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REPÚDIO TOTAL

O escândalo de todo o espectro político com fala de Eduardo sobre AI-5

Na sessão solene dos 50 anos do AI-5 na Câmara, só cinco de 25 partidos compareceram

O escândalo de todo o espectro político com fala de Eduardo sobre AI-5
Eduardo 'AI-5' Bolsonaro foi o deputado federal mais votado da história do Brasil (Foto: Agência Câmara)

A fala de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de um novo AI-5 parece ter escandalizado parlamentares de todo, ou quase todo o espectro político. Insurgiram-se contra ela políticos do PSDB, MDB, DEM e até figuras como o Major Olímpio, correligionário de Eduardo – e de Jair Bolsonaro – no PSL. Uma das reações mais duras foi a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

O histórico recente da abordagem crítica do regime militar e da defesa incondicional dos direitos humanos no Congresso Nacional, porém, informa que no Parlamento brasileiro estes são assuntos “deixados para a esquerda”, por assim dizer, como mostram as tímidas reações em geral a episódios que exigiriam reações nada menos que intransigentes, para não falar em providências concretas, de todo o espectro político também.

Só para ficar em dois exemplos: quando Jair Bolsonaro colou na porta do seu gabinete um cartaz dizendo “quem procura osso é cachorro”; e quando o mesmo Jair Bolsonaro, já de olho na presidência da República, homenageou o torturador de Dilma Rousseff em seu voto a favor da abertura de processo de impeachment contra a então presidente da República.

Só cinco partidos em tributo às vítimas do AI-5

Há quase um ano, no último 13 de dezembro, aniversário de 50 anos do AI-5, apenas cinco dos 25 partidos que naquela data tinham representação no Congresso participaram da sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem às vítimas do ato institucional que a família Bolsonaro já fala abertamente em reeditar, não obstante os recuos de praxe.

Apenas parlamentares do PT, PSOL, PDT, PCdoB e PSB compareceram. Deputados de outros partidos apareceram apenas para registrar presença e depois se retiraram. Às 11h30 daquele dia, cerca de 40 minutos após o início da sessão, era possível contar no plenário a presença de não mais que 10 dos 513 deputados. Fotos de vítimas da ditadura foram espalhadas pelas cadeiras vazias.

Ignoraram a sessão solene de memória do AI-5 partidos como PSL, Patriotas e PRB, mas também PSDB, MDB e DEM, mesmo às vésperas da posse de um presidente da República fã de torturador e exaltador da Ditadura Militar – ou talvez exatamente por isso. Hoje, muitos tucanos, “democratas” e emedebistas se dizem estupefatos de verem o próprio líder do governo na Câmara levantar a bola da reedição do AI-5.

Entre eles, Rodrigo Maia. No dia seguinte à sessão, 14 de dezembro, 50 anos e um dia do AI-5, informava a coluna de Bernardo Mello Franco: “Embora o painel eletrônico marcasse a presença de quase 300 parlamentares, a maioria já estava longe de Brasília quando a sessão começou. O presidente Rodrigo Maia ficou na cidade, mas não saiu da residência oficial”.

‘Os restos do AI-5’

“Isso mostra que a maioria dos parlamentares da Casa não tem sensibilidade de entender o que representou o AI-5 e, mais do que isso, grande parte é cúmplice dos restos do AI-5 que estão na nossa contemporaneidade”, disse naquele dia, diante do plenário vazio, a deputada Erika Kokay (PT-DF).

O então deputado Chico Alencar (Psol-RJ) foi um dos organizadores e foi o presidente daquela sessão. Candidato a senador pelo Rio nas última eleições, Chico ficou em quinto lugar, com 9,17% dos votos, e não está mais no Congresso Nacional. O primeiro lugar na disputa pelo Senado no Rio ficou com Flávio Bolsonaro, que amealhou 31,36% dos votos. Em São Paulo, seu irmão Eduardo “AI-5” Bolsonaro foi o deputado federal mais votado da história do Brasil.

Na última sexta, 1º de novembro, saindo em defesa do irmão Eduardo, Flávio tuitou que “a simples tentativa de cassar o mandato de um deputado POR FALAR já é o próprio AI-6”’. Afora outras considerações, Flávio, mais um Bolsonaro, parece ignorar que depois do AI-5 o regime militar editou mais 12 Atos Institucionais. Ao todo, foram 17, o número – cabalístico – com que seu pai se elegeu presidente da República.

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