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O Brasil precisa de uma reforma na Educação?

O fraco desempenho do Brasil no ranking global de educação da OCDE lançou o debate sobre as falhas no sistema educacional do país. Seria necessária uma reforma?

O Brasil precisa de uma reforma na Educação?
Investir em Educação pode fazer o país alcançar um crescimento maduro e consistente (Foto: Wikipedia)

Na semana passada, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou um ranking global de educação, com base no PISA, exame educacional mundial promovido pelo órgão. O Brasil ficou em 60º entre 76 países analisados. O fraco desempenho dos estudantes brasileiros lançou o debate sobre as falhas no sistema educacional do país.

Para falar sobre o tema, o Opinião e Notícia entrevistou o professor João Batista Oliveira, especialista do Instituto Millenium e presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG que trabalha pela melhoria da Educação no país.

Para Oliveira, os gargalos que a Educação enfrenta no Brasil não são por falta de verba. Atualmente, o país destina 6,1% do PIB para a área, o que, segundo ele, é suficiente. “Comparado com outros países, esse percentual é compatível. Falta de recursos não há. Tivemos um aumento violento de recursos para a área e o resultado não tem melhorado em nenhuma proporção compatível com isso. O problema é que há uma distribuição muito mal feita, um mau uso da verba”, diz o professor.

Oliveira defende a necessidade de uma reforma no sistema educacional, tema central de seu livro “Reforma da Educação: Por onde começar”, de 2006. A reforma, segundo ele, seria feita simultaneamente em três pilares: professor, escolas e gestão.

“O primeiro passo é recrutar bons professores, que devem ser identificados ainda no ensino médio. Alunos com bom desempenho, com aptidão para a profissão, devem ser identificados já nessa época. O segundo passo é o treinamento adequado desse profissional e a criação de um plano de carreira atraente. Por fim, é preciso investir num bom sistema de gestão. As escolas precisam de diretores com carreira e comprometidos com a instituição”, diz Oliveira. Segundo ele, embora pareçam óbvias, essas medidas são feitas por todos os países que alcançam um bom resultado no PISA.

O relatório da OCDE cita a expansão do programa brasileiro Fundef como exemplo de sucesso. O programa foi criado em 1997, e destinava fundos arrecadados pelos estados e municípios ao ensino fundamental. Em 2006, o Fundef foi substituído pelo Fundeb. Este ampliou a distribuição dos recursos a todas as etapas do ensino escolar, incluindo os programas de educação de jovens e adultos.

Questionado sobre a eficiência do programa, Oliveira diz discordar da avaliação da OCDE. “O Fundef era muito melhor que o Fundeb. Ele tinha foco e, enquanto vigorou, deu uma boa arrancada no ensino fundamental. Mas o Fundef diluiu o foco e a verba do programa. É um reflexo da falta de paciência do Brasil, que não consegue fazer uma coisa de cada vez”, diz Oliveira.

Reflexos da educação na economia

O relatório da OCDE chama atenção para a relação entre a Educação e o crescimento econômico dos países avaliados. Segundo a organização, se até 2030, todos os jovens de 15 anos tivessem um nível básico de escolaridade, o PIB dos países avaliados cresceria uma média anual de 3,5% acima do esperado, pelos próximos 80 anos. No caso do Brasil, esse percentual anual seria de 16,1%.

Tal fato faria o país abandonar o chamado crescimento econômico de “voo de galinha” e alcançar um desenvolvimento maduro e consistente. O problema é que a faixa etária citada no relatório é exatamente uma das mais afetadas pela evasão escolar no Brasil.

Para Oliveira, o problema da evasão escolar não se deve à falta de vagas. O professor afirma que as mazelas sociais obrigam o jovem a deixar a escola para trabalhar. Depois, a falta de estímulo faz a pessoa não querer voltar a estudar.

“No Brasil, ninguém está fora da escola por falta de vagas, mas outras razões, outras mazelas. Na faixa etária entre 15 e 17 anos a evasão aumenta porque o ensino está muito ruim. Não há professores capacitados e o currículo escolar precisa ser revisto. Os alunos não aprendem nada, são reprovados, rechaçados. Eles não têm uma escola que os acolha, os receba, que se interesse por eles. Não é uma questão quantitativa, mas de qualidade, de atendimento, de gestão”, diz Oliveira.

Por fim, Oliveira fala sobre a necessidade de se investir na formação técnica. Tida como o “patinho feio” do sistema educacional, a formação técnica é alvo de preconceito e vista como algo muito inferior ao ensino superior.

“No mundo inteiro, entre 30% e 70% dos alunos de ensino médio fazem cursos profissionais. No Brasil, há um preconceito contra isso. O Brasil tem mania de querer ser um país de doutores, de bacharéis, onde o trabalho manual é mal visto. Para completar, nos últimos, criou-se a ideia equivocada de que fora da faculdade não há salvação. Nenhum país desenvolvido do mundo pensa dessa forma. É um erro. Uma pessoa com nível técnico é bem integrada, tem uma vida melhor e ganha bem. Esse preconceito contra o ensino técnico pune as pessoas que teriam mais chances de fazer um excelente curso técnico, se engajar numa profissão e ganhar sua vida de maneira decente”, critica Oliveira.

Caro leitor,
Na sua avaliação, você acredita que o sistema educacional deveria passar por uma reforma?

7 Opiniões

  1. fabio farias disse:

    sim eu sou totalmente a favor de uma reforma na educação. certamente isso irá melhorar o aprendizado dos jovens, na verdade ja deveria , estar funcionando a muito tempo essa reforma na educação.

  2. Diegi disse:

    O ensino técnico é uma das melhores formas de se entrar no mercado de trabalho. Alguns estudantes fazem cursos técnicos apenas pela força do ensino e não exercem a profissão. Acabam usando a escola técnica como trampolim para as engenharias (principalmente nas universidades federais), formam-se engenheiros mas não conseguem ingressar no mercado por conta da falta de experiência. A quantidade de alunos que se formam nos cursos técnicos e não abastecem o mercado também é um grande problema da educação e que não vem acontecendo só de hoje. Melhores salários para o profissional técnico poderia ser um incentivo para essa demanda não atendida. Ou seja, nosso sistema educacional falha até quando acerta. Ele precisa ser melhor administrado e precisa estar ligado a programas com outros ministérios.

  3. Hugo Leonardo Filho disse:

    Não, o sistema educacional não precisa de uma reforma, precisamos é de um sistema novo. E se o sistema está ruim, esperem até os alunos de hoje se tornarem os professores amanhã.

  4. Élio J. B. Camargo disse:

    Não há dúvida que a educação precisa de uma profunda reforma. Primeiramente falta uma responsabilização total dos pais, professores e gestores escolares. Diz-se que família educa e a escola ensina. É cômodo para os pais terceirizar a educação para a escola e a escola dispensar e manter os filhos segregados dos pais. Depois ninguém responde pelos maus resultados e todos reclamam.
    Se o Pisa avalia o essencial, que é língua portuguesa, matemática e iniciação científica, portanto o ensino fundamental deveria ensinar apenas isso. Ensine o básico, mas ensine.
    Por exemplo a escola deveria ensinar estatística, probabilidade, etc., coisas úteis na vida, mas passa longe disso. Não devemos esquecer que as escolas são ruins, pois só ensinam teoria e não sabem torná-la útil à vida.
    Se quiseram ensinar outras coisas, se faça um outro turno opcional e adicional. Use-se para isso também o potencial da internet (EAD). Formação política (e sem ideologias) se faz na família e não terceirizando a professores.
    Antigamente bastava o curso normal para ser professor. Fizeram todo um movimento ideológico e corporativo pela exigência de curso superior para ser professor e conseguimos ficar pior. Não precisa grandes mentes e discussões sobre e como ensinar. A metodologia deve ser padronizada, seguindo exatamente a respectiva grade curricular e ensinar. Veja os cadernos adotados pelas escolas particulares e adotados por inúmeras prefeituras, com amplo sucesso
    O curso técnico deveria ter apenas o curso fundamental como pré-requisito. Não tem cabimento exigir curso médio como pré-requisito para os cursos técnicos. Não se justifica o técnico e o superior terem o mesmo pré-requisito. Cada curso técnico complementa seu ensino básico, conforme suas respectivas necessidades de conhecimento, colocando a pessoa no mundo do trabalho
    Se a sociedade não vive sem dinheiro, os jovens mais ainda. Portanto, não deve se proibi-los de trabalhar legalmente, mas sim vinculá-los aos estudos: os jovens podem trabalhar, desde que tenha bom aproveitamento escolar.
    Depois do curso técnico qualquer estudante poderia cursar seu curso superior afim e continuar sua carreira profissional.
    Os cursos superiores deveriam ter como pré-requisito os cursos técnicos afins. Por exemplo, medicina poderia ter como pré-requisito cursos técnicos de enfermagem, laboratorista, etc. Com isso teríamos profissionais mais gabaritados e conhecedores da prática, não apenas teoria.
    Porém os interesses são muitos e lamentavelmente, as coisas irão continuar assim, com muito tecnicismo, corporativismo e cada vez piores resultados.

  5. Joma Bastos disse:

    A Educação é fundamental para o desenvolvimento deste Brasil!
    Que se reforme a Educação!

  6. Vitafer disse:

    O Sr. Inácio é o exemplo cabal do que ele mesmo disse…

  7. Inácio Antônio Sores Neto disse:

    É muito fácil falar em Educação, mas no momento o que estamos vendo é um quadro de Governos que vem rolando ha muitos anos de incapacidade, para levar a sério nesta área. O que vem acontecendo é uma administração no Brasil de pessoas sem Cultura.Isso e o que estamos vendo Dilma e Lula. São duas pessoas sem conhecimento. Onde falta neles mesmos a Cultura, e credibilidade em tudo. No fundo poucos Governos se volta para esta finalidade tão importante. Veja que nos últimos anos o Brasil vem passando por Governos sem cultura, são pessoas que nunca enfrentou de verdade um banco de uma Faculdade, entraram na Politica e foram eleito por uma massa pobre em tudo. Na verdade quem tem Cultura já mais vai repassar para um administrador deste tipo. É lamentável o Brasil chegar a este ponto.

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