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Política

O Haiti é aqui?

Andando por esses descaminhos ideológicos, seguindo a cartilha do Foro de São Paulo, o Brasil foi parar no Haiti

O Haiti é aqui?
O país acolhe os haitianos num gesto humanitário, mas os trata miseravelmente (Reprodução/Internet)

Ao congregar sob um só comando Estado, governo e administração, na figura onipotente da presidência da República, nosso modelo institucional produz um grave déficit democrático e um enorme ônus aos pagadores de impostos. Essa fusão só pode dar confusão. A função governo, que é transitória, deve ser partidária. Nisso andamos certos. Mas constitui um completo disparate partidarizar e aparelhar, simultaneamente, o Estado e a administração. Estes, são permanentes.

A partidarização do Estado, vou ficar com este fio do problema, tem determinado as grandes trapalhadas da nossa política externa. Aponto, entre muitos outros, os casos com Honduras, Paraguai, Bolívia, Israel, Itália, Cuba, Irã e Indonésia. Em todos esses, e em muitos outros, ou o Brasil traspassou, varou, o princípio constitucional de respeito à soberania das demais nações ou foi na contramão das melhores tendências internacionais. Isso para não falar na magnanimidade dos governos petistas para com ditadores africanos e sul-americanos, malbaratando recursos nossos em nome da ambicionada cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

Andando por esses descaminhos ideológicos, seguindo a cartilha do Foro de São Paulo, o Brasil foi parar no Haiti. Corria o ano de 2004 e a ONU criara o MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para estabilização do Haiti). Transcorreu uma década, o Brasil comanda a missão, e já enviamos ao Haiti mais de 30 mil homens. E agora? Bem, agora a recíproca revelou-se verdadeira. Agora, o Haiti é aqui.

Vinte mil haitianos aparecem no Acre. No Acre? Sim, o governador do Acre é petista. A revista Veja, em 2/02/2014, assim descreve a rota dos haitianos: “Até cruzar a fronteira do Brasil, os haitianos viajam dias a partir da República Dominicana, país vizinho ao Haiti. De lá, embarcam para o Panamá e para o Equador, que não exige visto de entrada. Alguns permanecem no país por algum tempo até juntar dinheiro para o resto da viagem. De Quito (Equador), cruzam o Peru até a cidade de Puerto Maldonado, onde atravessam de carro a fronteira do Brasil e chegam à cidade de Assis Brasil (AC). A corrida de táxi até Brasileia custa 20 reais.”

Do Acre, os haitianos dirigem-se, preferentemente, para São Paulo, não por acaso, cidade administrada pelo PT, o que deixa essa longa história, do início ao fim, sob orientação de certa diretriz partidária. Todas as informações que se têm sobre a recepção aos haitianos não permitem um louvor à dedicação humanitária de quem lhes abriu nossas portas. Se o país os acolhe num gesto humanitário, não é correto tratá-los miseravelmente. E eles estão submetidos a condições inumanas de recepção e encaminhamento.

O governo já anunciou que está em elaboração uma Lei de Migrações, para substituir o Estatuto do Estrangeiro, atualmente em vigor. Mas parece que antes de sair a lei já sepultou o Estatuto, segundo o qual a “imigração objetivará, primordialmente, propiciar mão-de-obra especializada aos vários setores da economia nacional, visando à Política Nacional de Desenvolvimento em todos os aspectos e, em especial, ao aumento da produtividade, à assimilação de tecnologia e à captação de recursos para setores específicos”.
Nada justifica acolher os haitianos para, depois, jogá-los à própria sorte, dispersos num país de proporções continentais. Os petistas administram as questões internacionais com o mesmo desleixo com que tratam das questões nacionais.

*Artigo do escritor e arquiteto Percival Puggina, titular do Blog do Percival

5 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Convém lembrar, que o governador do Acre mandou para seu correligionário do Rio Grande do Sul, vários ônibus cheios de haitianos.

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    Delmiro deu a ideia , Apolônio aproveitou, Getúlio fez o decreto e industrias realizou e meu Paulo Afonso coitado. O Brasil vai, o Brasil vai, vai vaiiiiii. Vai profundo do poço do pré sal. A ideia de Delmiro o Alagoano foi ótima e hoje vivemos de termo-helétrica. Então o Brasil não vai, não vai, não vaiiiiiiii.

  3. Véi disse:

    Percival, fica falando essas coisas aí, dizendo que os PeTralhas não estão acolhendo bem os haitianos, que logo, logo vamos ter uma Bolsa Imigrante ou algo que o valha…

  4. jovelino bispo vieira disse:

    JA DISSE EM OUTRAS OPORTUNIDADES E VOU REPETIR, O “PT” TEM O “TOQUE DE MIDAS AO CONTRARIO”, TUDO QUE TOCA VIRA *****

  5. André Luiz D. Queiroz disse:

    Eu li/ouvi alguma coisa de que o governo queria acelerar o processo de obtenção de cidadania brasileira para os imigrantes haitianos (?!), dando-lhes inclusive direito a bolsa família (?!?!) e voto (ah!, claro, está explicado…!). Fora isso, e apesar do apelo humanitário, não há o que justifique a postura do governo PT na questão da imigração haitiana.
    Eles não criaram o programa “Mais Médicos” lançando mão dos médicos cubanos? Então, agora vão fazer também o programa “Mais Eleitores” com os haitianos!

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