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Símbolo polêmico

No Brasil, bandeira confederada é enfeite sem relação com racismo

Considerada racista nos EUA, bandeira, no Brasil, é associada a roqueiros e a descendentes de confederados no interior de São Paulo

No Brasil, bandeira confederada é enfeite sem relação com racismo
Bandeira enfeita a cidade e as roupas dos habitantes de Santa Bárbara d' Oeste durante a Festa Confederada (Foto: Wikimedia)

Alvo de polêmica nos Estados Unidos, a bandeira dos Estados Confederados é utilizada como enfeite por motociclistas e roqueiros no Brasil, além de decorar uma festa anual de descendentes dos confederados de uma pequena cidade no interior de São Paulo. No Mercado Livre, uma empresa de comércio eletrônico, é possível encontrar bandeiras, cintos e outros produtos com o desenho da bandeira por preços que variam de R$ 7 a R$ 150. O símbolo dos antigos estados confederados americanos, que remete à escravidão nos Estados Unidos, é vendido no site de compra e venda brasileiro em anúncios do tipo “perfeito para decorar sua… festa junina”.

Mas afinal, qual o problema da bandeira? A Confederação foi uma aliança de estados do Sul que queriam manter a escravidão nos EUA. Essa foi uma das causas que deu início à guerra civil norte-americana, que durou quatro anos e terminou com a vitória do norte. A bandeira dos Confederados foi mantida como símbolo de alguns estados do Sul ao longo dos anos sob o argumento de que ela representa parte da história do país e da herança dos habitantes do Sul. No entanto, ela também é considerada racista devido à sua ligação com o passado de escravidão e à apropriação por grupos supremacistas.

A atriz Whoopi Goldberg chegou a comparar a bandeira com a suástica, símbolo da Alemanha nazista. “Seria como ter a bandeira com a suástica voando na casa do seu vizinho ao lado”, disse durante um programa de auditório da emissora ABC.

Recentemente, a polêmica da bandeira voltou à tona, quando um militante racista matou nove fieis negros de uma igreja da comunidade negra de Charleston, na Carolina do Sul. Como o autor do crime, Dylann Roof, apareceu em fotos na internet posando com a bandeira, houve forte pressão política por sua proibição. Com isso, redes varejistas americanas como Amazon, eBay e Walmart suspenderem sua venda. Nesta quinta-feira, 9, a Câmara dos Deputados da Carolina do Sul aprovou derrubar a bandeira confederada do Capitólio. Nikki Haley, governadora republicana, disse que era “um novo dia na Carolina do Sul, um dia que todos nós podemos estar orgulhosos”, depois que o projeto de lei foi aprovado.

Mas enquanto isso, aqui no Brasil, a bandeira circula livremente. Em Santa Bárbara d´Oeste, São Paulo, a Festa Confederada é um evento anual em que descendentes dos confederados americanos celebram alguns dos estereótipos do sul dos EUA, como dançar “square dance” (algo parecido com “quadrilha”), comer frango frito, ouvir música country e decorar a cidade com a bandeira dos confederados. Para eles, a bandeira é mais um símbolo étnico do que político.

Já no centro de São Paulo, a bandeira confederada pode ser encontrada em lojas da região da alameda Barão de Limeira, especializada em artigos para motociclistas, e na Galeria do Rock, na avenida São João. Nos EUA, bandas de rock vindas dos antigos estados confederados, como Lynyrd Skynyrd e Allman Brothers, já usaram a bandeira em shows e clipes, mesmo sendo alvos de polêmica.

 

Fontes:
Folha de S. Paulo-No Brasil, bandeira confederada é enfeite para motociclistas e roqueiros
G1 - Centro de polêmica nos EUA, bandeira confederada é celebrada no interior de SP

1 Opinião

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Ignorâncias à parte, poderiam proibir os crucifixos, já que a cruz era um instrumento de tortura que serviu para matar o Jesus.

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