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VAZA JATO

Novos diálogos elevam embaraço de Moro e Dallagnol

Novas mensagens da série Vaza Jato apontam que Moro instruiu força-tarefa a não apreender o celular de Eduardo Cunha e Dallagnol fingiu não saber de caixa 2 de Lorenzoni

Novos diálogos elevam embaraço de Moro e Dallagnol
Moro e Dallagnol tornaram a questionar a veracidade dos diálogos (Foto: EBC)

Novos diálogos divulgados pela série de reportagem Vaza Jato, do Intercept Brasil, agravam a situação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e do procurador e coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol.

Um dos diálogos, de abril de 2017, aponta que Dallagnol sabia que o atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, constava em uma lista de políticos beneficiados em doações via caixa dois da Odebrecht, mas fingiu não saber. Lorenzoni foi citado por um delator da Odebrecht que o acusou de receber, em 2006, R$ 175 mil via caixa dois.

Na época, em que a lista foi divulgada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin era o relator no tribunal do caso conhecido como Petrolão, e a lista foi apelidada de “lista do Fachin”.

Também na época da divulgação da lista, Onyx Lorenzoni tinha sido escolhido pela Câmara como relator das “10 medidas Contra a Corrupção” – elaboradas por Dallagnol. A mensagem divulgada pela Vaza Jato aponta que, para não perder o apoio de Lorenzoni ao projeto de lei na Câmara, Dallagnol optou, como aponta na conversa, “fingir que não sabia” que o nome constava na lista.

“Viu que saiu o nome do Onyx na lista do Facchin [Sic] hoje?”, questiona Fábio Oliveira, líder do movimento “Mude – Chega da Corrupção”, apoiador do pacote das “10 medidas”.

“Vi…(já sabia, mas tinha que fingir que não sabia, o que foi, na verdade, bom”, responde Dallagnol, que acrescenta: “Não que não quisesse falar, mas se falasse seria até crime rs”.

Segundo apontou o jornalista Reinaldo Azevedo, do Uol, o diálogo é o mais devastador para a Lava Jato e o Ministério Público já divulgado pela série de reportagens, uma vez que expõe que Dallagnol optou por preservar Lorenzoni.

Em sua conta no Twitter, Dallagnol se defendeu das acusações, tornando a questionar a veracidade do conteúdo obtido pelo Intercept.

“Não reconhecemos as mensagens do Intercept. Agora, nunca foi segredo meu diálogo com entidades da sociedade civil e movimentos sociais, que têm sido essenciais para os avanços contra a corrupção nos últimos anos. Seu mérito deve ser reconhecido”, escreveu Dallagnol.

Em outro front, novos diálogos divulgados na última segunda-feira, 12, apontam que Moro instruiu procuradores da força-tarefa da Lava Jato a não apreenderem o celular de Eduardo Cunha. A orientação foi dada em uma conversa com Dallagnol em 18 de outubro de 2016, um dia antes da prisão do ex-deputado. A instrução destoa do histórico da operação, que embasou muitas investigações em conteúdos recolhidos de celulares de executivos de empreiteiras.

“Queríamos falar sobre a apreensão dos celulares. Consideramos importante, teríamos que pedir hoje”, diz Dallagnoll. “Não acho que é uma boa”, responde Moro.

“Mas gostaríamos de explicar razões. Há alguns outros assuntos, mas este é o mais urgente”, argumenta Dallagnol. “Bem eu fico aqui até 1230, depois volto às 1400”, responde Moro. “Ok. Tentarei ir antes de 12.30, mas confirmo em seguida de consigo sair até 12h para chegar até 12.15”, diz Dallagnol, que em seguida acrescenta: “Indo”.

Segundo o site BuzzFeed – que se juntou à Veja, Folha de S.Paulo, Reinaldo Azevedo e El País como parceiro do Intercept na série de reportagens – não há registro da reunião presencial entre Moro e Dallagnol. Porém, horas depois, o coordenador da força-tarefa envia uma nova mensagem a Moro, na qual diz que conversou com outros procuradores, levou em consideração o que disse ter conversado com então juiz e foi decidido que o celular de Cunha não seria apreendido.

“Cnversamos [Sic] aqui e entendemos que não é caso de pedir os celulares, pelos riscos, com base em suas ponderações”, diz Dallagnol. Moro responde: “Ok, Tb”.

Moro divulgou uma nota na qual também questiona a veracidade das mensagens e afirma que o celular de Cunha foi apreendido por ordem do STF na Ação cautelar 4044, antes da prisão preventiva.

“O Ministro da Justiça e da Segurança Pública não reconhece a autenticidade das mensagens obtidas por meio criminoso, nem sequer vislumbrou seu nome como interlocutor nas mensagens enviadas pelo BuzzFeed. Em relação aos aparelhos celulares do ex-Deputado Eduardo Cunha, como foi amplamente divulgado pela imprensa, eles foram apreendidos por ordem do STF na Ação cautelar 4044, antes da prisão preventiva”, escreveu Moro.

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2 Opiniões

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    É a palavra de um procurador contra a palavra de um bandido. Quais são as apostas do site? BANDIDO ou o procurador?

  2. ROBERTO FERREIRA disse:

    Roberto Henry Ebelt, deixa de ser um lambe-saco trouxa. Dallagnol e Moro não são e nunca foram heróis. São apenas mais uns querendo poder.

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