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O que a Califórnia tem a ensinar ao Brasil sobre a seca

Paula Kehoe, da Comissão de Empresas Públicas de São Francisco, veio ao Brasil falar sobre as medidas adotadas pela cidade para lidar com a histórica seca que afeta a Califórnia

O que a Califórnia tem a ensinar ao Brasil sobre a seca
Paula iniciou sua palestra alertando para a necessidade de se ampliar as fontes de água disponíveis (Foto: Wikimedia)

Na última quarta-feira, 6, a Agência Nacional de Água (ANA) alertou que 2015 será um ano “extremamente grave” para o abastecimento de água no país. Afetado por uma das piores secas das últimas décadas, o Brasil busca formas de economizar água. Segundo a Sabesp, o consumo de água por pessoa no Brasil pode chegar a 200 litros por dia. A recomendação da ONU é o uso de 110 litros diários.

Nesse contexto, a cidade de São Francisco, na Califórnia, pode servir de inspiração. Em meio a uma seca histórica, a cidade adotou medidas simples e eficientes para reduzir o consumo e o desperdício de água.

Na semana passada, Paula Kehoe, diretora de Recursos Hídricos da Comissão de Empresas Públicas de São Francisco, órgão controlado pela Prefeitura da cidade, participou da palestra “Alternativas para o gerenciamento de recursos hídricos: a experiência de São Francisco, Califórnia”, realizada no Rio de Janeiro, na sede do Sistema Firjan. No evento, Paula falou sobre as medidas tomadas pela cidade e pelo estado da Califórnia para lidar com a seca.

Paula iniciou seu discurso alertando para a necessidade de se ampliar as fontes de água disponíveis. “Não podemos confiar nos recursos atuais disponíveis, temos que ampliar as fontes. Nós criamos um plano que age em três frentes: economia de água, conscientização e incentivos financeiros para recompensar aqueles que reduzem o consumo”, disse.

Para isso, a Comissão de Empresas Públicas de São Francisco passou a fazer o reparo imediato de qualquer ponto de vazamento na cidade. A comissão também investiu na modernização dos equipamentos que fazem a captação e distribuição da água. “A ideia é investir em medidas que funcionem de imediato, mas também apresentem resultados em longo prazo”, disse Paula.

Outra medida foi adotada pelo governo do estado da Califórnia. Foi proibido o uso de água para lavar calçadas e a irrigação foi limitada ao essencial. A multa para quem desrespeitar a lei pode chegar a US$ 10 mil por dia. O governo criou um número de telefone para receber denúncias da população sobre estabelecimentos que estão desperdiçando água.

Pensando na reutilização da água, a Prefeitura de São Francisco instituiu a substituição obrigatória de utensílios domésticos nas residências. Cada casa ou apartamento colocado à venda deve substituir os vasos sanitários por novos modelos, que reutilizam a água usada nas torneiras. Os chuveiros e as pias também devem ser trocados por modelos mais econômicos. A compra e a substituição dos equipamentos devem ser feitas pelo dono do imóvel, que tem o valor dos gastos reembolsados ao apresentar a nota fiscal em locais estabelecidos pela Prefeitura.

Paula falou que a dessalinização da água do mar também está sendo estudada, mas ainda não será colocada em prática por conta do alto valor que o investimento exige. “Além disso, há a questão do que se fazer com os sais marinhos extraídos”.

Com essas medidas, nos últimos quatro anos, São Francisco conseguiu reduzir a demanda por água de 185 litros diários por pessoa para 170 litros diários. O número ainda está acima do estabelecido pela ONU, mas Paula está confiante de que São Francisco irá reduzi-lo ainda mais. “Nós realmente acreditamos na redução do consumo”.

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