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OSB perde patrocínio

No país do futebol, música clássica não tem vez

Prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes suspende patrocínio da OSB com a justificativa de que precisa de verba para os grandes eventos esportivos

No país do futebol, música clássica não tem vez
Músicos souberam do corte do patrocínio em jornal de sábado (Divulgação)

A Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu cancelar o repasse de R$ 8 milhões que havia prometido à Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) este ano. O valor representa 20% do orçamento da sinfônica, de R$ 40 milhões, e foi suspenso formalmente através de carta assinada pelo prefeito Eduardo Paes em 18 de março. A justificativa para a suspensão citada na carta é a necessidade de poupar fundos para grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados na cidade.

O superintendente geral da Fundação Orquestra Sinfônica, Ricardo Levisky, pediu calma aos músicos e funcionários da orquestra, que foram pegos de surpresa no sábado, quando souberam do corte através de matéria veiculada no jornal O Globo. Levisky enviou um comunicado aos membros da orquestra pedindo que “todos continuem focados” e prometendo engajamento na retomada do diálogo com a prefeitura.

“Estamos pleiteando encontro com o Prefeito que sempre foi muito parceiro da OSB. Toda grande cidade tem uma grande orquestra”, disse Levinsky. A situação, entretanto, tem contornos de algo definitivo, pois veio através de uma carta formal, assinada pelo próprio prefeito, que já disse através de sua assessoria que não pretende se pronunciar sobre a decisão. Pelo que tudo indica, a torneira fechou mesmo e não tem volta.

A OSB funciona com a seguinte proporção orçamentária: 20% patrocínio da Secretaria de Cultura Municipal, 70% de verba doada pela iniciativa privada, incluindo as leis de incentivo, e 10% com verba de bilheteria e doações.

Feridas abertas

Após uma crise na orquestra  em 2011, entre o regente titular Roberto Minczuk e parte dos músicos, que se recusaram a se submeter a novos testes de qualificação exigidos pelo regente, a Fundação OSB tem mantido duas orquestras: a OSB e a OSB “Ópera&Repertório”, formada pelos músicos dissidentes readmitidos. As duas orquestras são independentes, dividem o orçamento, e quase não se falam.

Do lado dos músicos, a notícia da suspensão do repasse gera temores sobre possíveis novas demissões. De acordo com alguns deles, Levisky se reuniu, no sábado, com os integrantes da OSB, mas ainda não esteve com a OSB O&R.

Fontes:
Estadão - OSB perde patrocínio da prefeitura do Rio de Janeiro

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6 Opiniões

  1. flávio gonçalves bastos disse:

    Estimular a cultura nunca foi a prioridade de nossos políticos, isso abriria os olhos de muitos!!!!!

  2. cesar H Arthou disse:

    E’ dificil entender uma cidade que restaura o Municipal, a Sala Cecilia Meireles, tenta inaugurar a Cidade da Musica e agora corta despesas de sua Orquestra.

  3. Pereira disse:

    ABSURDO!!! POR ISSO É QUE NÃO SAÍMOS DA LAMA.
    JAMAIS VOTAREI EM QUALQUER ELEMENTO DESSE GOVERNO.
    O QUE ESPERAR DE UM GOVERNO DURANTE O QUAL FOI ROUBADA A PENA DE OURO, NUM MUSEU ONDE A MÃE DO GOVERNADOR É DIRETORA?
    VERGONHA!!!

  4. tutty gualberto disse:

    Que vergonha! É duro ser brasileiro…

  5. Áureo Ramos de Souza disse:

    Um erro grave que li foi a divisão e se formar duas orquestra, outro é o prefeito cortar a verba através de carta, que prefeito xula é esse? verba para cultura e em se tratando de uma orquestra sinfônica isso não existe. Se a verba é para a orquestra não pode ser desviada para outro evento, isso me cheira mal.

  6. olbe disse:

    Acho que esta história não está bem contada. O prefeito escrever uma carta dizendo que vai cortar o orçamento dos músicos pq precisa de dinheiro pros jogos???????? Em que País nós vivemos? Simplesmente não estou entendendo…

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