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O que motiva as pessoas a festejar o Carnaval?

A estudante Mayra Marques e a terapeuta ocupacional Rejane Laeta contam ao O&N a importância dessa festa em suas vidas

O que motiva as pessoas a festejar o Carnaval?
O Carnaval é conhecido como uma festa popular e democrática que junta e mistura gente de diferentes perfis (Reprodução/Internet)

Na avenida, nas quadras ou nos blocos de rua, o Carnaval é conhecido como uma festa popular e democrática que junta e mistura gente de diferentes perfis. O samba e a folia contagiam a estudante Mayra Marques e a terapeuta ocupacional Rejane Laeta. Seja aos 18 ou aos 56 anos, as duas que não se conhecem, pulam o Carnaval com o mesmo entusiasmo, afinal, o Carnaval não tem limite de idade.

Mayra

Mayra Marques no desfile da escola de samba (Foto: arquivo pessoal)

Aos 18 anos, Mayra Marques acaba de terminar o Ensino Médio e faz técnico em Administração no Cefet. Desde 2008, ela desfila na Imperatriz Leopoldinense. Quando menina era Portela, mas depois que conseguiu uma vaga na ala das baianinhas da Imperatriz, sua escola de samba de coração mudou de nome. “Quando eu estava no desfile e virei para ver a avenida, eu vi a magia que era e falei: ‘agora eu sou Imperatriz’”, lembra.

Mesmo com idade abaixo da faixa etária da ala, que era composta por meninas entre 14 e 16 anos, ela desfilou com autorização da mãe. A estudante foi a primeira da família a ser inscrita em desfile. O Carnaval de Mayra começa em agosto nas disputas de samba. De lá até os dias de folia, ela vai à quadra todos os domingos. O Carnaval trouxe muita coisa boa na vida dela, inclusive um namorado. Este ano, ela vai desfilar vestida de jacaré em uma ala, em que todos os participantes vão estar fantasiados de animais. “Na quadra e na avenida a gente extravasa tudo. A gente vai pra lá e encontra pessoas alegres e quer ficar daquele jeito.”, explica.

Rejane

Rejane Laeta tocando chocalho no bloco de rua (Foto: arquivo pessoal)

A terapeuta ocupacional Rejane Laeta, por sua vez, trabalha no Serviço de Geriatria do Hospital Federal dos Servidores do Estado. Aos 56 anos, a mangueirense conhece todas as quadras do Rio. Com apenas três anos, ela já frequentava as quadras das escolas de samba com sua mãe. Rejane também toca chocalho em diversos blocos de rua. A programação deste ano inclui nove, mas ela conta que teve época em que tocou em 16. “No sábado de Carnaval, eu abro a janela e tudo está diferente: a cor, o ar, o clima… É Carnaval”, explica.  “O Carnaval é um grande retrato da nossa cultura. Tem Carnaval no mundo inteiro, mas esse Carnaval com essa cara e com esse desenvolvimento é só nosso”, diz.

A folia também acontece no grupo de idosos com o qual ela trabalha no hospital. Segundo Rejane, a ferramenta de trabalho da terapia ocupacional é a atividade humana. No encontro de Carnaval do hospital, todas as atividades de estimulação, como jogos de forca e de memória, são voltadas para o tema. O encontro vira, no final, um grande baile. “Você tem tantos carnavais quanto anos de vida”, diz ao explicar que esse resgate de memórias ajuda no trabalho com os pacientes, que por algum motivo tiveram uma alteração em sua capacidade funcional.

Com anos de folia no currículo, ela explica que algumas coisas mudaram. “Como tudo no mundo, nada é estático, tudo é mutável. O Carnaval mudou.” O lado bom é que os blocos de rua voltaram, mas um lado negativo, segundo a terapeuta ocupacional, é o consumo exagerado de álcool, principalmente entre os jovens. Só neste ano, Rejane já tocou nos blocos “Suvaco do Cristo”, “GB” e “Chupa mas não baba”, mas ainda faltam muitos outros, inclusive o “Cardosão de Laranjeiras”, que é seu bloco de coração.

Mayra e Rejane encontram motivos de sobra para festejar o Carnaval. E você, caro leitor?

 

5 Opiniões

  1. Hugo Leonardo Filho disse:

    Não sei porque tanta gente gosta tanto do carnaval. Pessoas se drogam, se acidentam, contraem DST, morrem; mulheres engravidam; o povo gasta dinheiro, bebe cerveja quente, urina na rua, ouve música ruim. Verdade que as mulheres são maravilhosas, mas melhor na cama.

  2. André Luiz disse:

    Regina,
    Pra ser sincero, não… Exceto o Carnaval de Veneza, na Itália, e o de Nova Orleans, em Louisiana, EUA (que teve colonização francesa e, se não me engano, católica), desconheço outras celebrações de Carnaval que tenham algum destaque internacional. Não estou dizendo que o Carnaval não seja celebrado em outros lugares, mas que o Carnaval tem maior importância entre povos de tradição católica e, o que acho determinante, em que a população é carente de muita coisa…

  3. Áureo Ramos de Souza disse:

    O Carnaval já foi uma festa popular e cada estado fazia o seu sem olhar os do outros, mas hoje é disputa. Mais o Carnaval é contagiante, podemos ver nos olhares e aqui em Recife é muito melhor pela quantidade troças, blocos, caboclinhos de várias tripos, papangus, e temos também escola de samba, segundo a UNESCO é Patrimônio Cultural da Humanidade. Venham ver para crer.

  4. Regina Caldas disse:

    Você nunca ouviu falar das paradas do Mardi Gras que ocorrem nos países mais desenvolvidos do nosso planeta Terra, caro André Luiz?

  5. André Luiz D. Queiroz disse:

    Pessoalmente, nunca fui muito de Carnaval; quando criança, nem gostava de samba. Também me incomodam o barulho, a balbúrdia, a aglomeração… tudo excessivo para mim! Mas, bem entendido, são gostos pessoais! Não posso nem quero ‘condenar’ o gosto dos outros!
    Acho que o Carnaval, para o brasileiro, é a grande chance de ‘catarse’, de esquecer por alguns dias todas as mazelas da vida cotidiana, com todas as frustrações e agruras que o povo passa o resto do ano… Acho que seja assim em todos os países e culturas de tradição cristã onde o Carnaval é uma festa popular de grande monta, todos eles mais ou menos subdesenvolvidos; o povo é carente de um monte de coisas, 361 dias do ano — no Carnaval, durante 4 dias, as pessoas ‘fingem’ que são felizes e satisfeitos o ano todo!

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