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Crítica de Cinema

‘O Sal da Terra’ é um grande álbum de fotos de Sebastião Salgado

O documentário mostra o monumental trabalho de Sebastião Salgado e a força de suas fotos preto e branco

‘O Sal da Terra’ é um grande álbum de fotos de Sebastião Salgado
Juliano Ribeiro Salgado, filho de Sebastião Salgado, divide a direção do filme com Wim Wenders (Reprodução/Capital Pictures)

O filme mais recente de Wim Wenders é um documentário gravado em diversos lugares do mundo. “O Sal da Terra” documenta o monumental trabalho do fotógrafo brasileiro, Sebastião Salgado, conhecido por retratar situações extremas, como em seus trabalhos em campos de refugiados em Ruanda e o incêndio dos poços de petróleo no Kuwait na Guerra do Golfo.

“O Sal da Terra” é um grande álbum de fotos de Sebastião Salgado. As primeiras cenas do documentário mostram o trabalho do fotógrafo em Serra Pelada, no norte do Brasil, durante a corrida pelo ouro na região. As fotos continuam impressionando mais de vinte anos depois de terem sido tiradas.

O fato de serem imagens paradas dentro de um filme, não muda em nada a força das fotos. O diretor Wenders não precisou usar muitos artifícios para compor o documentário porque os pontos centrais são as próprias fotografias em preto e branco. Mas ao mostrar, em alguns momentos do filme, o fotógrafo falando e olhando diretamente para a câmera, o diretor aponta para a característica biográfica da obra.

Juliano Ribeiro Salgado, filho do fotógrafo, divide a direção do filme com Wenders e traz a obra uma perspectiva familiar. Parte da carreira de Sebastião Salgado é frequentemente atribuída aos esforços de sua esposa Leila, responsável por direcionar seus grandes projetos e cuidar de toda sua obra e distribuição, além de ser curadora das exposições.

Esse foco pessoal não limita o documentário porque Sebastião Salgado se concentra na riqueza de suas experiências pelo mundo. Talvez ele valorize um pouco demais a humanidade e a bravura mostradas em suas obras, mas é difícil duvidar que ele tenha sido profundamente afetado por elas.

Sebastião Salgado descreve no filme como a destruição nas guerras no Congo e na Bósnia o devastaram, e o relato marca uma certa catarse para o público. Em uma tentativa de dar uma sequência mais leve ao resto do filme, Wenders muda o foco para mostrar como o reflorestamento da fazenda da família Salgado em Minas e a criação do Instituto Terra ajudaram na recuperação do fotógrafo. O trabalho seguinte de Sebastião Salgado, “Gêneses”, retrata as maravilhas da natureza ao invés da destruição humana.

O final otimista traz ao documentário um toque de superação, o que o deixa mais convencional. Talvez um mergulho mais profundo no trabalho de Sebastião Salgado teria enriquecido o filme.

Fontes:
Economist-Small photos on the big screen

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