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SISTEMA CARCERÁRIO

O ‘massacre silencioso’ das doenças contagiosas nas prisões do país

Problemas como Aids, tuberculose, hanseníase e até mesmo infecções de pele fazem vítimas em prisões brasileiras

O ‘massacre silencioso’ das doenças contagiosas nas prisões do país
Doenças contagiosas tratáveis matam mais nas prisões brasileiras do que a violência (Fonte: Reprodução/Agência Brasil)

Com a superlotação e uma estrutura precária de higiene, doenças contagiosas tratáveis matam mais nas prisões brasileiras do que a violência. Trata-se de um “massacre silencioso”, que faz vítimas em decorrência de problemas como Aids, tuberculose, hanseníase e até mesmo infecções de pele.

Entre 1º de janeiro de 2015 e 1º de agosto deste ano, um total de 517 presos morreram nas 58 unidades penitenciárias do estado do Rio de Janeiro por causa de diversas doenças. Durante este período, um total de 37 presos morreram assassinados em suas celas. Trata-se de um exemplo do que acontece em todo o país.

Em entrevista ao Portal Uol, Ricardo André de Souza, subcoordenador de Defesa Criminal da Defensoria Pública do Rio diz que a falta de um tratamento adequado leva à morte de um detento por doenças de pele que poderiam ser tratadas de forma simples. “O que a gente intui? A gente está vendo essas mortes acontecendo e 90% é por doença. Tem um caso ali e outro aqui por suicídio. Violência é excepcional”, ressaltou.

Sob condição de anonimato, uma médica que atua em prisões do Rio relatou que “o preso que tem escabiose [tipo de sarna] começa a se coçar, o local que ele coça começa a desenvolver um abcesso e, se não receber tratamento adequado com antibióticos, pode haver um desenvolvimento de uma infecção mais grave”.

Dados do Ministério da Saúde obtidos pelo Uol revelam que “pessoas privadas de liberdade têm, em média, chance 28 vezes maior do que a população em geral de contrair tuberculose. A taxa de prevalência de HIV/Aids entre a população prisional era de 1,3% em 2014, enquanto entre a população em geral era de 0,4%”.

Também em entrevista ao Portal Uol, o padre e enfermeiro Almir José de Ramos, consultor nacional de saúde da Pastoral Carcerária, que visita prisões duas vezes por semana, disse que, “nos presídios, na maior parte das vezes, o remédio se resume a calmante e analgésico. Não é um tratamento, é uma forma de amenizar”.

Inspeções feitas por peritos do MNPCT (Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura), órgão ligado ao Ministério da Justiça, mostram que presídios do Pará e de Pernambuco enfrentam uma situação particularmente difícil. No Pará, peritos revelaram que os presos convivem com esgoto e, consequentemente, com roedores e insetos. Alguns detentos chegam a dormir no chão, sem colchão, em cima de fezes e urina de rato.

Fontes:
Uol - "Massacre silencioso": doenças tratáveis matam mais que violência nas prisões brasileiras

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8 Opiniões

  1. Glaucia Welp disse:

    O Dia – Rio recebia milhões em verbas federais para a saúde do preso
    Sobra grana, eles que não usam.

  2. Beraldo disse:

    Não há solução à vista.

    Já temos excesso de criminosos comuns nas ruas e, se forem soltos os presos deste tipo, não fará nenhuma diferença.

    É por aí…

  3. uiara disse:

    Apesar de serem condenados , deveriam ser tratados com dignidade. O governo deveria dar educação pra comunidades mais pobres para que eles não entrem nesse caminho

  4. José Miguel disse:

    Total inversão de valores, ridícula reportagem!!!

  5. CHRISTIAN disse:

    Com os demais da população também principalmente nos hospitais públicos.

  6. Áureo Ramos de Souza disse:

    Sem falar dos presos comuns, eu gostaria que o ex- Governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral também fosse preso nestes ambiente. Quanto a Pernambuco eu conheço in-loco e a pior e a de Anibal Bruno transformada em três grandes galpões e arrodeada de residencias onde as drogas, facões, celulares são jogada pelo muro pois fica a 3 metros de distancia das residencias.Não adianta inspeção pois providencias não são tomadas e os governos extorquindo e quando vão a uma inspeção gastam mundo de dinheiro pois é uma tremenda comitiva. Até uma ministra esteve no Anibal Bruno e ficou horrorizada e qual providência foi tomada? nenhuma.

  7. Carlos joppert disse:

    Devem trabalhar ao ar livre e vigiados
    O trabalho educa e dignifica
    Por todos ao trabalho em rodovias capinando e muito mais …..,
    Etc……..

  8. laercio disse:

    Não dá certo manter dezenas de pessoas em um mesmo lugar! As doenças se propagam, o crime se articula, ninguém ganha…

    Prisão deve ser em regime de solitária 24 horas por dia, sem visitas, com trabalho (cada semana trabalhada) diminui um dia na pena.

    O povo que está sendo massacrado pelos marginais,quando saem da cadeia.

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