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Economia

O que é necessário para crescer em 2013

O investimento tem o efeito de uma cirurgia benéfica à saúde, enquanto que estimular o consumo equivale a tratar a doença pelo sintoma, com remédios paliativos

O que é necessário para crescer em 2013
Dilma declarou sua indiferença em relação ao que dizem as revistas do exterior (Fonte: Reprodução/JB)

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Já sabemos que a presidente declarou sua indiferença em relação ao que dizem as revistas do exterior, pelo fato de serem “estrangeiras”. Há algumas semanas, a Economist sugeriu uma nova política econômica que incentivasse o crescimento econômico, propondo à presidente a troca do ministro da Fazenda, caso queira ter sucesso na entronização de um segundo mandato.

A política de incentivo ao consumo via renúncia fiscal em impostos sobre bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos em geral, não foi suficiente, apesar do crédito ampliado, para aumentar o PIB brasileiro além do intervalo entre zero e 1%, a conferir pelo IBGE em sua próxima divulgação.

Ocorre que a Economist insiste em falar do Brasil, como não poderia deixar de ser. Mas, vejam só, em sua mais recente publicação “O Mundo em 2013” (The World in 2013), edição especial de análise prospectiva, dedica ao nosso país apenas 3 linhas das suas 134 páginas. Se, em termos mundiais, o Brasil representa, em sexto lugar, cerca de 3,6% do PIB mundial, haveria uma desproporção de “quantidade” nesta menção. Mas a esta altura o leitor deve estar justamente com curiosidade sobre as três linhas que reproduziremos a seguir:

“No Brasil a presidente voltará sua atenção para implementar os contratos prometidos para os tão necessários investimentos privados em infraestrutura”.

A síntese é afirmativa, como se fosse uma declaração de vontade política da presidente, mas fica a dúvida se é na verdade uma recomendação.

Convergem positivamente para a ideia do investimento privado em infraestrutura alguns fundamentos:

a) A infraestrutura brasileira está deficiente, seja em aeroportos, portos, estradas, saneamento e transporte;
b) O governo federal não tem os recursos e, muito menos, a habilidade — e idoneidade — para administrar recursos ou investimentos, haja vista a destruição das agências reguladoras com a utilização política e interesse particular dos governantes na nomeação dos cargos;
c) Há liquidez no capital internacional à busca de investimentos mais rentáveis que em seus próprios países, uma vez que no primeiro mundo a infraestrutura está mais consolidada, e seus mercados não são tão atrativos em função do contexto da crise europeia.

Assim, o motor da economia seria o investimento na infraestrutura e não o incentivo ao consumo. Os governantes brasileiros precisam aceitar que é preciso estimular o crescimento da taxa de participação do investimento no PIB (foi de 19,3% em 2011). Comparativamente à medicina, o investimento tem o efeito de uma cirurgia benéfica à saúde, enquanto que estimular o consumo equivale a tratar a doença pelo sintoma, com remédios paliativos.

Como obstáculo a este projeto, figura o pensamento não ajustado à realidade do partido da situação, contra a privatização e as concessões de serviços públicos para substituir a administração pública direta destas atividades. Por falar em péssimo serviço e instalações, a família do compositor Tom Jobim deveria apresentar uma moção para tirar o nome do principal ponto de entrada no país, o Galeão, ou, então, que o aeroporto seja adaptado para condições de primeiro mundo, virando as páginas do ideário.

*Paulo Gurgel Valente é diretor da Profit Projetos

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1 Opinião

  1. Carlos Marques disse:

    Bom comentário, no dia em que saiu o aeroporto Tom Jobim ficou sem energia e na semana anterior o outro aeroporto do Rio.
    Como estamos preparados para a Copa, sob a égide do PT 10 anos de m.

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