Início » Brasil » O financiamento de campanha na América Latina
CORRUPÇÃO

O financiamento de campanha na América Latina

O cenário de corrupção na América Latina exige regras de financiamento de campanha mais duras

O financiamento de campanha na América Latina
A reforma de financiamento de campanhas é cheio de consequências não intencionais (Foto: Wikimedia)

Meses antes das eleições, os latinos-americanos são bombardeados com propagandas políticas. Mas quem paga por isso? As recentes revelações de corrupção em doações políticas da Odebrecht e de outras construtoras brasileiras em vários países da América Latina estão exigindo que as regras de financiamento de campanhas sejam endurecidas.

O Uruguai foi o primeiro país do mundo a dar um subsídio público aos partidos políticos, em 1928. Agora, a maioria das democracias latino-americanas faz o mesmo, mas a maioria dos subsídios é pequena. Na Venezuela, teoricamente, não há subsídio, mas, na prática, o partido governante estabelece uma quantia ilimitada de recursos do país para sua campanha. Toda a América Latina, exceto El Salvador, proíbe doações políticas estrangeiras. Mas, isso não impediu que Hugo Chávez da Venezuela e o PT do Brasil (a partir da Odebrecht) financiassem campanhas em outros países.

O parlamento do Chile aprovou novas regras elaboradas por um comitê liderado pelo economista Eduardo Engel. A publicidade em outdoor ficou restrita, os subsídios públicos aumentaram, as doações corporativas foram proibidas e as dos indivíduos foram reguladas. No Brasil, as doações corporativas foram proibidas e a duração da campanha oficial foi diminuída. Vários outros países também estão considerando endurecer as regras. Mas no Chile alguns políticos culparam a baixa participação (de 35%) nas eleições municipais em outubro passado por conta da falta de uma atmosfera de “campanha”. Na votação municipal do Brasil no ano passado, as restrições parecem ter ajudado a reeleição de prefeitos já em exercício do que o esperado.

A reforma de financiamento de campanhas é cheio de consequências não intencionais. A proibição de doações corporativas, por exemplo, pode fazer com que as campanhas recorram ao crime organizado para conseguir dinheiro. Em uma região de grande desigualdade, é difícil discordar que as doações políticas precisam ser endurecidas. Mas, a verdade incontestável é que a democracia custa dinheiro e alguém tem que pagar por isso.

Fontes:
The Economist-How Latin America deals with campaign finance

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *