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Grita Brasil

No país do insignificante!

Esse papo de que nada do que está acontecendo é grave é conversa para boi dormir. E, até onde eu sei, o boi cansou de dormir

No país do insignificante!
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Dilmaa

Somos só um tiquinho insignificantes

Quando, e somente quando, o governo encarar tudo de frente, de peito aberto, com coerência, com coragem e transparência verdadeira é que talvez possamos começar uma nova caminhada. Ou simplesmente respirar aliviados.

Esse papo de que nada do que está acontecendo é grave é conversa para boi dormir e até onde eu sei o boi cansou de dormir.

No passado, ouvimos que a crise mundial era uma simples marolinha para o Brasil. Que a culpa da crise era daquela “gente branca de olhos azuis”. Frases cunhadas por Lula, o pai de todos os males que estamos vivendo hoje. É também de Lula a análise de que o rebaixamento sofrido pelo Brasil não significa nada. Assim como o ministro Levy acha que a criação do CPMF que iria se chamar CPPrev, que iria ajudar no rombo da Previdência, é um imposto “pequenininho” por estarmos falando de dois milésimos. Esquece-se o ministro que esse pequenininho imposto se agiganta quando este é cobrado em cascata. Será mesmo que é esquecimento? E Levy ainda diz que é só por um tempinho. É coisa temporária. Será que o ministro nunca escutou ou estudou Milton Friedman que dizia: “nada é mais permanente do que medidas temporárias”.

É, todos estão redondamente enganados e o Brasil é um poço de vitalidade. Cala a boca, Lula!

Na verdade, insignificantes somos nós que estamos no meio do tiroteio vendo empresas morrerem, empregos morrerem, planos e sonhos morrerem enquanto o próprio governo se mostra cego e completamente dividido. E quando digo dividido é uma parte querendo caviar e aumento de impostos e a outra parte preferindo frango e corte nas despesas, mas de forma verdadeira. Sem falar que o governo está completamente perdido. Uma hora fala em ressuscitar a CPMF, depois descarta e depois vê nela uma solução. Mas está perdido porque quer, porque não tem coragem de bancar medidas que rasgariam a própria carne e poderiam desagradar certas pessoas. Antes eles preferem rasgar a nossa. Dói menos. Ou melhor, dói é nada. E quanto a nos desagradar, qual o problema? “Amanhã” tudo é passado. Tudo foi esquecido.

O governo declarou na última sexta-feira (11), que só aumentará tributos após reduzir gastos, e logo depois, na segunda-feira (14), propôs um aumento de R$ 40, 2 bilhões na arrecadação – óbvio via aumento de impostos, a menos que alguém tenha uma máquina de imprimir dinheiro – e um corte de apenas R$ 26 bilhões nas despesas.

Diante disso realmente dá para acreditar no que o governo fala? Será que estamos diante de um governo com bipolaridade, psicologicamente falando?

Mas se o governo acha que com medidas ridículas, que chegam a ser uma cusparada na nossa cara, vão conseguir nos convencer de que estão fazendo a parte deles… Sei não.

E foi então que o governo – e nem sei como – resolveu cancelar a compra de prataria que seria usada nas cozinhas dos palácios presidenciais. Mas mesmo assim a crise não foi suficiente para impedir a compra de objetos de luxo, como em abril, por exemplo, quando foi autorizada a aquisição de dez baldes de gelo térmico no valor de R$ 9 mil. Mas cancelaram a compra de fogões e fornos elétricos com custo de R$ 400 e R$ 8 mil por unidade. Ah então, o que são dez baldes?

Enquanto o próprio governo não se encontrar e continuar com essa briga de egos, a coisa não vai evoluir. Será que eles não poderiam brigar politicamente em outro momento? Precisava ser agora? É necessário se sentar à mesa e debater esquecendo-se dos partidos. Nesse momento deveríamos ser do partido Brasil.

Mas infelizmente não vemos o partido Brasil ser defendido. No Congresso, a negociação do pacote fiscal é tensa e os partidos de oposição estão firmes em negar qualquer possibilidade de respiro ao governo. Até mesmo alguns da situação se recusam a ajudar, acusando Dilma de estar sendo fraca diante das exigências de seu ministro Joaquim Levy.

Aí fica muito complicado, né? Mas tenho que concordar com o presidente da CUT, Vagner Freitas, quando este diz que “o pacote que o governo quer nos imputar é totalmente recessivo e imputa a culpa da crise aos trabalhadores”.

Sei que todos deveriam em algum momento se juntar e se ajudar. Fazer a sua parte no sacrifício pelo bem comum. Mas o governo Dilma tem tomado atitudes de tal maneira que as únicas pessoas que estão sendo sacrificadas até agora somos nós que não temos culpa da crise que estamos passando. A “nossa” (entre aspas, pois não votei no PT) culpa é outra. Ter colocado essa gente em Brasília é “nossa” máxima culpa. E não foi por falta de aviso.

Enfim, eu sempre soube que a culpa é das estrelas.

Salve as baleias. Não fume em ambientes fechados. Não jogue lixo no chão.

4 Opiniões

  1. olbe disse:

    O Renan trocou a frota de carros de mais de cem mil cada um, estão querendo comprar talheres de prata, outro esta tentando trocar os móveis e Temer vai a Russia comprar MISSÍSIL , três no valor de 500 milhões..como podem??????

  2. helo disse:

    Em Brasília tantos pensam e não surge uma boa idéia. Quem sabe alguém entre tantos leia o Schamis.

  3. Miriam Menascé disse:

    Vc acerta, em cheio, sempre. Há uma briga de egos que em nada ajuda o nosso país. É chegado o momento da união.
    Afinal, temos políticos inteligentes, capazes de superar essa tremenda crise por que passamos. Mas eles não se entendem, porque cada partido tem o seu projeto de poder e se esquece do projeto do Brasil.
    Lamento, como vc, que estejamos perdendo tempo em buscar culpados. Nietzsche dizia que o mal do homem é ficar buscando ou assumindo culpas: mea culpa ou culpa dele. Isso não leva a nada. Há muito, em jogo, no nosso país, para nos preocuparmos com culpas e ressentimentos. Mas é o cenário que se apresenta!
    Ando cansada de discursos, com tele-prompter, tentando explicar o inexplicável. Ninguém sabe o que acontecerá, daqui a pouco. Pode?
    Continue sendo nosso porta-voz, Claudio! Obrigada!
    Abraço

  4. Markut disse:

    Quanto à culpabilidade final, SChamis acerta em cheio : é nossa que pusemos essa gente no poder.
    Mas, quem é esse “nossa” se não essa maioria de eleitores desta falsa democracia, onde a massa que “elege” (elege mesmo?) é predominantemente de analfabetos funcionais, cuja precaríssima escolaridade básica não lhes permite distinguir o joio do trigo., engodados, encabrestados e anestesiados na sua ignorância.?

    Desta sociedade, como um todo, há que separar ainda , mesmo os que tem maior discernimento, aqueles cúmplices de colarinho branco , nesta perigosa aventura , a caminho de um bolivarianismo populista, do qual estamos nos aproximando, se Venezuela, Argentina, Equador, Guatemala, além de Cuba, servirem de modelo.

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