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Governo Dilma

O bode expiatório e a burguesia

Dizer que os problemas do Brasil de hoje decorrem de uma suposta vitória da 'reunificação da burguesia em torno do rentismo' é uma grande tolice

O bode expiatório e a burguesia
Nem mesmo a presidente consegue concordar com aquilo que os seus ministro dizem (Foto: Agência Brasil)
Eu não deveria escrever sobre isso. Mas vou escrever porque o colunista é professor universitário e, assim, deveria ser um pouco mais cuidadoso com as suas teses. No sábado, 16, o professor da USP e colunista da Folha de São Paulo, André Singer, falou em seu artigo (clique aqui) que:

 “…Com apoio passivo da classe trabalhadora organizada, Dilma tentou efetivar o anseio rooseveltiano por meio de uma política desenvolvimentista em 2011/12. Mas foi derrotada pela reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade.”

Isso não está correto. Não foi a “reunificação da burguesia em torno do rentismo” que forçou a presidente aumentar conteúdo nacional.

Não foi a “reunificação da burguesia em torno do rentismo” que ocasionou bilhões de prejuízo à Petrobras com uma política desastrosa de investimento e corrupção.

Não foi a “reunificação da burguesia em torno do rentismo”que  fez lobby para o governo aumentar a sua divida em 10 pontos do PIB (R$ 500 bilhões) para emprestar a juros menores do que a inflação ao invés de adotar um pacote de reformas para aumentar a nossa competitividade. Aqui se poderia até falar de uma parte da burguesia, mas não seria a “rentista”.

E não foi a “reunificação da burguesia em torno do rentismo” que pediu ao governo para esconder contas da sociedade e atrasar pagamentos junto a bancos públicos, uma prática denominada de pedaladas fiscais e condenada pelo TCU.

Uma parte da “esquerda” precisar aprender que: (1) estamos pagando hoje por sucessivos erros de política econômica desde 2008/2009; (2) que o grande progresso do Brasil pós-2004 decorreu também de reformas anteriores a 2004 em conjunto com um boom impressionante nos preços de commodities, que ocasionou aumento real de 118% no preço de nossas exportações de 1999 a 2014, depois de mais de duas décadas de estagnação; (3) que o PT não tem nada parecido com um plano de desenvolvimento de longo prazo. O partido e o governo não têm um projeto para o país.

Nem mesmo a presidente consegue concordar com aquilo que os seus ministro dizem, que são forçados a mudar de opinião para se adequar à vontade de sua chefe. Em dezembro de 2014, o indicado para ministro da Fazenda, Joaquim Levy, falou que:

“…. a aprovação do projeto de lei sobre terceirização, em trâmite no Congresso, ajudaria a superar a ‘dualidade’ do mercado de trabalho e intensificaria a formalização da economia.” (clique aqui).

Hoje, a presidente, para recuperar parte de sua credibilidade, critica o projeto de terceirização sem discutir os méritos e problemas do projeto. O objetivo é demonizar a palavra “terceirização” como se fez com “privatização”, ao invés de discutir o mérito das propostas. O ministro precisou ficar mudo ou mudar de opinião.

Na semana passada, em visita aos Estados Unidos, o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, declarou que, em 60 dias, o governo poderia apresentar propostas para mudar a exigência de conteúdo nacional do setor de petróleo e gás (clique aqui). Depois de uma semana a presidente lembra que:

“A política de conteúdo local não é algo que pode ser afastado. A política de conteúdo local é o centro da política de recuperação da capacidade de investimento deste país”…A política de conteúdo local veio pra ficar. É uma opção que fizemos ainda no governo Lula”. (clique aqui)

Dizer que os problemas do Brasil de hoje decorrem de uma suposta vitória da “reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade” é, na minha modesta opinião, uma grande tolice.

Difícil ser otimista com um governo, quando a “elite” do partido pensa que todos os erros de política econômica decorrem da “reunificação da burguesia em torno do rentismo, que é avesso de qualquer coisa que cheire a igualdade”. Agora vocês entendem porque há motivos de sobra para os empresários adiarem o investimento. A propósito, segue abaixo gráfico do índice de confiança dos empresários da indústria da FGV, que está no menor nível histórico desde o início da série mensal em 2005 (será que a culpa é “da reunificação da burguesia em torno do rentismo?”). 

grafico

*Mansueto Almeida é economista do Ipea e titular do Blog do Mansueto

Fontes:
Blog do Mansueto Almeida - O bode expiatório e a burguesia

1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    O que poderia se esperar de uma mulher que queria implantar uma ditadura comunista, aos moldes daquele depósito de lixo no Caribe, pela força das armas, no Brasil?
    E ainda fala como se não tivesse se beneficiado da acumulação de capitais para se beneficiar do mal falado rentismo!
    Lembrando que, se um pobre mortal brasileiro não se matar trabalhando para acumular algum capital, ao se aposentar vai morrer de fome com as fabulosas pensões, para as quais a contribuição é obrigatória, destinadas aos brasileiros de segunda classe, aqueles que não são funcionários públicos.
    Dá nojo ler o que essa mulher vomita em cima de nós.

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