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a história do tráfico

O tráfico em todas as suas nuances

Ramo de negócios que se configura um dos maiores flagelos da humanidade, o tráfico é uma modalidade criminosa que faz milhões de vítimas todos os anos ao mesmo tempo em que fatura bilhões de dólares

O tráfico em todas as suas nuances
Interior de um navio negreiro. Búzios foi porto e o maior entreposto do tráfico de escravos do século 19 (Reprodução/Internet)

Ramo de negócios que se configura um dos maiores flagelos da humanidade, o tráfico é uma modalidade criminosa que faz milhões de vítimas todos os anos ao mesmo tempo em que fatura bilhões de dólares. A atividade é considerada tão antiga quanto a prostituição.

A ampla circulação irregular de mercadorias ilícitas não está restrita somente às drogas (que lideram o mercado) ou às armas. Segundo dados de 2010, o tráfico humano – isso mesmo, de pessoas – respondeu por US$ 31,6 bilhões no comércio internacional. Nesse segmento – o segundo do ramo e o que mais cresce – as modalidades são muitas e se incluem aí exploração sexual e do trabalho, extração de órgãos, sangue ou tecidos, remoção de óvulos ou barriga de aluguel – tratando seres humanos como meras mercadorias.

Se o leitor se escandaliza, imagine ao saber agora que o requisitadíssimo município fluminense de Búzios foi porto e o maior entreposto do tráfico de escravos do século 19.

O tráfico de pessoas abre diversas e trágicas possibilidades como a venda de órgãos – atividade que movimenta entre US$ 7 milhões e US$ 12 milhões ao ano. Até os primeiros três anos deste milênio, brasileiros chegaram a vender um de seus rins no mercado negro por valores que variavam entre US$ 3 mil e US$ 10 mil dólares.

Segundo investigações policiais no segmento, a Índia é o país que mais vende órgãos enquanto Israel é o que mais compra. Também a China desponta em mais este mercado – dispondo comercialmente dos órgãos daqueles condenados à execução.

Diante das constantes campanhas nacionais de doação de sangue – feitas por hospitais e demais instituições sérias de nosso país – seria difícil imaginar que alguém sobrevivesse e enriquecesse por traficar sangue humano. A prática é comum no leste europeu – especialmente na Bulgária – onde 450 ml podem custar entre 15 e 42 euros.

No Brasil, o tráfico de animais é responsável pelo risco de extinção de diversas espécies, comprometendo a biodiversidade.

Entre os poucos números disponíveis sobre tráfico no Brasil, destaca-se estudo da Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro que, em 2008, estimou que o narcotráfico faturou entre R$ 316 milhões e R$ 633 milhões. Ocorre que faturamento não é lucro. Tiradas as despesas com logística, perdas com apreensões, autoproteção, reposição de armas e demais gastos, a margem de lucro ficaria próxima a R$ 130 milhões. Salvo engano.

Quem compra uma arma ilícita para se proteger ou dá um “tequinho inocente” numa “social” de fim de semana está envolvido, de alguma forma, como toda essa sujeira.

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