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Reforma Política

O difícil caminho da democracia na América Latina

Com a desaceleração do crescimento econômico e com o aumento da pobreza, a reforma política é o principal tema da agenda regional

O difícil caminho da democracia na América Latina
A América Latina tem uma longa história de manipulação das regras eleitorais e dos sistemas partidários (Reprodução/Lo Cole)

Neste início do século XXI a democracia tornou-se rotina em muitos países latino-americanos, desde que os generais voltaram para os quartéis. Mas o processo democrático é complexo. Em comparação com a Europa e a América do Norte, a democracia na América Latina enfrenta grandes obstáculos, como pobreza, desigualdade de renda, corrupção e uma estrutura institucional fragmentada. A América Latina tem um sistema de eleições diretas para presidente, como nos Estados Unidos, porém tem eleições legislativas multipartidárias escolhidas por representação proporcional, como em diversos regimes parlamentares europeus. Esse sistema eleitoral ambíguo tem criado com frequência uma situação de impasse: governos fracos sem maioria partidária, o que induz a um consenso em regimes parlamentaristas.

O impacto desses problemas não teve tanta repercussão nos últimos dez anos. O crescimento econômico acelerado, a diminuição da pobreza e o aumento dos gastos do governo eram sinais de popularidade dos presidentes. Hoje, com o fim do boom das commodities, da desaceleração ou estagnação do crescimento econômico e o consequente aumento da pobreza, a corrupção é menos tolerada. Assim como Dilma Rousseff no Brasil, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, e a presidente do Chile, Michelle Bachelet, viram seus índices de aprovação atingirem níveis críticos. O ceticismo do povo em relação aos políticos é generalizado.

Como previsível, a reforma política é o principal tema da agenda regional. Na verdade, a América Latina tem uma longa história de manipulação das regras eleitorais e dos sistemas partidários. Em um estudo que será publicado em breve, Flavia Friedenberg e Tomas Dosek da Universidade de Salamanca, analisaram 220 reformas políticas realizadas em 18 países no período de 1978 a 2015. Segundo a análise dos dois pesquisadores, essas reformas, além de aumentar o poder dos presidentes, procuraram garantir uma representação mais significativa das minorias excluídas, como os povos indígenas.

Agora, é preciso fortalecer os partidos e, ao mesmo tempo, adotar regras mais rígidas para o financiamento deles, com o objetivo de diminuir a corrupção e o tráfico de influência. Mas os políticos relutam em mudar as regras que os elegeram.

Fontes:
Economist-Cleaning up Latin American democracy

1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Basta esses comunas fazerem um curso de economia doméstica e tudo se resolveria.
    No entanto, mesmo que ele tomassem algumas aulas de economia básica (tipo economia doméstica) não iriam poder fazer muita coisa, pois uma praga promulgada em 1988 impede a utilização de boas práticas de governança. A solução só poderá surgir com o rompimento da democracia. Como a direita já está escaldada, resta um golpe de esquerda para a destruição completa do Brasil como potência mundial, coisa que o petê já está providenciando através da aniquilação da economia brasileira.

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