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O perigoso investimento de levar o risco para a política

A política que se pratica hoje no Brasil está voltada somente para a estratégia de vencer eleições, e não de planejar o governo ou de promover a gestão

O perigoso investimento de levar o risco para a política
Assusta constatar que a ganância e o risco se mudaram de malas e bagagens para o plano na Política (Reprodução/Folhapress)

A estranha sensação, misto de excitação e medo – causada pelo risco e pela ganância – é o que leva as pessoas a experimentar e cometer o “Greed and Fear” (Ganância e Medo). O termo é exaustivamente debatido em artigos acadêmicos de Economia e Finanças Comportamentais – mas faz tempo que migrou para outras áreas, como a vida pessoal, o esporte, a política etc.

Investir, por exemplo, em ações de baixo risco no mercado de ações é uma atitude que denota comportamento conservador que contrasta com o “Greed and Fear” de fazer aplicações mais arrojadas, de altíssimo risco e com margens mais adequadas ao olho grande. .

A sensação de fazer essa aposta é idêntica à que sente o jogador de pôquer sobre uma mesa verde, o piloto que acelera na pista molhada de Suzuka, um furtivo encontro fora do casamento, enfim, de correr sérios riscos em troca do prazer da conquista – mesmo que não seja a mais certa.

O excesso de autoconfiança dos que se consideram acima da média para liderar negócios ou mesmo para dirigir um automóvel leva pessoas a superestimar suas habilidades, aumentando o risco de bater com o carro e de levar a empresa à falência.

Assusta constatar que a ganância e o risco se mudaram de malas e bagagens para o plano na Política. Estranha ver que governos não fazem mais planejamento de gestão no médio e longo prazo de cidades, estados e do país para apostar todas as suas fichas a cada quatro anos na jogatina do processo eleitoral.

E como se trata mesmo de um jogo, todas as fichas vão para a mesa – sem regras, sem comedimento. E essas fichas são traduzidas nas toneladas de promessas e expectativas despejadas sobre o eleitor que – sem cacife próprio – embarca na canoa de um ou de outro e acaba enganado pela armadilha do blefe.

A política que se pratica hoje no Brasil está voltada somente para a estratégia de vencer eleições, e não de planejar o governo ou de promover a gestão do “estado” – mesmo que seja do país inteiro ou de um pequeno município. A prática de fazer apostas transformou a classe política em jogadores contumazes que viciam os próprios filhos na mesma compulsão. Basta ver os sobrenomes dos mesmos apostadores espalhados por aí.

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