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O que diz a ‘Economist’ sobre os médicos cubanos

Revista critica o ‘lobby’ das associações médicas e afirma que muito mais que médicos, Brasil precisa de mais enfermeiros

O que diz a ‘Economist’ sobre os médicos cubanos
Governo Dilma pretende trazer 4 mil médicos cubanos para preencher vagas em municípios carentes (Reprodução/Internet)

O Opinião e Notícia reuniu abaixo os destaques de uma reportagem da revista ‘Economist’ sobre a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil pelo programa Mais Médicos. Veja os sete pontos mais relevantes da reportagem — uma mistura de dados e opiniões pouco divulgados na imprensa brasileira:

 

  1. O Brasil tem proporcionalmente menos médicos que muitos países mais ricos (veja o gráfico) e a maioria está nas grandes cidades, na prática privada. Muito poucos são clínicos gerais. É menor ainda a parcela de enfermeiros no país: a taxa é de um para cada dois médicos. Em sistemas de saúde eficientes a proporção é de três enfermeiros para cada médico.
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  3. Os enfermeiros também são mal-aproveitados, em grande parte por causa do lobby dos médicos. Em 2002, suas associações profissionais conseguiram impedir a formação de enfermeiros no diagnóstico e tratamento de doenças comuns na infância. Em 2009, eles conseguiram aprovar uma lei proibindo qualquer profissional da saúde que não seja médico a prescrever qualquer tipo de medicamento.
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  5. A proporção das despesas do governo federal com saúde pública é menor que nos Estados Unidos, país que não tem cobertura universal e não serve de exemplo pra ninguém nessa área. Embora a Constituição brasileira garanta o direito à saúde pública de qualidade, dois quintos da população não têm acesso a qualquer tipo de atendimento básico local. Contam apenas com caóticas salas de emergência em hospitais públicos. Apenas um quarto da população tem plano de saúde privado.
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  7. O plano original do Mais Médicos era atrair profissionais brasileiros para municípios carentes, mas, apesar dos altos salários oferecidos, apenas 938 médicos se inscreveram para 15.460 postos de trabalho. Não houve interesse na maioria dos 3.511 municípios que precisam de médicos.
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  9. Para Cuba, o Mais Médicos representa uma fonte muito bem-vinda de renda. Cuba forma muitos médicos por ano e, há muito tempo, os envia em missões internacionais por razões humanitárias ou de propaganda. Cada vez mais, Cuba está cobrando por esse serviço, e seus parceiros ideológicos da região não parecem se importar. A Venezuela envia subsídios a Cuba sob o pretexto de que é remuneração pelos 30 mil médicos cubanos que atuam no país. Embora o Brasil insista que nenhum subsídio está envolvido em seu acordo, o valor do contrato previsto – US$ 150 milhões ao ano – o torna valioso para Cuba, que vai reter cerca de dois terços dos salários dos médicos.
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  11. As associações médicas brasileiras argumentam que os salários mais baixos e a incapacidade de escolher onde irão trabalhar torna a situação dos médicos cubanos no país “análoga ao trabalho escravo”. Isso é no mínimo um exagero.
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  13. Os médicos brasileiros também afirmam que, como o diploma dos estrangeiros não é revalidado, eles estarão praticando ilegalmente no Brasil. Mas o Ministério da Educação suspeita que o teste de revalidação, o Revalida, é desnecessariamente difícil a fim de manter os estrangeiros fora do país. Menos de 10% dos médicos passam, e os cubanos se saem um pouco melhor que a média. O Ministério recentemente tentou administrar o Revalida do último ano a estudantes de medicina brasileiros, mas muito poucos apareceram no dia da prova, impedindo a coleta de uma amostra representativa.

 

 

Fontes:
The Economist - Flying in doctors

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4 Opiniões

  1. Ciro disse:

    O Brasil realmente perdeu a capacidade de se ofender com absurdos. Os médicos-escravos-militantes cubanos, o deputado-presidiário, universitários analfabetos, jornalistas militantes, violência bestial…Protestos só quando a extrema-esquerda organiza (se encerraram no exato momento que o Passe Livre se incomodou com a virada a direita das queixas).

    Imaginem os prováveis 25 mil médicos montando programas de doutrinação nos rincões! O MST vai parecer bobagem. Os terrores do século XX vão se repetir nesse canto do planeta desta vez.

  2. Roberto1776 disse:

    Realmente, existem exageros por parte dos médicos, tais como impedir que um optometrista prescreva um par de óculos de leitura.
    Porém, eles, os médicos brasileiros, deveriam saber que quem tudo quer, tudo perde. O Batistinha (o ex-bilionário) já está experimentando esse fenômeno.
    Só quero ver se o PT não conseguir se reeleger para a presidência da república. Vamos ver quantos médicos cubanos vão pedir asilo político no Brasil.
    O André está coberto de razão: precisamos de um programa tipo “Mais Seriedade”, acompanhado do programa “Menos Corrupção” !!

  3. helo disse:

    O Economist possivelmente desconhece o curso médico no Brasil.
    Em muitos países, como nos EUA, existe o médico bacharel (MB) com menos anos de curso, e o médico doutor (MD) com mais 3 anos de curso. No Brasil não temos o MB só o MD. A atenção básica dada por paramédicos, que não existem no Brasil, e por enfermeiros especializados no cuidado básico é muito importante. Para gripes, infecções comuns, desnutrição, pequenas suturas, o médico não é necessária a presença do médico só chamado quando há complicações.
    Entretanto nenhum profissional, seja um paramédico cubano, parteira, enfermeiro ou auxiliar de enfermagem poderá trabalhar em postos que não tem água ou banheiro.
    O que falta no país é um planejamento sério e de longo prazo para oferecer as condições de atendimento, reformular talvez os cursos na área de saúde, e criar um plano de carreira para o profissional de saúde que incluísse uma rotatividade saudável para atendimento em áreas distantes. MM em SP, interior e periferia, não me parece sensato. Menos ainda as vaias comandadas por profiissionais do sindicato médico do Ceará, filiado a CUT.
    Profissionais estrangeiros existem em todo o planeta, e brasileiros no exterior. A nossa burocracia crescente cria mil obstáculos para quem vem de fora em qualquer área. Talvez porisso os cubanos não possam vir, imigrar, se necessário, e trabalhar como qualquer outro brasileiro e com a proteção da lei.

  4. André Luiz D. Queiroz disse:

    Os dados e opiniões da matéria reforçam minha opinião prévia, de que há exageros e vícios de ambos os lados da proposta do programa — seja de um lado pelas tradicionais incompetência e miopia do governo no trato de temas como esse, como ‘soluções’ imediatistas, oportunistas e, não raro, com interesses obscuros; seja do outro lado pelo puro corporativismo da classe médica e/ou oposição político-partidária, visando interesses eleitorais.

    Ao invés desse tal programa “Mais Médicos”, eu queria ver implantado mesmo era um programa “Mais Seriedade”, acompanhado do programa “Menos Corrupção” !!

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