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DRIBLANDO A CRISE

O que blinda a região sul da recessão do Brasil?

Embora a crise não tenha poupado a região, seus efeitos sobre ela foram menos traumáticos

O que blinda a região sul da recessão do Brasil?
A sorte do sul se deve ao clima e à geologia da região (Foto: Flickr)

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Composto por três estados (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), o sul do Brasil ocupa uma área quase do tamanho da França, com uma população de 29 milhões de habitantes. A região parece à parte do restante do país. Nas áreas montanhosas, a temperatura pode cair abaixo de zero e a erva mate faz mais sucesso entre os habitantes locais do que o popular cafezinho.

Porém, atualmente, a diferença mais notável é a econômica. Embora a pior recessão do país em décadas não tenha poupado a região, seus efeitos sobre ela foram menos traumáticos. O desemprego no sul dobrou e hoje está em 8%. Ainda assim, o percentual é abaixo da média nacional de 11,8%. As vendas seguiram o ritmo da inflação, sinal de um mercado consumidor robusto.

A sorte do sul se deve ao clima e à geologia da região. Os estados do sul não têm clima propício à criação de cana-de-açúcar e café, commodities que atraíram os portugueses para o nordeste, onde estabeleceram uma economia baseada em extração e exploração de mão de obra escrava. Em outras regiões, como sudeste, jazidas minerais estimularam concentração de poder e riqueza.

Os tempos rigorosos do passado criaram no sul uma cultura de resistência. “É preciso ser empreendedor apenas para sobreviver”, explica Raimundo Colombo, governador de Santa Catarina. Além disso, a tradição de independência e de propriedade familiar moldaram os negócios da região. A cooperação também é um hábito importante: as cooperativas de crédito da região concedem financiamentos mais acessíveis do que suas contrapartes em outras regiões do país. Os habitantes do sul também se uniram para educar seus jovens, criando modelos de universidades comunitárias.

A história deixou como legado para a região uma classe média relativamente larga, a menor taxa de desigualdade do país e um PIB per capto duas vezes acima de médica nacional. Tudo isso, deu à região sul o tipo de economia diversificada que o Brasil gostaria de ter para se proteger o impacto do fim do boom das commodities. Na região, indústrias de extração representam menos de 1% do PIB, comparado com uma média de 4% do resto do país. Já a produção manufatureira representa entre 16% e 22% do PIB, contra uma média nacional de 12%.

Fontes:
The Economist-Brazil’s three southern states escape the worst ravages of recession

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1 Opinião

  1. Edinilson Silva disse:

    O Sul é o meu país!!!!!

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