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O que o resultado do segundo turno revela sobre os brasileiros

Ao fim das votações, políticos tentam entender o que o eleitor buscou nas urnas

O que o resultado do segundo turno revela sobre os brasileiros
Votações para prefeito terminaram nesse domingo (Reprodução/Internet)

Renovação. Foi a explicação encontrada por parlamentares que buscaram decifrar no resultado das eleições de domingo, 28,  a vontade dos eleitores manifestada nas urnas. O eleitor brasileiro mostrou que está esgotado de práticas e personagens da política que não se renovam, o que ficou claro no resultado do segundo turno em cidades como São Paulo, onde um candidato que nunca concorreu a cargo público venceu contra outro mais experiente. Setores da política avaliam que um novo nome na disputa deu ao eleitor a impressão de que se trata de uma renovação, o que nem sempre é verdade.

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“É preciso prestar atenção aos resultados. Há uma mudança de rumo. Nós temos de entender esse movimento”, declarou o deputado Eduardo Cunha, do PMDB-RJ. Em eleições municipais, ele considera que o eleitor costuma prestar mais atenção aos problemas específicos da sua cidade do que qualquer outra demanda.

Em artigo para o Estado de S. Paulo, o articulista João Bosco Rabello concordou com Cunha ao afirmar que em eleições municipais, o eleitor se preocupa com gestão, enquanto que nas presidenciais, ele está mais apto a fazer política. Para Rabello, o resultado do segundo turno mostrou que as eleições municipais estão, de um modo geral, imunes ao jogo político nacional, que já mira na sucessão presidencial de 2014.

A não-reeleição de candidatos também foi um forte indicador que contribuiu para identificar a busca do eleitor por renovação. De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM),  o índice de reeleição de prefeitos foi o mais baixo desde 2000, ano em que a legislação autorizou o direito à busca por mais de um mandato. O eleitor insatisfeito escolheu novos perfis ou, à falta deles, recorreu a antigas lideranças relegadas, até então, ao purgatório político, como no caso de João Alves (DEM), que saiu vencedor em Aracaju.

Segundo a CNM, 74,8% dos 3.659 prefeitos com direito a concorrer à reeleição entraram na disputa este ano. No entanto, dos 2.736 candidatos à reeleição, 1.505, ou 55%, saíram vitoriosos das urnas. Na última eleição para prefeito, em 2008, 65,9% dos prefeitos que tentaram o segundo mandato foram reeleitos. Já em 2004 e em 2000, este número chegou a 58,2%.

Resultados das eleições influenciam na sucessão presidencial

A considerar a possível influência da eleição municipal na presidencial, um dos partidos que mais saiu fortalecido foi o PSB. Ao vencer em capitais estratégicas como Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Cuiabá, Campinas, Duque de Caxias e Petrópolis, o partido ganhou visibilidade e dimensão política para se arriscar em uma futura eleição presidencial com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, muito elogiado pela revista Economist.

 

Fontes:
Estadão-Políticos procuram entender recado de eleitor na urna
Estadão-Os efeitos para 2014

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2 Opiniões

  1. João Carlos disse:

    Aquela estratégia de culpar o governo federal (do PT), mensalão e etc, pelos problemas da cidade de São Paulo, finalmente não cola mais. Há uma luz no fim do túnel para o povo paulistano.

  2. helo disse:

    João Carlos,
    Realmente o mensalão salva o Brasil de um grupo que cometeu crime, mas não tem muito a ver com a eleição municipal. Já a luz no fim do túnel para o povo de São Paulo é ver para crer. Tenho fortes dúvidas. Se o Haddad é a melhor solução, talvez explique porque 1/3 da população não votou. Se votasse em SP também me absteria.

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