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O papel dos bancos no ajuste fiscal

Acostumados a bater recordes anuais, bancos terão de pagar mais impostos sobre lucros a partir de setembro

O papel dos bancos no ajuste fiscal
Após a aprovação da MP 675, ações dos maiores bancos caíram mais de 3% em poucos dias (Foto: Wikimedia)

Em mais um esforço para reequilibrar as contas públicas, o ajuste fiscal do governo aumentou a cobrança de tributos sobre o lucro dos bancos.

Na semana passada, foi aprovada a Medida Provisória 675, que aumenta de 15% para 20% a alíquota da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSSLL) das instituições financeiras. A medida entra em vigor em setembro deste ano. Com ela, o governo espera uma arrecadação de R$ 747 milhões em 2015 e R$ 3,8 bilhões em 2016. Após o anúncio da medida, feito na última sexta-feira, 22, as ações de Itaú, Banco do Brasil (BB) e Bradesco caíram mais de 3% em poucos dias.

Segundo uma análise do banco BTG Pactual, o impacto da medida sobre o lucro dos bancos será pequeno este ano, “ficando entre 5% e 8%, sendo mais perto de 5%”. Outra análise, feita pelo banco Credit Suisse, prevê que em 2016, o Bradesco terá uma queda no lucro de 5,9%; o Itaú e o Banco do Brasil; de 5,8%; e o Santander de 5,1%.

Apesar de ter um impacto negativo relativamente pequeno, a medida provisória preocupa os maiores bancos do país. Isso porque, para eles, lucro nunca foi um problema. Nenhum outro banco do mundo lucra como os do Brasil. Com juros de até 300% ao ano, eles costuma bater recorde de lucro a cada ano. Somente no ano passado, o lucro de Itaú, Santander, Bradesco, BB e Caixa somou R$ 60,3 bilhões, 18,5% a mais do que em 2013.

Segundo uma nota publicada no blog Expresso da revista Época, para não perder suas margens de lucro, a resposta dos bancos ao aumento do imposto certamente será aumentar as tarifas:

“Resposta de um presidente de um grande banco privado à medida do governo que elevou, na sexta-feira (22), a Contribuição Sobre Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras de 15% para 20%: ‘Vamos ter de aumentar as tarifas. Não tem jeito'”.

Fontes:
Zero hora-Moisés Mendes: pobres bancos brasileiros
G1-Ações de bancos recuam com ajuste fiscal e puxam queda da Bovespa
G1-Governo sobe tributo dos bancos

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