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Má gestão da água

‘O Brasil precisa de um ministério da Água’, diz engenheiro civil

Newton de Lima Azevedo, um dos 35 membros do Conselho Mundial da Água, diz que o país precisa investir urgentemente em políticas públicas para o recurso

‘O Brasil precisa de um ministério da Água’, diz engenheiro civil
Segundo Azevedo, a má gestão torna impossível para o Brasil atingir a universalização do recurso até 2030 (Foto: Agência Brasil)

O Brasil precisa investir urgentemente em políticas públicas para a água. É o que afirma o engenheiro civil Newton de Lima Azevedo, um dos 35 membros do Conselho Mundial da Água e vice-presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base.

Azevedo costuma declarar em suas palestras que “o Brasil precisa de um ministério para a Água”, em referência ao corte de pastas que está sendo analisado pelo governo. A afirmação, porém, é um exagero usado por ele para chamar atenção para o problema.

Em entrevista ao jornal El País, Azevedo disse que a crise hídrica está controlada, mas não resolvida. Ele apontou a Sabesp como a melhor empresa de saneamento do país e chamou atenção para a má gestão das companhias estaduais de abastecimento. Ele também defendeu parcerias do governo com o setor privado para solucionar o problema.

“Nós temos 26 companhias estaduais que abastecem as casas de 70% dos brasileiros. Mas dessas 26, 20 têm sua despesa maior que a receita. Como é que elas sobrevivem? Por subsídios do governo, sem a menor capacidade de investimentos, sem a menor capacitação dos seus funcionários, motivação, sem acesso a tecnologia de ponta. Se nós não tomarmos uma atitude forte em relação a essas empresas não vamos ter condição de universalizar os serviços de água e esgoto nunca. Nem com todo o dinheiro do mundo essas companhias saberiam o que fazer com ele. Não há capacidade nenhuma de gestão nessas companhias”.

Para Azevedo, a carência do país em saneamento básico torna impossível atingir a meta de universalização do serviço até 2030. “O Brasil precisa de 20 bilhões de reais por ano para universalizar os serviços de água e esgoto. Isto é bonito de dizer mas difícil de fazer. Com todo o esforço que o governo tem feito, não tem conseguido investir em saneamento mais do que nove bilhões por ano. Assim é impossível cumprir a meta de universalização até 2030″.

Questionado sobre a polêmica em torno da despoluição da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, às vésperas das Olimpíadas de 2016, Azevedo afirmou que a questão está sendo vista pelo ângulo errado. “O problema não é tratar a água da baía, o problema está em todos aqueles afluentes que desembocam na baía que já trazem no seu leito esse esgoto. A falta de recursos dos estados destinados a enfrentar isso é clara. O Governo Federal também já deixou claro que não consegue dar a verba necessária para criar infraestruturas. Você precisa de parcerias público-privadas, mas já não dá tempo, 2016 é depois de amanhã. Agora, o projeto de despoluição da Baía de Guanabara existe há mais de 15 anos, com dinheiro do Banco Mundial”.

Ao final da entrevista, Azevedo critica as políticas públicas para a água dos países emergentes. “Nos países emergentes, localizados na América Latina e na África principalmente, você vê coisas horríveis. Nós temos na América do Sul cerca de 480 milhões de pessoas e 50% não têm esgoto tratado. Você vai na África, na Namíbia por exemplo, e as pessoas tomam água do esgoto porque ou bebe aquela água ou não bebe nenhuma. Agora, se você vê Israel, questiona: como pode ser exportador de alimentos quando sofre um estresse hídrico por natureza? O país foi buscar tecnologias, eles tratam a água com uma delicadeza que nós não tratamos”.

Fontes:
El País-“O Brasil precisa de um ministério da água. O resto, pode eliminar”

3 Opiniões

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    Joma Bastos,
    Certamente o momento é de enxugar a administração pública e reduzir os custos do Estado sobre a sociedade. Mas considero legítima a argumentação do autor do artigo de que a gestão dos recursos hídricos no país merece ser tratada em separado dos demais temas ligados ao meio ambiente, tamanha sua importância. Lembremos que, além da necessidade básica de água para o consumo humano, usos agrícola e industrial, os recursos hídricos no Brasil são (ainda) nossa principal fonte energética, além do potencial uso de nossas bacias hidrográficas para transporte fluvial, ainda pouco explorado em âmbito nacional. Muito melhor seria termos realmente um “Ministério da Água”, com um titular de perfil técnico, oriundo do meio acadêmico-científico, do que termos um monte desses ministérios sem expressão nenhuma (a não ser atender à ‘base aliada’). Se ‘esse senhor’ tem aspirações a ocupar uma pasta no governo que trate dessa questão de suam importância, é uma aspiração muito válida! Antes ele do que o Lula, ou qualquer apaniguado do PT e base aliada!…
    Eu penso assim!

  2. jayme endebo disse:

    É cada uma que a gente vê, a galera pensa que o Estado tudo pode e tem dinheiro sobrando e caso falte mande a conta para os trouxas, desculpe contribuintes.

  3. Joma Bastos disse:

    O que o Brasil está necessitando é que a bióloga Izabella Mônica Vieira Teixeira, atual ministra do Meio Ambiente do Brasil, mude seu ministério lá para a Coreia do Norte.
    Pelo senhor engenheiro civil Newton de Lima Azevedo, o governo brasileiro necessitaria de um ministério para cada setor problemático deste Brasil. Isto é, na atual profunda crise que o país atravessa e com os inúmeros problemas que daí advêm, em vez dos atuais 39 ministérios, seriam necessários mais umas dezenas. Só neste Brasil!
    Pois… talvez o senhor engenheiro tenha aspirações a ser ministro da água.

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