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Porte de armas

O Brasil no ponto de bala

Projeto de lei que revoga o estatuto do Desarmamento para facilitar a compra e o porte de armas no Brasil foi inspirado no que nossos amigos do norte têm de pior

O Brasil no ponto de bala
'Bancada da bala' importou sua filosofia do NRA: é preciso armar até os dentes a população para permitir que se defenda (Foto: Wikipédia)

Que um bom número de brasileiros tem fascinação por tudo o que os Estados Unidos da América representam e proporcionam não chega a ser uma novidade. Há muitos e muitos anos que hordas de turistas sacoleiros invadem Miami e Nova York sem a menor cerimônia com o único propósito de encher malas e mais malas de muamba (a tal ponto que a cota de bagagem de e para o Brasil é o dobro da normal) e voltar vencedores com os troféus – sem que seja necessariamente com uma finalidade mercenária. É só que o enxovalzinho de neném da Carter’s é charmoso, indestrutível e prático, os saquinhos de plástico Ziploc fecham hermeticamente, não rasgam e não têm cheiro, as vitaminas e suplementos da CVS têm poderes muito mais mágicos do que o nosso Biotônico Fontoura, e a roupa da Talbot’s é chique e barata… ou era, até a recente derrocada de nossa moeda. Há sérios indícios de que a farra vai, se não acabar, pelo menos moderar-se um pouco.

Além das frenéticas expedições de compras, também temos tendência a importar instituições como McDonald’s, Starbucks, Pizza Hut, Burger King – e quando não importamos a franquia, batizamos as nossas com nomes como Richards (Ricardos?), Brooksfield (Campo do Riacho?), Fast Shop (Loja Rápida?), Spicy (Apimentada?) – numa demonstração de completa alienação cultural.

Até aí, tudo mais ou menos bem. Podemos conviver com a falta de imaginação, a inveja boba, o snobismo, a falsa sabedoria, ou a simples pobreza de tradições. Onde a coisa engrossa e o caldo entorna é quando resolvemos nos inspirar no que nosso amigos do norte têm de pior e mais daninho.

Pois todos tomamos conhecimento de que tramita no Congresso Nacional, por obra de um deputado chamado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), um projeto chamado “Estatuto de Regulamentação das Armas de Fogo” que pretende revogar o Estatuto do Desarmamento para facilitar a compra e o porte de armas no Brasil. E pronto, importamos agora a bancada da NRA, aqui denominada bancada da bala. Deveria chamar-se bancada da bala perdida, tal o equívoco, a desorientação e, porque não dar nomes aos bois, a oligofrenia que rege o pensamento desses senhores.

Tenho em mente alguns dos episódios mais conhecidos na história recente dos massacres espontâneos nos Estados Unidos, como Columbine, Aurora, Universidade da Virginia, Sandy Hook… mas resolvi dar uma “googlada” no assunto e fiquei estarrecida com a quantidade de incidentes dessa natureza, cuja história remonta ao século 19! Não teria lugar aqui para fazer a listagem, mas quem quiser pode ler o que li na Wikipedia e em outros sites.

O lobby do NRA é poderoso e seu argumento de base é, no mínimo, aterrador: é preciso armar até os dentes a população para permitir que se defenda… contra os que têm livre acesso à maior seleção de armas do planeta. A bancada da bala importou essa filosofia e obviamente, não sei por que motivo, deseja ver uma escalada de violência no nosso país, que já tem um dos piores recordes do mundo.

Os marginais e malfeitores têm fornecedores de armas clandestinos, o que deve torná-las um pouco mais onerosas, sem que isso impeça sua aquisição e uso criminoso. Quando não são pura e simplesmente roubadas, é claro. O dinheiro da droga está aí para isso mesmo, e a bandidagem faz a festa. Nossos brilhantes legisladores querem agora liberar a venda e o porte de armas, o que as tornará muito mais baratas e perfeitamente acessíveis, permitindo que pessoas bem intencionadas mas totalmente equivocadas corram para se abastecer e para assim comprar a ilusão de segurança – você me ameaça, eu te mato! Não vai sobrar mais ninguém no nosso país.

Esperemos que a sensatez prevaleça no Congresso Nacional – mas os últimos acontecimentos não têm sido muito promissores nesse sentido. A leviandade com a qual têm sido tratados os assuntos mais cruciais para o Brasil e a quantidade de disparates que têm sido cometidos nos deixam perplexos e fragilizados. Não precisamos de mais uma lei insana que só poderá transformar nosso atual purgatório em inferno dantesco.

12 Opiniões

  1. eu mesmo disse:

    “Falsa ilusão” é conviver com bandido vendendo droga na porta da sua casa, ligar para a polícia e esta não ter uma viatura disponível, prefiro comprar a ilusão de segurança e quando um bandido armado tentar invadir minha casa, ter condições mínimas de me defender do que ligar para a polícia e não haver viaturas disponíveis.

  2. Braziliano disse:

    Porque será que marxistas, infelizmente nascidos no Brasil, e seus coiteiros, defendem o desarmamento da população civil?

  3. chola disse:

    A nossa querida escritora: ninguém puxa o gatilho sozinho meu bem, a muito que ver e muito que ser apreendido. Resumindo não é de hoje que o seu o meu, o nosso país é chamado de de BANANEIRAS. ”somos todos macacos”

  4. rene luiz hirschmann disse:

    No Brasil uma nação desarmamentista possui uma ínfima quantidade de armas com os cidadãos, contudo há cerca de 5 a 10 vezes mais assassinatos do que nos Estados Unidos, para esclarecer mais utilizo dados já publicados pelo colunista Rodrigo Constantino: Apesar de a Florida possuir cerca de 1,7 milhões de portes de arma, e uma das legislações mais acessíveis à aquisição de armas nos Estados Unidos a criminalidade no referido estado é uma das menores no país.

  5. Joma Bastos disse:

    Armas por si só não matam pessoas, pessoas matam pessoas.
    Porque querer tirar do cidadão de bem o seu legítimo direito de defesa?
    O Estado não possui condições de dar proteção ao cidadão para este ter segurança.
    Não ao desarmamento! Todos nós temos o direito à legitima defesa, à nossa e à da nossa família.

  6. jayme endebo disse:

    Como tem gente que acha que entende de assuntos diversos e ficam falando asneiras e vomitando ódio da América e dos americanos.
    Conforme todos relataram nos comentários, o direito a se defender é legítimo já que o esperto Estado não faz pois a sua função é tão somente arrecadar, arrecadar e arrecadar e nunca investir ou bancar serviços que tem que ser seus. Esta autora não passa de mais um esquerdista caviar a serviço dos bandidos “esquerdistas” que estão no poder e querem que a população fique desarmada para que eles possam se juntar com a bandidagem (são semelhantes) e se perpetuem no poder.
    A venezuela fez isso e agora está sob uma ditadura constitucional com os poderes todos nas mãos dos bolivarianos, aqui tenta-se fazer o mesmo trocando todo supremo, comprando parlamentares corruptos e criando leis para beneficio próprio. Em relação às compras em Miami é bom lembrar que a cota de U$ 500,00 tem mais de 50 anos e não tem eficácia alguma pois se era para “proteger” a indústria nacional não o fez pois até hoje se produz caro e porcaria incluindo roupas e eletrônicos. E cá entre nós, ela com certeza viaja ou viajou e fez exatamente isso que ela tanto critica.

  7. Francisco Coelho disse:

    Antes de mais nada, a autora se mostra desinformada. O que garante ao povo dos Estados Unidos da América o direito de posse e porte de armas de fogo é a Segunda Emenda à Constituição, datada de 15 de dezembro de 1791. Nada a ver com a NRA (National Rifle Association) fundada em 1871, portanto. Preocupada em encher seu artigo de adjetivos, ela esqueceu-se de pautar-se pelos substantivos que dariam a ele alguma consistência. As maiores provas que a tese do desarmamento é uma falácia é que os índices de criminalidade não param se subir, a bandidagem está cada vez mais bem armada e cada vez é menor a quantidade de crimes elucidados. Vamos aos fatos e chega de conversa fiada!

  8. Revoltado disse:

    O autor, como a maioria dos que se aventuram a escrever sobre o que não sabe, é um imbecil e perde seu tempo.

    Começa que portar ou não armas, em exercício do DIREITO À LEGÍTIMA DEFESA, É UM DIREITO CONSTITUCIONAL; suprimi-lo é cercear arbitrariamente este direito, o que é típico de governos de vocação totalitária, – Stalin, Hitler, Chavez e muitos assassinos em massa socialistas que a história conheceu, fizeram o mesmo.

    Foi o que fez o desgoverno socialista tupiniquim. Foi proposto inicialmente pelo socialista e ex-subversivo FHC e em seguida suprimido pelo comuno-populista-chefe de quadrilha (e demais matizes) Sr Lularápio , na calada da noite, na forma do famigerado “estatuto do desarmamento”, o qual a bandidagem deve agradecer e mesmo talvez, VENERAR.

    Ou seja, do mesmo modo que não se questiona o direito, por exemplo, do cidadão “portar um carro” mesmo que o transito mate mais do que guerras inteiras, o porte de armas não deve ser objeto de questão.

    Simplesmente assim: o direito ao porte de armas não é objeto de questão, é um DIREITO e todo cidadão, devidamente capacitado o tem. É simples assim. E se o utilizar mal, sofrerá as penalidades legais que sempre existiram. É simples assim.

    O governo deveria ESTIMULAR o cidadão de bem, responsável e devidamente habilitado a portar armas, em defesa própria, forma legítima de inibir o ataque do bandido, que passará a ter dúvida de seu porte da parte da vítima.

    Pior, nada faz para inibir o “porte de armas” ultrasofisticadas, da bandidagem nas favelas, quadrilhas de sequestradores e ladroes de banco, armas até do que as que as forças de segurança possui,

    Resgataremos o nosso direito ao porte de armas para o direito básico e constitucional à LEGÍTIMA DEFESA, podem estar certos disso.

  9. ANTUNES BRANCO disse:

    A autora do artigo tem todo o direito de dar sua opiniao , mas a mim parece que os lugares comuns que ela coloca acima sao por demais tosco e desprovidos de qualquer analise mais profunda e baseada em estatisticas. Va estudar mais antes de dar suas opinioes baseadas em “uma googlada ” ou nos filmes do Michael Moore – tao adorados pela esquerda caviar brasileira . E nao se esqueca que no plebiscito feito pelo governo do PT logo no inicio do governo Lula , 75% da populacao brasileira foi contra a proibicao das armas no Brasil .Va tambem conversar com a populacao pobre que vive nas favelas para ouvir o que eles acham sobre o assunto. Com, relacao aos seus comentarios sobre “compras em Miami ” , “invasao do McDonalds ” , etc , seus comentarios me lembram os projetos de lei do nobre deputado Aldo Rebello , de proibir o “tal de Halloween” , criar o “dia do Saci” , proibir o uso de palavras inglesas e outras idiotices maiores . Talvez uma otima sugestao sua seria criar o dia do Macunaima …..

  10. Walter Koch disse:

    Fico surpreso ao verificar que a autora simplesmente OMITIU a vontade dos brasileiros demonstrada através do plebiscito onde o desarmamento foi rechaçado majoritariamente pela população. Ou seja, o que se quer é que a democracia seja cumprida.

  11. E. Coelho disse:

    Eu prefiro passar a palavra para o
    Padre Paulo Ricardo:

    https://youtu.be/RnTJiLgDlNM

    O qual sabe o que fala e não ofende ninguém!

  12. André Luiz D. Queiroz disse:

    Eu até gostaria de concordar com a argumentação da autora do artigo; seria muito mais civilizado que as pessoas, simplesmente, não tivessem armas. Bem como também seria muito mais nacionalista priorizar o ‘consumo’, por assim dizer, do produto nacional (e por produto, refiro-me desde o artigo de consumo mais comezinho, de prateleira de supermercado, ao produto cultural — o filme, a música, a literatura, etc). Mas… não dá!
    Falemos da ‘farra do consumo’ de produtos: quando a cotação do dólar estava mais camarada, a classe média brasileira descobriu que comprar no exterior, em muitos casos, é ter acesso a produtos de melhor qualidade e mais baratos! Encher as malas de muamba foi um movimento legítimo do consumidor brasileiro de fuga da sanha tributária de nosso governo e do famigerado ‘custo brasil’, que tornam tudo muito mais caro! Já a questão das marcas, das franquias: Ora!, o Brasil sempre foi colônia, de cultura eurocêntrica devido a sua própria história, e dessa condição ele nunca saiu! Antes, os centros político-econômico e cultural do mundo ocidental eram Inglaterra e França. Depois da 1ª e 2ª Guerras, o eixo político-econômico (e o cultural, a reboque) migrou para os EUA. O Brasil, “deitado eternamente em berço esplêndido”, saiu de uma esfera de influência para outra. E lambam os beiços!, porque sem EUA para bancar a implantação da siderurgia e de outras indústrias de base, continuaríamos ainda total e completamente dependentes de importar tudo quanto é produto industrial e bem de consumo, e nossa exportação ainda seria praticamente apenas café, açúcar e minério de ferro…! Por isso que acho que falar em “alienação cultural”, nessa linha de argumentação de antiamericanismo, é coisa de esquerda caviar!

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