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VETO A MARCHINHAS

O Carnaval do politicamente correto

A transgressão sempre foi a marca do Carnaval brasileiro. Este ano, a censura de marchinhas mostra uma tendência diferente

O Carnaval do politicamente correto
As marchinhas ‘Zezé’ e ‘Maria Sapatão’ foram banidas da festa deste ano (Foto: EBC)

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Fantasias, nudez, mau gosto e luxúria sempre marcaram presença no Carnaval brasileiro, que este ano começa dia 24 deste mês. A transgressão sempre foi o principal ponto da festa.

Mas este ano o cerne politicamente incorreto do Carnaval sofreu um revés, especialmente no Rio de Janeiro, onde a festa é mais badalada. A questão gira em torno das famosas marchinhas de Carnaval. Este ano, as marchinhas “Zezé” e “Maria Sapatão” foram banidas da festa por serem consideradas um desrespeito os homossexuais. Até mesmo músicas mais suaves como “Tropicália”, de Caetano Veloso, estão sendo alvo de escrutínio. O Mulheres Rodadas, bloco de carnaval feminista carioca, quis banir a música de seu repertório por considerar que a palavra “mulata” diminui as mulheres negras.

Caetano Veloso não compartilha dessa visão. “Meu pai era mulato. Eu me vejo como mulato. Eu amo essa palavra”, protestou ele. Entre os brasileiros, essa atitude flexível é mais comum do que a postura de censura. Isso porque as marchinhas são consideradas um patrimônio do Carnaval brasileiro. Muitas delas datam da década de 1930.

Segundo Rosa Maria Araújo, coordenadora do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, “as marchinhas não podem ser julgadas fora do contexto da época em que foram escritas”. Ela lembra que muitos dos compositores eram negros ou gays e usavam as letras para lutar contra o preconceito, não reforçá-lo.

Fontes:
The Economist-A politically correct Brazilian Carnival

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5 Opiniões

  1. Claudio Carneiro disse:

    Tropicalia destaca “os olhos verdes da mulata”. Essa cultura do politicamente correto é de uma chatice sem tamanho. O grupo se intitula de “mulheres rodadas”. Ai de quem as chamasse assim…

  2. LUIZ JUNIOR disse:

    SÃO UMAS HIPÓCRITAS, ELES É QUE SÃO “RACISTAS E HOMOFÓBICOS”, QUALQUER HORA A PALAVRA NEGRO, MULATA, VÃO QUERER TIRAR DO DICIONÁRIO. Õ BANDO DE “RACISTAS E HOMOFÓBICOS”.

  3. C.R disse:

    Uma correção, o maior carnaval do Brasil onde rola tradicionalmente as marchinhas e frevo não é no Rio, haja vista que, a sua identidade é de “samba”. Ficam agora querendo tirar o titulo das cidades de Recife e Olinda, furtando a cultura dos outros com reforço de uma mídia alienada que, só enxerga grandeza nesta “faixa de Gaza!

  4. Lucinda Telles disse:

    Esse pessoal da patrulha do politicamente correto são uns desocupados. Porque não se preocupam com as letra de hoje e deixem o passado para os antropólogos e historiadores. Segue um trecho do “Bonde do Tigrão”:
    “Só as cachorra
    As preparada
    As popozuda
    O baile todo”

  5. laercio disse:

    Tudo está baseado no dinheiro! “descobriu-se” que a ausência dos termos que sugerem preconceitos fazem com que haja maior participação de pessoas com mais poder aquisitivo, então haverá maior arrecadação e, por conta disso, há tantas proibições…na verdade ninguém se importa quanto às condições de respeito de outrem, tudo tem por base os estudos diretos e indiretos quanto ao aumento das receitas.
    Centenas de pessoas mau informadas ficam tipo “moscas” cercando assuntos satélites mas o foco que mexe com a economia é perfeitamente ocultado por aqueles que tem interesses direto nos lucros proporcionado por tais mudanças ocultas…
    Vivemos num país onde as tipologias podem ser modificadas de acordo com o lucro que geram em desfavor das reais razões da existência de cada qual.

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