional. Levy tem pacote sério de ajuste fiscal que recoloca o Brasil no eixo do desenvolvimento em dois anos. Mas não esperava entraves surpreendentes nas duas Casas dos nobres parlamentares. Por mero capricho e interesses não muito claros, os deputados e senadores desfiguram suas propostas — essenciais para reforçar o caixa do Tesouro. Impõem ‘condições’, ora ao Planalto (cobrando liberação de emendas num Governo sem caixa), ora beneficiando setores que bancam suas campanhas, como no caso da manutenção da desoneração da folha de pagamento — o projeto original onera para todos os 56 setores outrora beneficiados, mas alguns, por benesses dos deputados e interesses obscuros, escaparam do aumento da alíquota sobre faturamento.

Presidente do Senado, Renan Calheiros piorou o cenário. Primeiro, informou a Levy que vai derrubar todos os acordos dos deputados nesta questão da folha. Beleza. Volta tudo ao projeto original. Mas o que parecia sensatez tornou-se, aos olhos do Governo, outra jogada: o senador vai esticar para o fim do segundo semestre legislativo a votação do projeto, que renderia este ano R$ 12 bilhões para a União. Conota que, ao derrubar o projeto da Câmara, Renan quer iniciar renegociação com os lobistas dos setores que pedem manutenção das bondades. Um acordo agora pelo Senado.

Com aliados assim, o ministro da Fazenda não precisa de inimigos. Um Congresso assaltante, uma presidente sem poder, e colegas de olho no seu cargo.

Comandante de fato

O ex-senador boliviano Roger Molina, que fugiu para o Brasil com ajuda do diplomata Eduardo Saboya, ainda não conseguiu seu refúgio oficial no País, protocolado há meses no Ministério da Justiça. Mas acaba de pegar seu brevê de piloto de helicóptero na Agência Nacional de Aviação Civil. Procura emprego.

Del Nero & Maluf

É muito mais que questão de agenda a permanência do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, em território nacional. Chegou aos ouvidos dos seus advogados a suspeita de que ele tem mandado de prisão na mão do FBI e na mão da Interpol tão logo pise no aeroporto internacional mais próximo do Brasil.

Assim, Del Nero faltou na segunda à reunião deliberativa da FIFA em Zurique. Não foi também para o Chile, na Copa América, e para Nova Zelândia, prestigiar a seleção no Mundial Feminino.

Del Nero entrou para o seleto grupo do qual faz parte Paulo Maluf: o dos milionários aprisionados no Brasil. Para um rico, não há castigo maior que não poder desfrutar de um vinho em Paris, uma praia em Miami ou um museu em Nova York.

Em tempo, Ricardo Teixeira, o padrinho de todos, pouco sai de casa na Barra da Tijuca.

Com Equipe DF, SP e Nordeste

3 Opiniões

  1. jayme endebo disse:

    O ministro Levy perde o seu tempo e se desgasta com problemas que não foi ele quem os criou, se fosse outra pessoa já teria largado o cargo a muito tempo, o ex-ministro Pedro Malan lutou muito e resolveu a nossa dívida externa com profissionalismo e sem bravatas abrindo caminho pra estabilidade da moeda. A sociedade não reconhece e já até o esqueceu e estes petista jogaram todo trabalho dele no lixo, bando de irresponsáveis.

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    Infelismente eu tenho que usar o nome de um programa Global : E AI “VAI FAZER O QUE?”

  3. Roberto Henry Ebelt disse:

    Em um torneio de IRRESPONSABILIDADE FISCAL entre Grécia e Brasil, a disputa seria acirrada.
    E a marolinha do molusco (a)cefalópode foi de chorar pela imbecilidade de quem nos “governava”.

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